sábado, 15 de agosto de 2009

Woodstock Novamente


No dia 12, quando falei sobre o Festival de Woodstock, escolhi essa foto, que foi utilizada na capa do disco de Woodstock e tornou-se um símbolo do evento. Fiquei pensando onde andaria esse casal. Ontem, lendo o G1, encontrei a resposta.
Nick e Bobbi Ercoline, esses são os nomes dos dois personagens que estão juntos até hoje, e moram perto de Bethel onde aconteceu o festival.
“Acho que a nossa foto resume bem a ocasião. Ela simboliza todo o evento por traduzir a paz que reinava por lá. É uma foto de um casal de jovens, que estavam cansados e molhados, mas também calmos, em paz e profundamente apaixonados", lembra Nick, em entrevista ao G1 por telefone. "E estamos juntos até hoje. Você pode nos ver na rua andando de mãos dadas e nos beijando. Não mudou nada, ainda somos daquele jeito.”
Bom gente, prometo que não falarei mais de Woodstock. Vejam abaixo o casal 40 anos depois, ainda abraçados.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

O Postal do Mateus


Este cartão postal tem aproximadamente 15 anos. Foi feito para o meu filho Mateus no auge da sua adolescência. Lembro que achei essa frase numa revista que estava lendo no barbeiro, provavelmente uma Caras da vida. Imediatamente eu me lembrei do meu filho adolescente e dessa imagem de palhaço que tinha em meus arquivos. Ele já foi impresso no final do século passado e sempre fez sucesso.

O Cartaz de Woodstock


40 anos depois o cartaz de Woodstock é mais atual do que nunca. Simples, objetivo e com um charme indiscutível. Dizem que a primeira versão era a de um pássaro pousado em uma flauta. Só depois de muita conversa é que resolveram usar uma pomba no braço de um violão, por causa da guerra do Vietnã. Ta aí, mais uma peça publicitária que gostaria de ter feito.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

A Verdade do Místico Medieval Angelus Silésius


Se, no teu centro um Paraíso
não puderes encontrar,
não existe chance alguma de,
algum dia, nele entrar.

Marat, na Revolução Francesa


“nada será legitimamente
teu, enquanto a outrem
faltar o necessário”.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Woodstock Music & Art Fair


O ano de 1969, em agosto, nos dias 15,16 e 17, há 40 anos, em Bethel no estado de NY, nos E.U.A., aconteceu o Festival de Woodstock. O nome oficial foi Woodstock Music & Art Fair, com subtítulo de "Primeira Exposição Aquariana". Seu slogan "três dias de paz e música" logo foi modificado para "três dias de paz e amor".
O ano de 1968 tinha sido intenso, marcado por movimentos jovens em todo o mundo. Na França, o maio de 68 ficou marcado para a história. Por tudo isso, acredito que o Festival de Woodstock foi um marco oficializando que o mundo não seria mais o mesmo depois daqueles dias, fato que acabou se concretizando.
Woodstock custou basicamente de 2 a 3 milhões de dólares e foi patrocinado por quatro jovens homens: John Roberts, Joel Rosenman, Artie Kornfeld e Michael Lang. Até hoje, os 4 fundadores discordam quanto a quem propôs a idéia original do festival.
Foram mais de 450 mil pessoas, durante quase 4 dias, no meio de uma fazenda com muita lama e pouca infra-estrutura que se tornou uma mini-nação da contra-cultura. Terminou na segunda-feira dia 18 de agosto com um dos maiores engarrafamentos da história do Estado de Nova Iorque.

Assisti ao filme "Woodstock" de Michael Wadleigh nos anos 70 no cine Plaza em Ribeirão Preto. E, nós, os jovens da época aqui no Brasil, íamos ao cinema como se estivéssemos indo ao Festival. As imagens de Jimi Hendrix fechando o festival na manhã de segunda-feira com a sua guitarra fazendo sons de bombas, aviões, explosões, rajadas de metralhadoras e tocando o hino nacional americano é das coisas mais emocionantes a que assisti. Ele conta com música e sons a história de um americano que é convocado a lutar pela pátria, morre na guerra do Vietnan e volta a seu país num caixão. Andei por muito tempo com uma fita cassete que tinha essa gravação e adorava colocar para que as pessoas pudessem ouvir aquela história sem texto.
Este ano, quando o festival completa 40 anos, foi inaugurado na mesma fazenda no condado de Sullivan, norte de NY, em Bethel, o museu Woodstock, onde você pode assistir às imagens dos shows em grandes telões e ver os carros psicodelicos e relembrar as loucuras da época.
Vejam as bandas e artistas que estiveram se apresentando no festival: Joan Baez, Arlo Guthrie, Tim Hardin, Incredible String Band, Ravi Shankar, Richie Havens, Sly & the Family Stone, Bert Sommer, Sweetwater, Quill , The Who, Canned Heat, Creedence Clearwater Revival, Jefferson Airplane, The Grateful Dead , The Keef Hartley Band,
Blood, Sweat and Tears, Crosby, Stills & Nash (& Young) , Santana, The Band, Ten Years After, Johnny Winter, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Joe Cocker, Mountain, Melaine, Sha-Na-Na, John Sebastian, Country Joe and The Fish, The Paul Butterfield Blues Band.

Cachorro Louco e Kaxaça no Traço de Mutarelli


O escritor, desenhista, quadrinista, diretor de cinema, roteirista, ator e paulistano Lourenço Mutarelli é um artista completo, com uma criatividade pulsante que faz dele uma figura rara neste mundo das artes. Há poucos anos, seu trabalho ficou famoso com a realização do filme "O Cheiro do Ralo" que ganhou vários prêmios e bateu recordes de bilheteria.
Acima, você vê um desenho realizado em nanquim, da série que ele fez em forma de diário para a revista Piauí, onde retratou um mês de sua vida.
O trabalho ficou belíssimo e, escolhi este desenho porque foi feito aqui em Ribeirão com essas grandes figuras; Fernando Kaxaça e Ademar Cachorro Louco Cardoso da Silva.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Concurso Online do Site Worth1000


O objetivo foi claro, criar imagens fundindo animais e frutas. O site recebeu dezenas de inscrições e teve trabalho para escolher as melhores imagens. Veja que belos resultados.
http://www.worth1000.com/

Jornalistas & CIa.


Gente, este é um Blog especial. Descobri hoje e já passei horas lendo sobre os grandes jornalistas do país. Tem perfil com entrevista de José Hamilton Ribeiro, Ricardo Kotscho, Mino Carta, Zuenir Ventura e, muitos outros, além de matérias especiais, comentários e notícias. É mais um Blog que merece estar no seu Favoritos.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Meu Amigo Saranti Sarantopoulos


Este desenho foi feito em 2004. É o meu primeiro trabalho direto no computador, uma mistura de CorelDRAW com Photoshop sem qualquer orientação.

Carlos Drummond de Andrade


A vida é bailarina...
nenhum ponto inerte
altera o viravoltear
das coisas.

Sêneca


Não há vento favorável
pra quem não sabe onde ir.

sábado, 8 de agosto de 2009

Charlie Chaplin Um Artista Completo


Não existe como contar a história do cinema sem abrir um capítulo especial para Charlie Chaplin. Neste pequeno esquete, onde ele fica preso dentro de uma jaula de circo com o leão, podemos ver a sua capacidade de comunicar-se com o público, por intermédio da câmera de cinema, como poucos artistas.

Clarice Lispector


“As pessoas felizes não
têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que
aparecem em seus caminhos.”

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Uma Bela Peça Publicitária para TV


Sou um admirador da beleza. E, na publicidade, mais ainda. Acho que todo mundo que já pensou um pouco sobre a publicidade e propaganda ficou em dúvida sobre os benefícios e malefícios dessa arte que se desenvolveu no século passado.
Por este motivo, acho as peças mais belas aquelas que, em primeiro lugar, são universais, por isso, não precisam de textos, falas. Segundo, elas podem servir a uma gama grande de clientes. Esta peça é exatamente isso, sem tirar nem por. Quem assina é um determinado chocolate, mas poderia ser uma grande infinidade de marcas. Assistam e me digam se não tenho razão.

A Loja das Memórias

Minhas lembranças de infância, adolescência e vida adulta, fatalmente passam pelas Americanas. Eu me lembro de ter vindo passear em Ribeirão, com oito anos de idade, ainda morava em Tambaú, ter visto uma bola na loja, ter ficado bravo com meu pai porque ele não adivinhou que eu queria a bola e ter fugido da família e me perdido na imensa metrópolis que visitava. Deu polícia e tudo, mas acabei me achando e voltando para a pensão em que meus pais estavam. Depois, já morando aqui, um dos meus melhores aniversários foi um em que a Vera, amiga da família, me levou até as lojas e disse que eu poderia escolher o que quisesse para comer. Escolhi um cheese burger, uma banana split e uma coca-cola. Impossível esquecer os papeizinhos enrolados e espetados no abacaxi de isopor e guache que davam descontos de até 100% no hula-hula. Impossível esquecer o frio do sorvete morango-chocolate-creme-flocos-coco misturado ao não-tão frio chantilly e à surpresa de textura e temperatura do cubinho de gelatina vermelha que adornava a taça escolhida. Só lá, naquela época, tinha essas delícias geladas. Só lá tinha o L.A.S.A., sanduíche feito no pão de forma, cortado em quatro triângulos eqüiláteros e montados em pé, como uma pirâmide asteca rodeada por batatas chips. Lembro de, na adolescência, tentar furtar alguma coisa, uma bala, para ver se escapava vivo dessa grande aventura das histórias propagadas aos quatro cantos de um banheiro (ou salinha) escuro onde adôlas abusados podiam ser torturados por seguranças implacáveis que tinham em si refletido o regime totalitário que rolava nas ruas da época.
Em 1989, também me lembro muito bem, comecei a alimentar minha vasta coleção de cds, com as ofertas das Americanas. Naqueles tempos, o mercado não estava tão pasteurizado e você podia encontrar pequenos tesouros musicais por lá. Um duplo do Fred Astaire, acompanhado de um trio clássico piano-baixo-bateria de jazz. O Sandinista do The Clash, a trilha do Manhattan do Woody Allen, que eu vi, mas perdi. Posso dizer que, pelo menos uns sessenta por cento dos meus pra lá de mil cds, vieram de lá. Eu freqüentava tanto as lojas, nesse período, que era amigo dos vendedores e vendedoras da seção de cds. Acompanho até hoje a trajetória de alguns por outras lojas. Tinha a Creusa, gerente da seção que me avisava quando ia ter promoção. O Eduardo, que foi parar na C&C. Uma vez me chamaram para conversar para que eu fosse o “cliente X”, fiquei orgulhoso do convite. Minha missão era comprar na loja e avaliar, secretamente, o atendimento. Até tentei, mas desisti, e entreguei o cargo, já que me sentia traindo os amiguinhos vendedores. Foi lá que eu andei de escada rolante pela primeira vez. Era lá que tinha o hot-dog com o melhor molho de cebola, tomate e pimentão de Ribeirão.
Foi de lá, também, que veio grande parte dos bonequinhos de filmes e desenhos animados de minha outra coleção. E é lá que, sempre que vou ao centro, dou uma passadinha. Nem se for só para lembrar de tudo que me fez feliz, lá.
Texto de Cleido Vasconcelos publicado no Guia Centro de Ribeirão - Edição Março 07

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Cartão Postal de Abrir

O texto é do Geraldo Hasse a arte minha

Ao abrir

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Pátria Publicidade


Na terça-feira, dia 4, na Folha de São Paulo, na capa da Ilustrada, encontrei uma bela peça publicitária, daquelas que a gente fica com raiva de não ser o autor. Separei o caderno dos outros, olhei com mais calma, aproximei-a dos olhos, distancieio jornal e deliciei-me.
Meia página com uma bela margem, sem título, sem texto, só vários lápis alinhados. Os lápis todos iguais, do mesmo tamanho e com grafite preto. Todos pretos, um único é vermelho. Ao aproximar os olhos, você repara que no lápis vermelho está escrito Colégio Bandeirantes.
Hoje, quarta-feira, dia 5, na mesma Folha, na mesma capa da Ilustrada, a segunda peça. Desta vez, só dois lápis vermelhos. O da direita, o mesmo do anúncio anterior, com o nome Colégio Bandeirantes. O da esquerda, não tem nada escrito. Embaixo, em caracteres pequenos, a seguinte frase: O aluno aprende a ver os dois lados.
Não resisti. Fui ao Google e localizei a Pátria Publicidade, a agência responsável por essa bela campanha, composta por 7 peças. Eles são de São Paulo, do bairro de Pinheiros, da rua Diogo Moreira, 132, 5º andar - Tel: (11) 3032 9003. http://www.patria.ppg.br/

Ao Som de Tim Maia

A capa, cartão fechado

Ao abrir

terça-feira, 4 de agosto de 2009

SOM & FURIA


No mês de julho a Globo e a O2 Filmes de Fernando Meirelles nos presentearam com a minissérie Som & Fúria. É uma adaptação da série canadense Slings and Arrows, que mostra os desafios de um grupo de teatro shakesperiano para manter a qualidade artística de seu trabalho em contraste com as exigências comerciais e de público.
Com ironia e bom humor, questões pessoais e profissionais entram em conflito, criando tramas e dramas entre atores, diretores e patrocinadores.
A montagem de Fernando Meirelles ficou acima do esperado. Fotografia, textos, atores, direção, tudo muito bem cuidado, tendo o Teatro Municipal de São Paulo como a grande locação.
Fernando Meirelles conheceu Slings and Arrows quando rodava Ensaio Sobre a Cegueira. O filme conta com a atriz Martha Burns e produção de Niv Fichman, Sari Friedland e Aeschylus Poulos – que também participaram da série canadense. Eles comentaram sobre a atração e deram ao diretor os DVDs para assistir.
Segundo Meirelles, ele se apaixonou pela produção logo nos primeiros minutos de história. Entusiasmado, comprou os direitos para uma adaptação.
Dan Stulbach, Gero Camilo, Daniel de Oliveira, Rodrigo Santoro, Regina Casé, Andréa Beltrão, Pedro Paulo Rangel, Maria Flor, Chris Couto, Débora Falabella, Felipe Camargo, Lígia Cortez, Paulo Betti, Cecilia Homem de Melo, Antônio Fragoso, Ique Gomez, Nico Nicolaiewsky (da banda Tangos e Tragédias), Maria Helena Chiara, Liana Naomi e Juliano Cazarré estão no elenco de Som & Fúria.
Agora, vamos torcer para que logo saia em DVD para que possamos rever essa obra de arte.

Affonso Romano de Sant´anna


O que Foi, É

Suba que o preço desce. Lá ia o Amigo da Onça, galgando a escada. Descia, com uma bolsa de dinheiro na mão. Em néon. Na vitrine, cerejas, figos, damasco, pêssegos, maravilhas da Grécia, da Turqueia e doces árabes – tudo o que o menino pobre engolia com os olhos e nunca comeu. O sabor, no entanto, adoça-me a lembrança, e hoje, nenhuma fruta exótica se iguala aquelas nunca provadas da Chapelaria Olympica.
Depois de salivar na vitrine da Olympica, subia a General Osório. Parava na esquina do Lanches Paulista para olhar os ricos, qtenha existido. Então, vislumbra outras delícias, naquela bomboneria do PEdroII, que tinha os menininhos beijoqueiros. Mas ali não parava, mal via o Alfredo Engraxate lustrando os sapatos do Osvaldo de Abreu Sampaio, o Careca, dono dos cinemas, eterno candidato a prefeito, ou o doutor Luisinho Gomes de Matos, para chegar ao meu destino – o Pirata.
Esquecia-me até de conferir o cartaz do Flash Gordon, anunciando a aventura insuperável da manhã domingueira. Queria ver o Pirata da Perna de Pau, da Tabacaria Sampaio. Que carinha sacana! As bochechas rosadas, lenço no pescoço, camisa quadriculada, como um caubói fora do lugar, na boca um sorriso eterno, parecido ao Mad, um furinho entre os lábios, para se encaixar o cigarro. A cabeça balangava de um lado para outro.
Meu Deus! Quando o velho Sampaio estava de bom humor punha um cigarro acesso na boca do Pirata. E sei lá como, ele tragava! E soltava a fumaça que embaçava a vitrine. De repente, alguém encostado em mim. Era outro garoto, fascinado como todos, vendo o Pirata balangar a cabeça, soltar fumaça. O velho Sampaio nos dava uma bala.
Essa é a cidade que foi. Onde andará o Pirata? Ao desativar tabacaria o velho Sampaio o guardou? Ou o pirata desapareceu como os sonhos dessa cidade que já não é?
Texto de Júlio José Chiavenato publicado no Guia Centro de Ribeirão - Edição Março 07

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Coisa de Cinema na Praça XV

Lá pelo começo dos anos 50 (do século 20...) um programa da gente era passear na Praça XV. Para nós, estudantes de fora, a praça era uma referência. Primeiro pelo cinema, ali colado. Segundo (e principalmente) porque era ponto de "footing" (e a gente podia ver ali, desfilando, mimosas flores.
Nos filmes não havia, então, nada melhor que Ingrid Bergman. Em "Por Quem os Sinos Dobram", a sueca, de cabelo cortado rente, estava divina, e freqüentava os sonhos de cada um de nós.
Na praça, a rainha do mel era uma menina também de cabelos curto, e que usava uma sandália cujas tiras se enrolavam canela acima até bem perto do joelho. Não havia quem não imaginasse aquelas tiras, se continuassem território acima, onde é que iriam dar. Sem saber seu nome a gente se referia a ela como "Ingridinha" .
Meus pensamentos de calçada, nessa época, eram um que ia estudar Medicina, e um outro que tinha inclinação mais para negócios. Os três babavam pela Ingridinha e cada um procurava, nos dias de semana, saber coisas sobre ela, na esperança de uma apresentação, um encontro. Acabamos sabendo que ela era filha de um professor de faculdade, e irmã de um colega nosso do Otoniel Mota, o que, teoricamente, tornava possíveis nossos mais maravilhosos sonhos.
A coisa estava nesse pé quando chegou o tempo de férias, cada um seguiu para sua cidade e, na volta, o tempo já tinha andado, surgiram namoradas, Ingridinha saiu provisoriamente do repertório.
Penso, porem, que ninguém se esqueceu dela. Hoje, mais de meio século depois, não posso conferir a informação com o colega que virou médico; ele morreu, num acidente no mar. O outro entrou para o mundo financeiro, deve ter ficado rico, sumiu.
Dias atrás, por um desses atalhos da vida, fiquei sabendo da Ingridinha. Hoje uma senhora, talvez avó de muitos netos, mas segundo me disseram, ainda garbosa, bonitona.
Coisas de cinema.
Texto de José Hamilton Ribeiro publicado no Guia Centro de Ribeirão - Edição Março 07

Obrigado, obrigado, obrigado!


A gratidão é um dos sentimentos que mais nos libertam.

domingo, 2 de agosto de 2009

Um Tema Sempre Atual no Brasil


Essa arte para camiseta foi feita há muitos anos. Não sei precisar, mas posso garantir que foi há mais de 10 anos. O tema, "o mar de lama" vem desde a época do império, foi tema de Campanhã do Getúlio Vargas no seu retorno a presidência e dizem que foi o motivo de seu suicídio.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

A Comunicação mudou. Que Bom!

Gente, vejam que maravilha este texto! Encontrei no blog Balaio do Kotscho, que já recomendei aqui. "Mundo bão, sô!" é uma crônica do Simei de Almeida, uma figura especial que já morou em Ribeirão Preto. Há 25 anos ele mora na região amazônica, no Acre, onde exerce a atividade de micro empresário e micro pecuarista, além do ofício de escritor amador pelo prazer de escrever.
Mundo bão, sô!
Existem dois mundos: o mundo de quem gosta de agitação, corre-corre, buzinações, gás carbônico, diferente do mundo dos “oi sô”. Nada sou contra quem gosta de ficar em cima de um viaduto vendo a sintonia dos carros se movimentando, frenagem por igual, uma fila vai e outra vem. Chega ser contagiante ver a habilidade dos condutores dos veículos e motociclistas fazerem suas obrigações na condução de suas respectivas máquinas, às vezes até inconscientes do que estão fazendo, conduzindo seus carros por vias super movimentadas pela praticidade do dia-a-dia. Já fazem a condução pelo seu subconsciente pelo hábito de quem faz aquilo todos os dias.
Grandes metrópoles, progresso, grandes executivos, oferta de consumo e vítimas do consumo. Alberto vai trabalhar, sai de casa as 04:00 horas da manhã para pegar o ônibus e depois o metrô. É possível que chegue ao trabalho lá pelas 07:00h. Antes de sair ele vai à cama de sua Aninha, sua filhinha, e lhe dá cheiro, ela ainda dormindo.
Alberto, devido seu computador ainda ser um Pentium ele trocou por um Dual Core, mais uma promoção de uma TV de LCD de 32 polegadas nas Casas Bahia, tem que fazer umas horas extras para ajudar no pagamento das prestações do Dual Core e da TV LCD. Depois da hora extra, mais metrô, mais ônibus. Alberto chega em casa lá pelas 22:00h. Sua filhinha já está dormindo. Nesse corre-corre, talvez Alberto a verá acordada para lhe dar um abraço e um cheiro somente no final de semana.
E assim é a mesma coisa para João, Dna. Marta, Dna. Francielli e tantos Antónios. Pô, mais tem uma coisa boa nisso tudo! Num domingão Alberto pode ficar em frente da TV LCD de 32” para assistir estes programas de palco que rolam nas telinhas. Uma pessoa que vem de fora, não adianta pedir informação pro Alberto no meio da rua. Ele tem muita pressa para chegar no trabalho ou fazer uns afazeres fora dele. Se pedir informação, talvez a receberá. Mas começa a ouví-la numa esquina e acaba de ouví-la na outra esquina, não dá para dar informação parado!
Vou à casa do Alberto e pergunto:
_ Você sabe onde mora o Sr. Custódio?
– Sei não, seu moço, vai aí no vizinho e pergunta!
Vou na casa do vizinho e pergunto:
_ Você sabe onde mora o Custódio?
– Custódio do quê?
– Custódio de Mato Arruda!
– Sou eu mesmo moço…. O Alberto não conhece o vizinho.
Nas cidadezinhas, lá nos Rincão do Brasil, a coisa é bem diferente. Sai-se na rua para resolver determinado assunto que você faria em trinta minutos, e você acaba gastando três horas para resolvê-lo. Não há contentamento em apenas dizer: boa tarde “Seu Jão”, como tem passado? Não, o problema é perguntar como tem passado. Porque o Seu Jão vai lhe dizer como está passando, ali vai um tempão. Mais na frente, oi Dona Crotilde, mais na frente, Dona Esmeralda……quanto tempo…..como está Seu Firmino? Vai ali mais um bom tempo.
Sair pela rua principal da cidade é outro problema. De taberna em taberna, o proprietário lhe chama….Vem tomá um cafezinho moço! De comércio em comércio, você daqui apouco está esturricado de tomar cafezinho. Cafezinho você não nega, é falta de educação. Vizinho você não só o conhece, você sabe literalmente da vida dele. Se o seu vizinho do outra lado da cidade der “uma puladinha de cerca” você saberá, com certeza saberá. Soltar gases é outro problema, tem que ser o mais discreto possível, se não a cidade ouve.
Político em cidade pequena tem que ser muito “cara-de-pau” ou ser muito transparente, pois o contato com o famigerado eleitor é comum nas ruas. O cabra não tem por onde escapar ou ficar no anonimato, o corpo a corpo é diário, e não é só em épocas de eleição.
Que bom, que bom, você na área rural poder pisar literalmente na bosta da vaca, sentir o cheiro da terra molhada, ouvir o gorjear dos pássaros e ouvir os gritos dos vaqueiros, ver carros fazerem malabarismo em estradas de barro. Dá diversidade, se vê algo contagiante. Bicho de pé também é bom. Bicho de pé não é chato, Bicho de pé dá no pé. “Chato dá noutro canto”, esse é chato pra dedéu.
Cidade pequena tem lá seus problemas, vizinho chato é um caso sério. Sei de uma história de um cabra que processou seu vizinho porque o galo dele cantava muito cedo e o acordava. Como ninguém processa galo, processou o dono do galo. Ainda bem que existem grandes metrópoles, lá tudo se produz. O que seria se não tivesse quem não gostasse de buzinações, ônibus e metrô lotados, congestionamento, fábrica contratando para turno diurno e noturno. Se não existissem os Albertos, o que seria dos Jãos? O que seria de nóis, se não existissem vocês!
Voce vai saber mais sobre o Simei no seu Blog:
http://www.somosdaselva.blogspot.com/

A LEI ANTIFUMO ESTÁ CHEGANDO

Já fui fumante. Deixei de ser fumante há 5 anos. Não sou defensor do fumo ou de qualquer tipo de vício, mas, acho um absurdo essa onda que assolou o mundo e, em especial o Brasil, com relação ao cigarro. É uma campanha, na minha maneira de enxergar, completamente autoritária e violenta.
Colocar limites, cuidar da saúde, proteger as crianças, acho importante e até fundamental. Agora, da maneira que estão fazendo, pode ser que um dia, vamos ver nossos netos e bisnetos fumando cigarro como se fuma crack nas ruas de São Paulo.
No Brasil, qualquer lojinha de 1,99 vende um gorózinho (uma pequena embalagem plástica de pinga), mas nunca vi nenhum comentário, nem dos políticos e nem dos jornalistas. E olha, o número de viciados é muito maior e causa problemas muito mais sério.
Agora, como não sou escritor, transcrevo abaixo o melhor artigo que li sobre o assunto. Foi escrito em maio de 2002 pelo jornalista Jardel Sebba para a Revista Super Interessante - Edição 176. Alguma das coisas que ele previa na época já aconteceram.

SUPER polêmica
Idéias que desafiam o senso comum
LIBERDADE. UM RARO PRAZER

Eu fumo, com muito prazer. Há 12 anos, o cigarro é parte fundamental do meu dia. Minhas pequenas rotinas só estão completas depois de algumas baforadas. Não tenho a menor vontade de parar de fumar. O cigarro me concentra, me acalma, me faz companhia, me consola e alivia a minha tensão. Fumar é um prazer. Um prazer destrutivo, inútil e arriscado, alguém há de apontar. Sim, como só os grandes prazeres da vida podem ser. Como caminhar pela cidade de madrugada ou amar uma mulher. Não existe prazer sem risco.
Eu sustento o meu vício, pago meus impostos e consumo um produto legal, regulamentado e taxado. Mas sou tratado como um cidadão de segunda classe em função de um patrulhamento humilhante e abusivo que avança justamente sobre duas coisas que me são tão caras: o cigarro e, em especial, o direito a uma vida menos chata e sem graça. Nos últimos anos, essa esquadra dos bons hábitos transformou o mundo num lugar insuportável. É proibido fumar no avião. É proibido fumar no restaurante. Os maços de cigarro vêm com aquelas imagens ameaçando: “Se você fumar, eu te pego lá fora”. Basta! Hoje eles proíbem o cigarro, amanhã vão querer banir o açúcar, o café, o doce de coco, a Fanta Uva, o cine prive dos motéis, até o dia em que todo mundo vai acordar tomando açaí na tigela e fazendo 50 abdominais. Viver mais, assim, para quê? Posso ser acusado de ser um idiota sujeito a câncer de boca e de pulmão, mau hálito, perca dos dentes e impotência sexual. Mas alguém que preza, acima de tudo, o direito de ser idiota que quiser ser.
A fumaça do meu cigarro incomoda. Mas esse não pode ser um argumento definitivo para que o direito alheio prevaleça sobre o meu. Isso não pode servir para justificar a intolerância, porque há uma convivência possível entre as partes que exige apenas um ambiente arejado e boas doses de bom senso. Se o meu cigarro incomoda, há uma série de coisas que também não me agradam muito, como pessoas que falam sem parar, axé music ou mulheres vestidas em desacordo com a sua faixa etária. Mas parto do pressuposto de que somos adultos o suficiente para sermos ridículos cada qual à sua maneira, falando sem parar, requebrando de modo frenético atrás de um trio elétrico, ou se vestindo de forma caricata. Ou fumando.
“Crianças começam fumar ao verem os adultos fumando.” É verdade. Mas crianças também começam agredir quando vêem os adultos agredindo e a beber quando vêem adultos bebendo. Seria o caso de confinar a realidade que não nos agrada num fumódromo do lado de fora? Ou de educar nossos filhos apropriadamente, para que eles olhem o mundo com o devido juízo de valor. A responsabilidade pelo discernimento do que é certo ou errado das crianças que começam a fumar é de seus respectivos pais. Não é minha, nem da Souza Cruz ou da Phillip Morris. Pouco me importa, sim, a compreensão que ele vai ter de valores como a tolerância e o convívio com as diferenças. Tão em falta em hordas antitabagistas.
Nas propagandas de cigarro enganam o consumidor. A lei n 10.167, de dezembro de 2.000, proíbe a propaganda de cigarro, mesmo sendo este um produto legal. Supostamente para evitar a má influência dessas peças publicitárias sobre os mais jovens. Seguindo esse raciocínio brilhante, seria importante prestar alguns esclarecimentos que, espero, não estraguem o dia de ninguém: energético não faz voar, cerveja não atrai mulher bonita e panetone não reata laços familiares rompidos. Se o governo tem problemas com propaganda enganosa, poderia ter começado a resolve-los no próprio quintal há três anos, quando lançou uma propaganda desrespeitosa em que a figura de um traficante estabelecia um paralelo absurdo entre o cigarro e as drogas ilícitas. O tráfico de entorpecentes, até onde eu sei, não gera 5, 5 bilhões de dólares aos cofres públicos por ano em impostos, dinheiro que, ao que parece, não faz mal à saúde financeira de nenhum Estado.
A partir do ano que vem, de acordo com essa mesma lei, eventos culturais patrocinados pela indústria do cigarro também estarão proibidos. Vistos como meras peças publicitárias (bobagem todo mundo sabe que o que menos se fumava no hollywood Rock era cigarro...), festivais relevantes como o Carlton Dance e o Free Jazz estão com os dias contados. Mas festival patrocinado por marca de uísque pode. Há diferença? Claro. No décimo cigarro, você sente um leve pigarro. Na décima dose de uísque, você está sujeito a não ir trabalhar, a bater na mulher, a entrar na contramão... E depois nós, fumantes, é que somos os ignorantes.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Amargo Pesadelo


Esta é uma das passagens mais linda do cinema americano. O filme Deliverance, com título em português de Amargo Regresso é de 1972, com Jonh Voight, Burt Reynolds, Bobby Trippe, Drew Ballinger e direção de John Boorman. O filme recebeu 3 indicações ao Oscar; de melhor Filme, melhor Direção e melhor Edição. O roteiro é muito bom. São quatro amigos que vão fazer a última viagem de canoa por um rio, numa região que será tomado por uma represa e, depois de varias pessoas tentarem fazer que eles desistissem da aventura por causa do perigo, a decisão é tomada depois que acontece esse duelo de violão com banjo.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Postais Especiais Dobrados


Hoje começo a publicar uma nova série de cartões postais, os dobráveis. Acima, você vê a capa. Este tem texto da Marina Lima e do Antonio Cicero, ao abrir você encontra a parte que vem abaixo.
Espero que gostem!

Lista de Preferências

Alegrias, as desmedidas.
Dores, as não curtidas.

Casos, os inconcebíveis.
Conselhos, os inexeqüíveis.

Meninas, as veras.
Mulheres, as insinceras.

Orgasmos, os múltiplos.
Ódios, os mútuos.

Domicílios, os passageiros.
Adeuses, os bem ligeiros.

Artes, as não rentáveis.
Professores, os enterráveis.

Prazeres, os transparentes.
Projetos, os contingentes.

Inimigos, os delicados.
Amigos, os estouvados.

Cores, o rubro.
Meses, outubro.

Elementos, os fogos.
Divindades, os logos.

Vidas, as espontâneas.
Mortes, as instantâneas.

(Bertolt Brecht)