quinta-feira, 29 de abril de 2010

Casa de Cristo

Sentados, Diô (Dionísio) Lu (Luiz Otávio Bauso) Toninho (Antonio Achê Sobrinho), no chão, José Carlos Faciolli, Rosana Zaidan e Vera Helena Conrado. Na parede, no centro, o quadro do palhaço, foi feito por mim e doado à Casa.
Essa foto é um belo documento, sobre a famosa Casa de Cristo, no ano de 1972, há exatos 38 anos.
Localizada na Rua Álvaro Costa Couto, antiga Rua das Paineiras e, por uns 10 anos, a rua da Casa de Cristo. Ali, um grupo de jovens que se intitulavam cristãos, na sua grande e expressiva maioria, menores de 18 anos, eram liderados por Dirceu Biason, que na época havia deixado a Igreja Batista Livre, se não me engano. Dirceu também um jovem, com no máximo 24, 25 anos, e com idéias interessantes sobre a Fé, Esperança e Novidade de Vida, uniu-se a esses jovens para criar uma igreja de acordo com a época.
O mundo fervia com os hippies, as comunidades onde moravam homens, mulheres e crianças. Projetos alternativos eram a moda em todos as áreas. Nos EUA já existiam grupos como os Jesus People, que moravam em comunidade, vestiam-se como hippies e pregavam a palavra de Jesus Cristo como a única saída.
A casa, foi alugada com ajuda do pai de um dos garotos e de um médico evangélico. Logo, o pequeno grupo fez um jantar com ajuda de outra família e, com o dinheiro arrecadado, foram feito sofás com caixas de bacalhau (onde estão sentados o pessoal da foto), com almofadas, confeccionadas pelas moças. Alguns trouxeram quadros, posters, cadeiras velhas, mesas, colchão, enfim, em pouco tempo a casa foi tomando forma e identidade.
A frente da casa tinha uma pequena grade baixa, com um jardim curtinho e uma grande vidraça, que devassava toda a sala, o principal lugar onde todos ficavam. As portas eram abertas para os convidados, religiosos, ateus, curiosos, pensadores, professores, pais, filhos, alunos e desocupados.
Ali, num espaço de 6 meses, aconteceu uma das ações mais interessantes que acompanhei na minha vida. O Dirceu casou com a Adélia, e os dois foram de lua de mel para os Estados Unidos.
Nesse período, sem lideres, sem conhecimento, sem formas, regras, ou o que você quiser pensar, um bando, de no máximo 30 jovens, os mais velhos com 18 anos, tornaram-se 300.
Eram jovens inteligentes, que liam a bíblia e queriam mudar o mundo pela pregação da palavra. Na sua grande maioria eram bons estudantes, filhos de família de classe média, sem grandes preocupações.
Em pouco tempo, nasceu um grupo de músicos, outro de teatro e assim, as pessoas iam surgindo de todos os cantos e eles iam se multiplicando.
A casa fervia desde cedo. E já existiam grupos que ajudavam nas favelas, cadeia pública, hospitais, creches e etc. Para poderem se locomover e levar comida e remédios para quem precisava, eles trabalhavam, entregando jornal, lavando carro ou fazendo jardim.
Em pouco tempo, aos domingos, as reuniões ficavam tão cheias, que as pessoas precisavam ficar na calçada para acompanhar.
Hoje, quase 40 anos depois, o pessoal da Casa de Cristo ainda é identificado e, entre eles, existem juízes, advogados, médicos, jornalistas, arquitetos, engenheiros, empresários, músicos e muita gente boa.
Lau Baptista

2 comentários:

  1. Oi, Lau!

    Eu estive aí nesta Casa de Cristo em 1973, quando os americanos do Jesus People estiveram em Ribeirão pela primeira vez! Fui como intérprete deles!

    Inclusive fui batizada em um lago em Jaboticabal!

    Ah, e morei na mesma casa (Mr. Tygert) que Dirceu e Adélia na Pensilvânia!

    Muito bom ler teu texto! Estas memórias não podem morrer!

    Um abraço,

    Neli

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  2. Marcio Barbosa Tango8 de abril de 2011 00:49

    Oi Lau.

    É o Marcio Tango de novo. Fiquei na casa por uns 2 anos e garanto a você. Se tivéssemos hoje um grupo motivado como este. Nossa amada RP seria transformada em pouco tempo com estas ações de amor e assistência. Até ouso dizer, que há muitos destes soldados adormecidos ainda hoje em nosso meio.O número 300 é sugestivo, porque não?. Os 300 de Esparta!. Que lutaram bravamente e quase derrotaram um exército muitíssimo mais numeroso do que eles. Mas se você lembrar, foram vencidos por um inimigo bem próximo deles. É uma pena. mas fica aqui o registro de um tempo, que não sai de nossa memória.

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