quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Página Inteira na Revista O Cruzeiro nos Anos 1950



Veja que anúncio bem feito. Ousado podemos dizer, afinal, nos anos 1950 as mulheres usavam saias abaixo do joelho e decotes só em festas fechadas. Mas, a diagramação, a idéia, com certeza viraria novamente uma bela peça publicitária das toalhas Artex.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Drummond Novamente

"Fácil é julgar pessoas que estão 
sendo expostas pelas circunstâncias.
Difícil é encontrar e refletir sobre 

os seus erros, ou tentar fazer diferente 
algo que já fez muito errado.
E é assim que perdemos pessoas especiais."

Millôr Fernandes


É na simplicidade que tá a beleza das idéias do Millôr.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Ribeirão dos Sonhos

Tua majestade, Ribeirão Preto,
Agasalha e encanta,
Seduz e prende
O olhar do poeta.
Extasiado, contemplo,
Teu desenho e porte:
Ruas, prédios,
Escolas, fábricas,
Cinemas, teatros,
Ensino e trabalho,
Ciência e arte.
Teu suor e gozo,
No riacho escuro
Dos meus sonhos
De cidade
Te vejo, límpida,
A iluminar meus passos.
Te sinto quente,
A estender-me os braços.
Texto de Jucelino Pernambuco publicado no Guia Centro de Ribeirão - Edição Março 07

domingo, 18 de outubro de 2009

50 anos de Bidu


Eu conheci o Bidu no caderno Infantil da Folha da Manhã, que o meu padrinho trazia de São Paulo, capital, quando vinha visitar a família em Ribeirão Preto. Eu adorava aqueles pequenos jornais e curtia o Bidu que ocupava a última página, que depois foi ocupada por muitos anos pelo Horácio. Agora, fico sabendo que o Bidu tá completando 50 anos e foi o primeiro personagem fixo do Maurício de Souza, publicado pela Editora Continental em 1960.
Foi produzido um livro com capa dura e 22 histórias de diferentes momentos do cachorrinho azul: de quando foi criado até os dias atuais. A última narrativa foi feita em mangá. (Panini, 160 págs., R$ 39,90).

Olha a Capa da Playboy de Novembro


Vazou a notícia na internet pelo Twitter do próprio dono da Playboy, Hugh Hefner. Não demorou e acabou aparecendo a capa. Marge Simpson acabou cedendo aos insistentes convites da maior revista de nu feminino do mundo, a revista Playboy., a original, a Americana. 
Será uma edição só para colecionadores e, com certeza, daqui há alguns anos valerá ouro.  A explicação é que estão comemorando os 20 anos do desenho com a primeira publicação de um ensaio com uma artista dos quadrinhos. 
Mas, ha quem diga que o motivo real foi a crise e que o maior objetivo é conquistar os jovens, que não acham nenhuma graça na revista Playboy.
Como faz com todas as artistas que posam para a revista, Playboy entrevistou Marge, que afirmou entre outras coisas, que todo o dinheiro ganho com o ensaio será doado para caridade.
 

sábado, 17 de outubro de 2009

Um Logo Objetivo!


Este logo já completou 10 anos. Continua em atividade e mantém o objetivo. É da empresa do meu amigo Ivan Lemes de Sant´ana, sócio da Análise, que fica localizada na rua Garibadi esquina com Eliseu Guilherme.

BioooooooTOnico Fontouuuuuura


Quem não lembra da música do Biotonico Fontoura. Sangue, Músculos, Nervos, estampados no rótulo da poção mágica. Um xarope que faz todo mundo ficar mais saudável. A criança não come? Dê Biotonico Fontoura. A criança come muito? Dê Biotonico Fontoura! Olha, adulto também pode tomar. Biotonico Fontoura é um fortificante para toda a família. E assim, o farmacêutico Cândido Fontoura, que formou-se em 1905 na Faculdade de Farmácia, montou o Laboratório Fontoura & Serpe e tornou-se um dos primeiros industriais brasileiro dessa que é a maior indústria do século XXI, a de drogas oficializadas.
Diz a história que ele estudou para desenvolver este fortificante porque sua esposa tinha uma saúde muito frágil. Em pouco tempo tomando o xarope, sua mulher ficou tão boa que outras pessoas começaram a pedir daquela fórmula maravilhosa. Por sugestão do seu amigo, Monteiro Lobato, o xarope foi batizado com o nome Biotonico Fontoura. Depois, vieram campanhas nacionais sobre o Jeca Tatu, aquele brasileiro que tinha vermes porque não usava sapato e comia mal. E assim, já, varias e varias gerações, tomaram e tomam o Biotonico Fontoura. 

Horário de Verão


Hoje, às 24 horas, vamos entrar pela 39º vez, no horário de Verão. Por mais um ano vai começar aquela mesma conversa sobre as vantagens e desvantagens do novo horário. Em alguns bares isso vira  tema de  grandes debates que podem até acabar em ofensas. Mas, de fato e de verdade, o Horário de Verão já virou uma marca registrada. É um aviso de que o final do ano está chegando. A partir de agora vamos começar a ver bolas de natal, papai noel e muitas promoções pelas lojas da cidade. As tardes ficam mais compridas, os botecos mais cheios e aqueles que se guiam pela luz acabam chegando mais tarde em casa.  Os relógios, na grande maioria, como celulares, computadores e até relógios de pulso digitais, já acertam o horário sozinhos, então, resta aproveitar o dia de hoje, 17 de outubro, porque teremos 1 hora a menos. Quando chegar  a meia noite, vamos pular para 1 hora do dia 18 de outubro e no dia 21 de fevereiro de 2010, ganharemos a nossa 1 hora de volta.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Henry David Thoreau


A Riqueza de Um 
Homem Se Mede Pelas 
Coisas Que É Capaz 
de Deixar Para Trás.

Maiores informações sobre o Thoreau você encontra no item informações deste Blog, com o título: A Desobediência Civil, que é o tema de um dos seus livros.

Presente de Sexta-Feira


"A maior saudade – a que 
dói mais 
fundo – é a saudade 
que sentimos 
de nós mesmos..."
(Mario Quintana) 

80 anos de Vida e Arte


Parabéns a nossa Dama do Teatro. Parabéns a Arlette Pinheiro Esteves da Silva que nasceu em 16 de outubro de 1929, no Rio de Janeiro. Parabéns a Fernanda Montenegro.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Lei número 12055


No dia 9 de outubro foi aprovada a lei que institui o dia 05 de Junho como o Dia Nacional da Reciclagem. Foi escolhido este dia, porque há 37 anos, nesta data, aconteceu a primeira Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente, na cidade de Estocolmo na Suécia e,  tornou-se o Dia Mundial do Meio Ambiente.
A reciclagem é considerada a melhor forma de manter a capacidade do meio ambiente se regenerar e, é também um meio prático de evitar desgaste dos recursos naturais promovendo  a geração de empregos e renda.

Homenagem


Quanto mais eu vivo, mais tenho certeza que a única mudança verdadeira, em qualquer sociedade, é feita pela EDUCAÇÃO. Quando os professores forem bem remunerados e tratados com respeito e dignidade, podem se preparar, porque o país ira mudar de forma irreversível. Até lá, não se preocupem com as propagandas dos políticos, pois nada acontece.

Foto na Austrália


Na frente de combate ao terrível incêndio que devastou a Austrália, vemos uma beleza como essa. Os gestos humanos em alguns momentos falam mais que toda a história.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Jacek Yerka


Jacek Yerka é um Polonês nascido em 1952 que fez faculdade de artes e pinta  as paisagens  do seu mundo de maneira linda e surreal. Suas obras rodam pela internet e são comercializadas em sites brasileiros. Coloque o nome dele no google e aprecie a arte deste polaco porque vale a pena.

Nos Anos 1970 Isso Fazia Sentido


Cora Coralina Visita o Museu da Língua Portuguesa

 
No ano que Aninha (Cora Coralina) completaria 120 anos o Museu da Língua Portuguesa presta uma linda homenagem a grande poetisa. Com cenográfia de Daniela Thomas e Felipe Tassara, foi feito um coreto estilizado, todo branco, com poemas bordados em ponto de cruz em linho e visores de vidro com cadernos originais, matérias e livros publicados de Cora, tudo sobre toalhinhas de crochê, deram ao espaço um aconchego com a cara dos textos e da própria Cora Coralina.
Este Museu é um grande presente para toda a população. Nestes três anos de existência têm mantido um cuidado especial com cada exposição e os números de visitantes provam que o bom é sempre muito bem-vindo.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Matisse Hoje - Aujord´Hui


No dia 6 de setembro eu escrevi sobre a exposição do Matisse que acabara de iniciar na Pinacoteca do Estado em São Paulo. Hoje quero comentar sobre a exposição que eu vi. Os desenhos, as litogravuras, os recortes, as cores, a luz, enfim, tudo que Matisse faz, como os grandes artista da história, tem personalidade e é muito atraente. Não importa se é um esboço em crayon ou uma tela com cores e perpectivas. Você para na frente e viaja. A diferença entre os gênios e nós, simples mortais, é essa, eles conseguem nos fazer voar.
Agora, a grande surpresa, que eu não havia observado quando do lançamento da exposição, é que foram convidados cinco artistas franceses contemporâneos para criar diálogos com as obras de Matisse. Quero observar aqui dois destes artistas, Philippe Richard e Christophe Cuzin que consequiram me fazer voar com seus diálogos.

Com fita adesiva vinilíca, Christophe contornou cada parede com um traço de cor diferente.

Mercadão de Sampa



O Mercado Municipal de São Paulo foi inaugurado em 25 de janeiro de 1933, quando a cidade de São Paulo estava com 1 milhão de habitantes. O projeto do belíssimo prédio é do Escritório Ramos de Azevedo, que durante o início do século XX foi responsável por muitos prédios e edificios na capital paulistana.
Hoje, mais de 70 anos depois, o Mercadão continua servindo a população e fazendo sucesso pela sua beleza e pelos serviços oferecidos. O Mercadão fica na Rua da Cantareira, 306, ao lado da Avenida do Estado, bem perto do centro de São Paulo. É um passeio muito gostoso que sempre vale a pena fazer.
 

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Baudelaire


O Belo 
é Sempre Bizarro.

Achei no Museu da Língua Portuguesa


Citações?
São Borboletas.
Pegamos umas,
Outras voam.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

PAZ


De fato e de verdade o Obama nada fez para merecer o prêmio Nobel da Paz. Mas, nunca achei tão merecedor. Obama transmite uma seriedade e maturidade invejável no meio politico e, até que provem o contrário, é uma nova chance para o planeta, afinal ele continua comandando o maior império da terra.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Milton - Millôr Fernandes


Millôr Fernandes é uma marca de qualidade em tudo que faz. E, vejam que curioso, ele só descobriu que seu nome era Millôr, e não Milton como todos o chamavam, quando já tinha 17 anos. Millôr escreve livros, peças de teatro, comentários, análises, faz ilustrações, traduções, charges (como essa acima), quadrinhos e muito mais. Se você não conhece o site do Millôr, passe por lá, com certeza vai entrar na sua lista de favoritos.
http://www2.uol.com.br/millor

terça-feira, 6 de outubro de 2009

The Maranhão Herald


Gente, hoje eu passei um bom tempo, rindo muito com este exemplar do The Maranhão Herald que você pode desfrutar no site da revista Piauí, na edição deste mês. Passe por lá, porque vale a pena.

Moysés Mellin


Essa escultura é uma amostra dos trabalhos do Moysés Mellin, um ribeirãopretano que mora em São Paulo há mais de 30 anos e hoje é muito respeitado por sua arte. Moysés é pintor e escultor e trabalha com matérias que vão do vidro ao aço carbono. Suas esculturas têm um movimento harmônico que além da beleza nos leva a pensar.
Do dia 04 até o dia 24 de outubro, na avenida Paulista, 2.073, no Espaço Cultural Conjunto Nacional, você pode ver os trabalhos de Moysés Mellin.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Paulo Leminski em São Paulo




Com quantos Paulos se faz um Paulo Leminski? O poeta curitibano sempre foi um e sempre foi mil: estudioso de línguas (inglês, francês, latim, grego, japonês, espanhol), compositor popular, judoca zen-budista, erudito familiarizado com a poesia clássica ocidental e com as rupturas das linguagens mais radicais, moleque culto tomado pelo espírito rebelde do verdadeiro rock’-n’-roll, livre-pensador cosmopolita que se intitulava “A Besta dos Pinheirais”. Todos convergindo para um único centro: o de poeta em tempo integral. Intenso, como um vendaval. Sutil, como um beija-flor.
O múltiplo poder transformador da arte de Paulo Leminski quiçá esteja espalhado em cada canto dessa exposição. Seja nos poemas impressos em seus livros, seja nas composições individuais ou em parcerias gravadas por dezenas de intérpretes, nos depoimentos registrados em vídeo, nos manuscritos em papel de carta, guardanapo ou cadernos (como o “laboratório” do livro Catatau) ou nos textos inéditos ainda encerrados em 18 caixas plásticas azuis. Alguns deles, trazidos pela primeira vez a público, aguardam zeloso estudo para futuras publicações.
Aliás, fuçar esses arquivos que reclamam um urgente memorial à altura da obra leminskiana foi a parte mais emocionante de todo o trabalho. Mais que isso: um privilégio. Meu mais profundo agradecimento a Alice Ruiz e às filhas Áurea e Estrela Ruiz Leminski pela confiança depositada.
A impressionante vitalidade e a desmedida paixão pela vida nos deixam a nítida sensação de que 20 anos após sua passagem “para o sonho de outras esferas” Paulo Leminski continua mais vivo do que muitos vivos. A impressão é que a qualquer momento ele pode entrar pela porta bradando seus versos incendiários e nos convidar para uma nova rebelião contra a assustadora mercantilização da arte e da vida. Você toparia?
Ademir Assunção
curador
EXPOSIÇÕES: Ocupação Paulo Leminski
De 01 de outubro a 08 de novembro
Local: Itaú Cultural - Avenida Paulista, 149

domingo, 4 de outubro de 2009

Morreu Hoje Mercedes Sosa


Mercedes Sosa foi uma cantora guerreira. Ela nunca cantou só pelo prazer de entoar belas músicas, mas pelo prazer de tomar posição e manifestar, por intermédio da música, seus pensamentos e crenças. Assisti dois shows de Mercedes Sosa; um em Ribeirão Preto no Teatro de Arena e outro em São Paulo no Tuca. Nos dois shows, existia um respeito muito grande por aquela senhora e um entusiasmo envolvente de toda a platéia defendendo  seus direitos e a liberdade.
Mercedes, com 74 anos, estava internada num hospital em Buenos Aires há quase 30 dias por problemas hepáticos que acabaram causando dano aos pulmões e a levaram a morte.
Mercedes Sosa deixa na minha lembrança a força da dignidade mesmo debaixo de ditaduras militares. E deixa suas canções que, com certeza, serão ouvidas por muitas gerações.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Riberão Preto, Letra A

Breve roteiro da memória amorosa da cidade a partir da primeira letra do alfabeto.

A ROMANA - Bar na esquina da Cerqueira César com Francisco Junqueira, freqüentado pela turma de jornalistas do extinto Diário da Manhã e do jornal O Diário, nos idos de 1975, 1976 e 1977. Seu Brás, com um sorriso de ponta a ponta, era quem recebia a turma e marcava o fiado. Os jornalistas Tony Beer, Cláudio Dias, Rubens Volpe, Sidnei Quartier, Ana Maria Sampaio, Misael de Oliveira, Aldinha de Oliveira e Fernando Braga, entre outros, eram freqüentadores. Ali nasceram namoros que deram em casamento, e depois em separação. Depois da Romana o séquito ia bater papo no Norte-Sul da Costa e Silva, com jurubebas e carne seca. Era cult dar uma passada pela UGT - União Geral dos Trabalhadore na Baixada, onde sempre havia gente do povo e uma santa gafieira. Era comum terminar a noite tomando a canja dos Três Garçons ou do Cacique. Sem medo. Se na seqüência o sol porventura nascesse, a felicidade era completa.

ALMIR COSTA - Almir, conhecido como Gaivota, poeta, músico, cantor e compositor. E um grande pintor. Sedutor, como todos os grandes artistas, teve também um destino romântico. Morreu jovem, aos 40 anos, depois de uma vida dedicada às artes. Irmão da cantora e compositora Thaís Costa.

ANTONIO ACHÊ SOBRINHO - Filósofo da década de 1970, que, a despeito desse passado, jamais entrará para a História ou escreverá livros. Fez discípulos, como Sócrates, ao redor de bucólicas fogueiras nas madrugadas ingênuas do alto da cidade.

ANTONIO CLARET FILHO - Pai da coluna Galhofadas, publicada, durante décadas, nos principais jornais de Ribeirão. Dono de um humor raro e fino, sempre discretíssimo na vida pessoal. Tão discreto que passa despercebido, apesar desse talento especial e para poucos.

ÁLVARES CABRAL - Endereço do Theatro Pedro II, o terceiro maior de ópera do país. Rua dos Pingüins, símbolo nacional da cidade. Da Única, aquela que fez o café que chegou a Moscou. Do primeiro edifício da cidade, o Diederichsen. Em 1968, palco de manifestações estudantis, no quarteirão entre a General Osório e a São Sebastião. Cachorros soltos, soldados hostis e jovens correndo em debandada, por uma causa. Uma juventude -- e uma causa -- que não existem mais. Rua do Domingão, um jornal alternativo e marcante criado em 1975 pelos jornalistas Sérgio de Souza, quixotesco abatedor de moinhos da mediocridade, e Benito Valenzi, bem-humorado e solerte colunista e repórter, assassinado tragicamente por um trombadinha no metrô de São Paulo. Rua onde concebi meu primeiro e meu segundo filhos na mesma casa do Domingão, velha, rústica e fantástica, de pé direito alto, no número 961. Foi o endereço por onde passaram também os jornalistas José Hamilton Ribeiro, inteligente e atilado repórter, iniciador de gerações na profissão; e João Garcia, brilhante escritor e autor de todas as boas pautas durante quatro décadas de convivência.

ÁLVARO COSTA COUTO - Pequena rua de um único quarteirão, entre a Bernardino de Campos e Nove de Julho, onde, na década de 1970, vivi com meus pais. As janelas do apartamento davam para o Leste. De lá vi, por anos seguidos, estrelas derradeiras e supostos discos voadores confundirem-se com o brilho do amanhecer. Neste único quarteirão, também, se estabeleceu, para curar drogados, uma residência de pastores à época apresentados como idealistas. Ironicamente, ou não, o núcleo ficou conhecido na cidade toda como a ‘Casa de Cristo’. O grupo conseguiu um feito que reputo como extremamente útil: revelou um grande talento do teatro de Ribeirão, José Maurício Cagno. Aos 15 anos, ele estreou fazendo o Cristo na peça Maranata, um musical inspirado em Godspell, apresentado em todo o Sul do país. O grupo viajava de ônibus, dormindo em chão de igrejas e casas de evangélicos. Muito romântico. Assim, chegou até o Uruguai. E foi na passagem por Porto Alegre, em dezembro de 1975, que eu, na época atriz e cantora da peça, descobri que Deus existia. Uma das companheiras de elenco, Maria Luísa Baúso, caiu doente. Ficou prostrada, com febre altíssima. Ninguém sabia o que era e os mais radicais achavam que não era preciso procurar ajuda médica, bastava rezar. Eu via o estado crítico dela e clamava por socorro divino e também por um médico. E ele apareceu.
Deu as caras através do cardiologista e clínico geral Newton Pedro de Camargo, de Ribeirão Preto, que estava lá para um congresso e apareceu no teatro gaúcho para ver a nossa peça. Doutor Newton foi simplesmente divino: levou Maria Luísa direto para o hospital. Ela estava com meningite e teria morrido se ele – Deus em pessoa – não tivesse interferido.
Texto de Rosana Zaidan publicado no Guia Centro de Ribeirão - Edição Março 07 

Clarice Lispector Plena na Sexta-Feira

"Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço, existe um sentir que é entre o sentir...

que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio"