Saudade “...Saudade é solidão acompanhada, É quando o amor ainda não foi embora, mas o amado já... Saudade é amar um passado que ainda não passou, É recusar um presente que nos machuca, É não ver o futuro que nos convida... Saudade é sentir que existe o que não existe mais... Saudade é o inferno dos que perderam, É a dor dos que ficaram para trás, É o gosto de morte na boca dos que continuam... Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade: Aquela que nunca amou. E esse é o maior dos sofrimentos: Não ter por quem sentir saudade, Passar pela vida e não viver. O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido...”
Como e onde encontrar o que resta da alma de Ribeirão. Uma certa unanimidade aponta o Pinguim como o grande ponto da gastronomia de Ribeirão Preto. Não há como questionar o charme desse septuagenário bar-restaurante-choperia, mas é indiscutível que lhe falta alguma coisa. Impossível saber se foi simples extravio ou perda definitiva. Parece que o tempo conseguiu prender no Quarteirão Paulista apenas um pedaço da alma da velha capital do velh’oeste brasileiro. O resto está espalhado pela cidade. Num simples giro pelo centro é possível juntar alguns fragmentos dessa lenda brasileira. A cidade precisava dar uma parada no seu crescimento. Volta-se ao centro em busca de uma referência que nos linque com o passado, mas os detalhes se apagam a cada reforma e a gente como que perde o fio da meada nesse emaranhado de fios e fachadas mutantes. Sobrou a praça, reduto de frescor e serenidade. E resta o Pedrão solene com sua estatura de cimento, mas nem ele com sua clássica sobriedade é capaz de absolver os que deixaram a Estrela d’Oeste apagar-se na queima impune do Cerrado Paulista. Sem chorar, baixe os olhos e preste atenção nos paralelepípedos que cobrem o chão generoso do espaço entre a praça e o teatro. Foram colocados aqui há 100 anos, são os patronos de um plano diretor que jamais se concretiza. Por pouco não foram cobertos pelo manto negro do progresso. Salvou-os uma turma de saudosistas. Algumas poucas pedras centenárias ficaram expostas para embalar as caminhadas e sustentar conversas fiadas. Lembre-se: não importa qual seja o palocci de plantão na cadeira de prefeito, quem manda na cidade são os cupins, as lesmas e os chopins. As andorinhas são testemunhas. Mas veja que nem tudo se perdeu. Repare quantos bares põem cadeiras nas calçadas e sinta se aí não está presente um pedacinho da alma da cidade. Sim, a beleza mora na simplicidade. A riqueza, na diversidade. Esse brilho fugaz no rótulo úmido das garrafas suadas, esse raio fúlgido no colarinho generoso dos copos de cerveja, essa fartura nas porções que enfeitam as mesas -- carne seca, queijo provolone, filé no palito e lambari frito...Tudo isso são cacos brilhantes daquela alma varonil que se extraviou na poeira e na lama de tantas temporadas. Nesses bares, nessas mesas simples o povo brinda o trivial sem maiores ilusões. Sente-se, peça uma também. Sozinho ou acompanhado, saúde a memória dos que criaram, mantiveram e freqüentaram os grandes pontos da gastronomia e da boemia ribeirãopretana, esconderijos onde a alma de Ribeirão busca refúgio. Beba e você verá que mesmo de porre um filho teu não foge à luta. Complete a lista: Cassino Antarctica Lanches Paulista Caneca de Prata, Três Garçons, Restaurante Jangada, Chopão ... Texto de Geraldo Hasse publicado no Guia Centro de Ribeirão - Edição Março 07
O centro de Ribeirão, naquela época, pra mim, era o umbigo do mundo. Menina de vila, de beira de brejo, eu o alcançava sempre a pé, subindo a ladeira da rua Guatapará. O rio ainda dava peixe por ali, e era com esforço que eu chegava à Saldanha Marinho, suas vendas, seus armarinhos. Percorria-a em manhãs infinitas, e meus pés sempre me levavam a atravessá-la, entrando na Campos Sales em direção à Amador.
Na Amador, amado meu, primeiro amor, platônico deveras, morava, por ali, nas imediações, em uma república de estudantes. E lá estava eu, em meio a ela, Amador Bueno, ele ao meu lado, e ela descortinando-me o frescor de suas árvores debruçadas sobre os dois lados da calçada. Meus olhos detinham-se pelos avarandados das casas de família, sim, a Amador Bueno era uma rua residencial naquele tempo, deliciavam-se com seus gatos pachorrentos, espaçados ao sol, tal qual na imagem do Bandeira. Pelas janelas entreabertas segredos se escondiam, mas a luz da manhã só me possibilitava pressentir o cheiro do molho da macarronada de domingo, que atiçava a fome de minhas narinas.
Ali, na Amador, eu sonhava morar, embalada aos sons do piano da casa da professora, em cuja porta eu passava, desejando adentrá-la. Encontraria ali um velho piano cujas teclas eu roçava na minha imaginação, enquanto pressentia as mãos do primeiro amor que nunca me tocaram.
Mas isso foi num dia, em outro, sozinha, de repente, um susto. Quinzinho surgia do nada, correndo atrás de mim, eu atravessava a calçada, ligeira, pernas pra quem te quer. Quando dava por mim, já estava na Florêncio, deixando o velho menino pra trás. Aí meus olhos descortinavam a Catedral que surgia imperiosa, mergulhada na sombra de suas árvores centenárias. Era primavera e as flores coalhavam as calçadas, causando-me arrepios na espinha. Que vontade de deitar ali, mas seguia em frente, invejando os namorados que se beijavam, esquecidos do lugar.
Logo alcançava a Visconde, mirando o palacete na esquina da Américo com seu lustre que me olhava da janela, faiscando na manhã dourada. Descendo a velha Visconde, chegava na Praça Quinze, comprava um selinho na Tabacaria Sampaio, seguia em rumo reto até a Álvares Cabral e penetrava no reino mágico de seu Güerino. Folheava Garcia Marques e seus anos de solidão, o Drummond e seu Claro Enigma, mas era hora de voltar, e voltava, com as mãos abanando pra Vila Virgínia. Era um outro século, uma outra época, esses passeios começavam na Saldanha e hoje vêm dar no meu coração. Texto de Vera Lúcia Rodella Abriata publicado no Guia Centro de Ribeirão - Edição Março 07
Hoje, organizando caixas com papeis antigos, achei uma apostila, daquelas com garras plásticas, umas 30 paginas em tamanho A4, intitulado: 26 anos comigo. Na primeira página, uma dedicatória para mim: "Com muito gostar e admiração. Beijo do amigo Paulo" Na página seguinte, a data de feitura dos textos, Jul/92 - Jul/93. Paulo viveu intensamente, morreu muito cedo, em 2005 com apenas 38 anos, mas aos 26 anos já escrevia coisas lindas como este poema que selecionei, PAIXÃO INCENSO Delicioso O aroma de tua paixão Queimando a mim Exalando de mim Cheirando nós
Encontrei hoje em ruas separadamente, dois amigos meus que haviam zangado um com o outro. Cada um me contou a narrativa de por que se haviam zangado. Cada um me disse a verdade. Cada um me contou suas razões. Ambos tinham razão. Ambos tinham tôda razão. Não era que um via uma coisa e outro outra, ou que um via um lado das coisas e outro um lado diferente. Não: cada um via as coisas exatamente como se haviam passado, cada um as via com um critério idêntico ao do outro, mas cada um via uma coisa diferente, e cada um, portanto, tinha razão. Fiquei confuso desta dupla existência da verdade.
É preciso reviver o sonho e a certeza de que tudo vai mudar; É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós: onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão. O importante é aproveitar o momento e aprender sua duração; Pois a vida está nos olhos de quem sabe ver ...
Se não houve frutos, valeu a beleza das flores. Se não houve flores, valeu a sombra das folhas. Se não houve folhas, valeu a força do tronco. Se não houve tronco, valeu a intenção da semente.
Envergonhadamente confesso que não conhecia a revista Brasileiros até ler o blog do Kotscho, que alias, trabalha na revista. Kotscho, no seu blog diz que a Brasileiros não telefona nem manda recados para saber o que está acontecendo de novo neste nosso imenso país: vai lá. Desde o número zero, o objetivo de sua pequena equipe é mostrar personagens e cenários de um Brasil que não está na mídia. Diz mais, a Brasileiros, o sonho acalentado por toda uma geração de jornalistas brasileiros inspirados pela lendária revista Realidade, da Editora Abril, a melhor publicação impressa já criada no país, no mês que vem vai completar dois anos de vida. É quase um milagre que uma revista mensal de reportagens, fora do main stream, sem a retaguarda de qualquer investidor capitalista, tocada apenas por jornalistas, sobreviva tanto tempo num mercado dominado por duas grandes empresas editoras e duas distribuidoras. Por tudo isso, recomendo e parabenizo a revista. www.revistabrasileiros.com.br
Ricardo Kotscho é quase uma unanimidade nacional. Existe quem não concorde com suas opiniões, mas todos o respeitam muito. Agora, depois de sair do Governo Lula, tem dedicado um bom tempo ao seu blog "O Balaio do Kotscho", que acredito eu, é um presente para os leitores brasileiros. Kotscho não escreve simplesmente, ele levanta temas e discute com seus leitores. E, o sucesso é tão grande, que os leitores criaram um blog, O boteco do Balaio, onde levam adiante os assuntos do Balaio e até levantam novos assuntos. Quem gosta de ler e estar bem informado, pode colocar o endereço nos favoritos: http://colunistas.ig.com.br/ricardokotscho/
Hoje, terça-feira, dia 09 de junho, o Pato Donald completa 75 anos. Marinheiro, desajeitado, irritado, preguiçoso, apaixonado pela Margarida e tio do Huguinho, Zezinho e Luisinho, meninos espertos que acabam sempre salvando o tio. Donald apareceu pela primeira vez em 9 de junho de 1934 em um curta-metragem da série dos Silly Symphonies, "A Galinha Espertalhona", adaptada de um conto russo em que uma pequena galinha procura ajuda para plantar um campo de milho. Donald, seu vizinho, fará de tudo para não ter de colocar as mãos na massa.
Depois de todo carnaval que a imprensa fez, parece que a gripe suína não é nada daquilo que foi divulgado. Graças a Deus, ela é uma gripinha, seu índice de óbitos é igual ou menor que qualquer outra gripe. Agora, devo confessar, que só estou colocando essa nota no blog por causa deste porquinho de máscara que encontrei na net, demais, né?
Ontem, dia 06 de junho, às 15 horas, na Comix, alameda Jaú, 1998, São Paulo, capital, aconteceu a tarde de autógrafos de lançamento da edição de luxo intitulada "Fantasma - A Biografia Oficial do Primeiro Herói Fantasiado dos Quadrinhos" que vinha sendo adiada desde o ano de 2006 quando o herói completou 70 anos de criação. Para quem conhece o autor Marco Aurélio Lucchetti, desta e de outras obras sobre quadrinhos, sabe que ele é fã do herói, criado por Lee Falk e Ray Moore e, que o seu trabalho é sério e muito competente. A obra esmiúça a evolução do herói, dentro e fora do universo do quadrinhos. O livro, de capa dura e formato grande (26,5 cm X 36 cm), foi dividido em 17 capítulos. Começa com a criação dele, no início de 1936, nos Estados Unidos. Depois, explora as principais histórias, os coadjuvantes, a relação e o casamento com Diana, biografias dos autores, migração para outras mídias, citações em outros quadrinhos. A trajetória do personagem no Brasil também é explorada. Há entrevistas com Gutemberg Monteiro e Walmir Amaral, que produziram capas da revista do herói para a RGE.
Gente, olhem essa foto. Vejam como o verde corria por todas as ruas do centro da cidade. Não existia um quarteirão que não tivesse árvores dos dois lados das calçadas. E sabem por que a grande maioria das árvores foram cortadas? Porque atrapalhavam a visão das lojas ou porque sujavam demais. Acredita? Pois é! Hoje, sofremos com o calor excessivo, com a umidade relativa do ar comprometida 10 meses do ano de maneira descontrolada e a falta da beleza natural que o verde nos trás.
“Quando o súdito nega obediência e quando o funcionário se recusa a aplicar as leis injustas ou simplesmente se demite, está consumada a Revolução”
Nunca fui um grande leitor. Ou melhor, só fui um bom leitor quando era menino, na época do primário, quando aprendi a ler. Eu era muito curioso e lia tudo que tive acesso. A coleção do Monteiro Lobato, os contos de Andersen, Contos de Grimm, os 13 livros da coleção original do Tarzan, enfim, o que caia nas minhas mãos eu devorava. Depois, na adolescência, entrei numa fase bem diferente. Eu olhava os livros, lia as orelhas, porque era necessário ser um “intelectual” no meio que vivia. Mas, de verdade mesmo, eu lia super pouco. Mas, nessa época, li alguns livros que marcaram a minha vida. E, o A Desobediência Civil do Henry David Thoreau foi um deles. Não lembro mais como encontrei este livro, mas deve ter sido via o comentário de algum amigo mais velho e intelectual de verdade ou então de alguma critica feita em jornal ou revista, que era onde eu lia para manter a minha fama de bom leitor. Mas, lembro como se fosse hoje quando comecei a ler esse livro. Foi numa viagem de ônibus de São Paulo prá Ribeirão Preto. Como é um livro pequeno, li inteirinho na viagem. E, posso dizer que sai uma pessoa de São Paulo e cheguei outra em Ribeirão. A atualidade do texto, escrito em 1848, deixou-me transtornado. Era um manual inteligente, crítico e muito mais eficiente que toda a pregação dos hippies. Alias, descobri naquela época que Thoreau estava muito à frente do seu tempo e que já havia influenciado profundamente pessoas como Mahatma Gandhi, Leon Tolstoi, Martin Luther King, os hippies e tantos outros. Thoreau, desde sempre, lutou contra todas as formas de discriminação. Lutou contra a escravidão nos EUA, pelos direitos das mulheres, em defesa do meio-ambiente, contra a discriminação étnica e sexual. Além disso, era um pacifista radical (indo à raiz do problema) recusou-se a pagar impostos a um governo autoritário que fazia mais uma guerra predatória na qual roubou mais da metade do território mexicano – este ato radical de Desobediência Civil lhe custou um bom tempo na cadeia. http://www.culturabrasil.pro.br/desobedienciacivil.htm
Marilyn Monroe clicada em 1962 pelo fotógrafo Bert Stern, uma das imagens da exposição "Nude Visions - 150 Anos de Imagens de Corpos na Fotografia", em Munique
A exposição "Nude Visions - 150 Anos de Imagens de Corpos na Fotografia", em um museu de Munique, no sul da Alemanha, conta a história do nu artístico na fotografia através das décadas. Com cerca de 250 trabalhos de seu acervo, a mostra do Münchener Stadtmusem procura investigar os limites entre arte, sensualidade e pornografia. Aberta até dia 13 de setembro, a exposição é organizada cronologicamente, trazendo um panorama que vai de 1855 até 2005. As peças mais antigas são datadas do início da história da fotografia, na metade do século 19. Essas obras, entretanto, não tinham um fim artístico -- eram produzidas para servir de apoio ao estudo de pintores, desenhistas e escultores. Essas primeiras experiências, desenvolvidas dentro de ateliês, trazem pessoas em trajes históricos, em poses inspiradas em motivos da antiguidade e do renascimento e retratam tanto homens, como mulheres e crianças. Somente no começo do século 20 é que o gênero ganha vida própria, se transformando em obra de arte, com diversas correntes. Os anos 20 e 30 marcam o começo das experiências com perspectivas, distorções e ângulos mais arrojados. Os movimentos de vanguarda nos anos após a Primeira Guerra Mundial desconstruíram e fragmentaram o corpo humano através de exposições múltiplas e contrastes fortes de claro e escuro. Nas décadas posteriores, os retratos de nus foram ganhando o glamour, tomando as páginas de revistas de moda e conquistando estrelas de cinema. Uma imagem que já entrou na memória coletiva é a de uma lasciva Marilyn Monroe clicada em 1962 pela câmera do fotógrafo Bert Stern.
Não sei exatamente quando o Henfil fez este desenho, mas foi entre o final dos anos 60 e começo dos 70. Lembro, porque mandei emoldurar a página dupla do Pasquim, onde ele foi publicado pela primeira vez e, este quadro, me acompanhou por muitos anos. Hoje, 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, lembrei do desenho do Henfil e, fiquei pensando, sera que melhoramos nestes últimos 40 anos?
O artista espanhol Pablo Picasso é, sem duvida alguma, uma das figuras mais importantes do século XX. Picasso já é considerado um dos artistas plásticos mais importantes da história da humanidade. Ele trabalhou com pintura, escultura, artes gráficas e cerâmica, sempre trazendo o novo de forma criativa. Suas obras foram divididas em várias fases, Azul, Rosa, Cubismo. Em 1937, no auge da Guerra Civil Espanhola, Picasso pintou seu mural mais conhecido: Guernica. Esta obra já pertence ao expressionismo e mostra a violência e o massacre sofridos pela população da cidade de Guernica. Já com 87 anos, Picasso realiza diversas gravuras, retomando momentos da juventude. Nesta última fase de sua vida, ele viaja pela a alegria do circo, o teatro, as tradicionais touradas e muitas passagens marcadas pelo erotismo. Morreu em 1973 numa região perto de Cannes, na França.
Pensei muito antes de iniciar minha lida com este texto. Queria escrever sobre o centro da cidade, objetivamente, mas Ribeirão Preto é minha cidade e não é possível pensá-la sem mim. Como dizer do mercado municipal, o “mercadão”, sem sentir o cheiro de manhã de domingo e sem sentir a mão de meu pai tomando a minha mão para irmos até ele, a pé? Lá eu ganharia a maçã mais linda, a “da bruxa da Branca de Neve”, ou então um pedaço de melancia ou mesmo um copo de vitamina. Como dizer da Rua General Osório sem dizer dos sábados à noite, quando meu pai, minha mãe, meu irmão Maurício e eu íamos ver vitrines? Encontrávamos famílias fazendo o mesmo programa. Sabia de cada ladrilho das calçadas, dos luminosos e dos espelhos. Na subida, passeávamos pela direita até o Cine Centenário. Parávamos na Camisaria Affonso para meus pais avaliarem sua cria. Eles ficavam muito ali. Na volta, íamos admirar a fonte luminosa da praça XV, comprar pipoca, tomar sorvete nos Lanches Paulista, passear pela Lojas Realce, Chapelaria Olímpica.... O tempo passando, minha cidade se modernizando, e eu fui crescendo nas filas do cinema, comendo lanche nas Lojas Brasileiras, comprando LPs na Discolar, assistindo às missas da Catedral, visitando o Serv-Lev, o primeiro supermercado da cidade. Como não dizer da rádio PRA-7, sem falar que lá o papagaio do meu tio Sílvio ganhou um prêmio porque disse Tyressoles? Como não falar dos carnavais sem dizer das bisnagas com água que levávamos conosco para ver o carnaval de rua na General Osório e na Praça XV? Como dizer da biblioteca Altino Arantes e Padre Euclides, onde folheávamos livros e os líamos, sem mencionar o Seu Guerino, proprietário da Livraria A Acadêmica que, apaixonado pelos livros, ensinava-nos o prazer de abrir um deles e morrer de vontade de lê-lo? Como dizer de educação sem lembrar o Otoniel Motta e o Segundo Grupo, sem lembrar o Colégio Auxiliadora e o Santa Úrsula, sem lembrar a força dos professores e a seriedade dessas instituições, desde os tempos da saia pregueada e das meias três quartos? Como não dizer do jornalismo no tempo de Ribeirão com 100.0000 habitantes, sem mencionar o jornal A Cidade, o Diário de Notícias, O Diário, o Diário da Manhã, onde meu irmão André escrevia na coluna forense? Parafraseando Drummond, digo que ficou um pouco de mim no Cine Suez, onde dei meu primeiro beijo; um pouco de mim no Cine Centenário, onde, nos reclames iniciais, se apresentavam meu irmão Zé Carlos e Mário Lorenzato, fazendo propaganda da Camisaria Affonso; no Cine São Jorge, cuja instalação elétrica foi feita pelo tio Jairo e tio Nico; no Cine Pedro II, o “Pedrão”, que deixou de ser teatro para me deixar conhecer filmes como “2001, uma Odisséia no Espaço”. Estou nos prédios e os prédios estão em mim. Sempre soube da tese de que o espaço geográfico interfere na identidade do homem e ele, por sua vez, também interfere no espaço. Odisséia, de Homero, já apresentou Ulisses voltando a Ítaca, seu espaço, ele mesmo. Mas só hoje percebo isso de perto. Volto-me à minha Ribeirão e volto a mim mesma. Volto ao Centro e estou comigo. Texto de Fátima Chaguri publicado no Guia Centro de Ribeirão - Edição Jul 08
Em 1973, em Ribeirão Preto, nasceu um grupo de Teatro que apresentou, por muitos anos, uma única peça – Maranata. A peça foi escrita baseada no filme Godspel, que foi um grande sucesso no final dos anos 60 e, por sua vez, era baseado nos 4 evangelhos da Bíblia.
O Grupo de Teatro Casa de Cristo, usava a peça como uma forma de pregação. Em janeiro de 1974, o grupo alugou um ônibus e foi para o Sul do país chegando até no Uruguai, passando em mais de 50 cidades, sempre apresentando a peça e depois conversando e pregando a palavra de Deus para os espectadores.
Nessa foto, vemos a Rosangela Gumerato, Zé Maurício Cagno, Cláudio Bauso (Trupicão) e Airton Roque (Rosa Branca).
Era um bairro jovem e não muito grande, lá no alto da cidade. Talvez fosse um pouco maior, aqui e ali, do que hoje é o chamado Boulevard. Nas minhas primeiras lembranças aparecem poucas casas e muitos terrenos baldios repletos de multicoloridas flores do campo. Vacas e cavalos pastavam e a criançada solta brincava pelas ruas, nem sempre asfaltadas, onde automóvel passava só de vez em quando. Era pique, esconde-esconde, roda, passa-anel, salva-latinha, guerra, beijoabraçoapertodemão, bicicleta e tantas outras estripulias. O bairro tinha orgulho de suas árvores. Eram famosos os flamboyant da Marechal Deodoro. De vez em quando passava um louco, daqueles conhecidos que não fazem mal a ninguém, a não ser botar as crianças correndo para dentro de casa mortas de medo. O tempo passou, novas casas foram surgindo e ficamos jovens. Então começou a festa. Todo mundo ali se conhecia, se não pessoalmente, de vista com certeza. Sabia onde morava, estudava com um parente... Enfim, quase como uma grande família e, por incrível que pareça, era bastante divertido. Na Recra todo dia batíamos ponto e a moçada se encontrava na Avenida Nove de Julho, onde todas as tardes rolavam a paquera, as meninas bonitas, os carrões envenenados e a armação de festas e programas para a noite. Como o tempo não pára, o lugar foi crescendo, lojas substituindo casas de família e virou o Boulevard com seu comércio sofisticado, onde você encontra as melhores griffes da moda, o presente ideal, a decoração perfeita, os arranjos florais inesquecíveis, a sua agência de turismo, a boa gastronomia. Tudo isso veio confirmar a natureza de um bairro que nasceu para ser charmoso. Se me permitirem, sinto somente saudades da sombra das árvores que faziam bem mais agradáveis os passeios a pé pelas ruas ensolaradas. Texto de Bibi Junqueira publicado no Guia Sul de Ribeirão - Edição Dez 2007
Ribeirão foi a primeira cidade grande que conheci na vida. Eu tinha 10 anos e viera de uma das regiões mais pobres – miseráveis mesmo – do estado na década de 40: o vale do Paraíba. O centro de Ribeirão me deslumbrou. Fiquei fascinado com a praça XV, o Pedro II, a Esplanada, o Hotel Palace, o Edifício Diederichsen.... E as retretas, então, aos domingos, pela banda da então Força Pública – hoje Policia Militar – junto ao relógio da praça XV e aos pés daquele magnífico monumento ao Soldado de 32, em um gesto – graças a Deus simbólico – de atirar uma granada naquela obra histórica e artística que é o Theatro Pedro II. Quando mudamos para Rio Preto, na década de 50, tentei transferir o meu amor para o centro da cidade, tal como fizera com o de Ribeirão. Esforço inútil. O centro de Rio Preto me pareceu tacanho, medíocre, como é até hoje e nunca mudou. Já na imprensa, quantas vezes irritei os leitores com minhas comparações, sempre favoráveis a Ribeirão. Vinte e dois anos depois, voltei a morar e a trabalhar em Ribeirão. A velha Ribeirão continuara nos meus devaneios mas, é claro, já não era a mesma. Pelo menos não havia mais as retretas da Força Pública. O garboso maestro, que desfilava à frente da banda, já havia morrido. Mesmo assim, continuei a fazer do centro o meu “point” de lazer, meditação e interesse. Assessor do prefeito, eu o aborrecia pedindo providências contra o abandono da área central. O saudoso Antônio Duarte Nogueira achava isso “esquisitices do Albano” e falta de visão macro-política. Eu pensava diferente: ele é que não era visivelmente sensível para amar a praça como sempre a amei e continuo amando. É um amor que durará sempre. Por toda a minha vida. Texto de João Albano publicado no Guia Centro de Ribeirão - Edição Julho08
O Museu Magritte abriu suas portas ao público hoje, 02 de Junho, em Bruxelas para apresentar pela primeira vez a maior coleção do mais importante artista belga, referência mundial do movimento surrealista do século XX. Pintor, desenhista, escultor, fotógrafo e cineasta, René Magritte, nascido em 1898 em Lessines (Bélgica) e falecido em 1967 em Bruxelas, tem a partir de agora um espaço que lhe é dedicado em exclusividade na cidade onde viveu a maior parte da sua vida. O novo museu ocupa um edifício antigo de uma zona central de Bruxelas e tem cerca de 250 obras numa área de 2.500 metros quadrados.
Luís Vaz de Camões presume-se tenha nascido em Lisboa por volta de 1524, de uma família do Norte (Chaves). Viveu algum tempo em Coimbra onde, segundo consta, freqüentou aulas de Humanidades no Mosteiro de Santa Cruz onde tinha um tio padre. Regressou a Lisboa, levando aí uma vida de boemia. Em 1553, depois de ter sido preso devido a uma briga, parte para a Índia. Fixou-se na cidade de Goa onde escreveu, de acordo com seus estudiosos, grande parte da sua obra. Regressa a Portugal em 1569, pobre e doente, conseguindo publicar Os Lusíadas em 1572 graças à influência de alguns amigos junto do rei D. Sebastião. Faleceu em Lisboa no dia 10 de junho de 1580. É considerado o maior poeta português, situando-se a sua obra entre o Classicismo e o Maneirismo. Obras: "Os Lusíadas" (1572), "Rimas" (1595), "El-Rei Seleuco" (1587), "Auto de Filodemo" (1587) e "Anfitriões" (1587).
Estou inaugurando a Minha Galeria. Nela, vou colocar fotos de familiares, amigos, companheiros, escritores, poetas, pintores, enfim, pessoas que, por algum motivo, foram importante ao longo da minha caminhada.
Gilberto Alves Baptista - GIBA 23/12/1923 - 20/07/2009
Meu pai, meu amigo, meu herói. Seu Gilberto me ensinou a amar a vida e respeitar a todos indistintamente.
Francisca Maria Aparecida Mauro Baptista - Mariinha 08/10/1922 - 04/08/2006
Minha mãe, uma católica praticante. Foi quem me ensinou a levantar, todos os dias, e agradecer a Deus.
Rosa Alves Baptista - Dona Rosinha 27/05/1891 - 06/05/1985
Minha avó paterna, a melhor contadora de estórias do mundo. E fazia um café com leite delicioso.
José Bento Renato Monteiro Lobato 18/04/1882 - 04 /07/1948
Com o livro Reinações de Narizinho descobri o prazer de ler e com Monteiro Lobato aprendi a sonhar.
PABLO PICASSO 25/11/1881 - 08/04/1973
Quando vi o quadro Guernica, pela primeira vez, senti o que é arte e gostei pra sempre!
Stan Laurel - 16/06/1890 - 23/02/1965 & Oliver Hardy - 18/01/1892 - 07/08/1957
Porque rir do que é engraçado faz bem e é bom a vida toda!