sábado, 22 de maio de 2010

Clarice Lispector

Pelas plantas dos pés
subia um estremecimento 

de medo,

o sussurro de que a terra 
poderia aprofundar-se.
E de dentro erguiam-se 
certas borboletas batendo
as asas por todo o corpo.

Uma Planta Doida

"Já escrevi sobre uma surpresa que tive,
faz muitos anos,
numa manhã de frio intenso,
vento forte e céu enfarruscado,
que anunciavam que haveria neve pela tarde.
As árvores sabiam disso e já estavam todas sem folha.
Foi então que, caminhando pelo jardim que à tarde 

estaria todo branco, vi uma planta doida.
Ela não ligava para a nevasca da tarde: 
um botão de flor preparava-se para abrir."
Rubem Alves - Quarto de Badulaques LXXXI  
Correio Popular - 27/11/05

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Arte & Pão

Arte é arte, para um bom artista, farinha é o suficiente. Uma propaganda de pão, mas poderia ser do que quisesse, não acham?

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Duas Quadras

Na quinta que nunca houve
Há um poço que não há
Onde há de ir encontrar água
Alguém que te entenderá.

Eu vi ao longe um navio
Que tinha uma vela só,
Ia sozinho no mar...
Mas não me fazia dó.
Fernando Pessoa

Festival de Charges no Irã Sobre a Água

Angel Boligam - Mexico
Hiresh Badri - Iran
Agir Sulaj - Itália
Mehdi Azizi - Iran

Beatles em 1964

Em 1964, na primeira turnê americana dos Beatles, uma das imagens mais conhecidas é essa briga de travesseiros entre os quatro integrantes da banda, que foi feita por Harry James Benson, um dos mais famosos e requisitados fotógrafos do showbizz. Seus mais de 50 anos de trabalho lhe renderam várias citações em revistas como Life, Vanity Fair, People e The New Yorker.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Integração em São Paulo

A foto acima é de Sidney Mattos e foi tirada na Vila Madalena, em São Paulo - SP.  Isso nós podemos chamar de arte integrada a natureza. Parabéns ao artista que assina LUZ.

+ 1

Mais um postal da série que foi impressa há 12 anos. Acima o cartão fechado, abaixo você vê ele aberto. O texto é de Michael Sullivan e Paulo Massadas da música Um Dia de Domingo, que foi magistralmente gravada por Gal Costa e Tim Maia.

Derretendo

Este trabalho é de Lucas Tonon Gehre e, sem saber, ele descreveu, nos seus quadrinhos, como me sinto naqueles dias quentes que fazem, quase o ano todo, aqui em Ribeirão.

Rubem Alves

"A esperança é uma droga alucinógena".

Rubem Alves

ler é fazer amor com as palavras

terça-feira, 18 de maio de 2010

Ditos Populares

Diariamente nos pegamos usando ditos populares, mas poucas pessoas sabem o significado deles. Grande parte são derivados de expressões que, com o passar dos tempos, acabaram se modificando. Você conhece as origens?
Fazendo uma pesquisa, encontrei um post na página:  http://colunistas.ig.com.br/obutecodanet/, que explica boa parte dos ditos populares mais usados no Brasil. Confira:

Dito Popular: “Quem tem boca vai a Roma”.
O correto seria: “Quem tem boca vaia Roma”. (do verbo vaiar).

Dito Popular: “Esse menino não pára quieto, parece que tem bicho carpinteiro”.
O correto seria: “Esse menino não pára quieto, parece que tem bicho no corpo inteiro”.

Dito Popular: “Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão”.
O correto seria: “Batatinha quando nasce, espalha a rama pelo chão”.

Dito Popular: “Cor de burro quando foge”.
O correto seria: “Corro de burro quando foge!”

Dito Popular: “Cuspido e escarrado”. (alguém muito parecido com oura pessoa).
O correto seria: “Esculpido em carraro”. (tipo de mármore).

Dito Popular: “Quem não tem cão, caça com gato”.
O correto seria: “Quem não tem cão, caça como gato”. (ou seja, esgueirando, astutamente, traiçoeiramente).
O material acima eu peguei no Blog: http://vernaculando.blogspot.com/

Mambembe

É essa a chance que nos deu a vida.
Carrossel, trem mambembe, circo colorido de horrores, segredo dos iluminados.
Só quem já embarcou nessa viagem conhece as delícias e as agruras que nos reserva o risco do amor.
Este texto é da Carmen Cagno e faz parte do livro Pequena Pausa Para Um Susto - Historinhas e Fragmentos.

Quino Novamente

É muito difícil cruzar um trabalho do Quino e não ficar com vontade de públicar. É sempre arguto, sensível e muito bem humorado.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A Exceção e a Regra

Estranhem o que não for estranho.
Tomem por inexplicável o habitual.
Sintam-se perplexos ante o cotidiano.
Tratem de achar um remédio para o abuso
Mas não se esqueçam de que o abuso é sempre a regra.

 Bertolt Brecht

Quem Pode, Faz!

Essa foto anda correndo pelas páginas da internet mais rápido que os carros de formula1. Pelé, Zidane e Maradona, jogando pebolim. Ano de copa do mundo é assim, uma marca como a Louis Vuitton, contrata três legendários monstros sagrados do futebol, uma fotógrafa como a norte-americana Annie Leibovitz, reconhecida como uma das lentes mais clássicas que já passou pela Rolling Stone EUA, nos anos 70 e produzem uma campanha que, com certeza, vai marcar uma época.
De acordo com Pietro Beccari, vice-presidente mundial de marketing da companhia LVMH, dona da marca, a empresa já tinha abordado os atletas há um tempo atrás, sem sucesso. O acordo teria sido fechado só agora por causa da proximidade da Copa do Mundo. "Assim que conseguimos convencer os dois primeiros, negociar com o terceiro ficou mais fácil", disse, sem citar nomes.
Então, os jogadores se encontraram no começo de março no Café Maravillas, em Madri, para a realização da foto. Lá eles foram retratados em uma despojada partida de pebolim.

domingo, 16 de maio de 2010

República Islâmica do Paquistão

No Paquistão, uma república Islâmica, na Asia, num lugar complicado, porque fica na região onde convergem o sul da Ásia, a Ásia Central e o Oriente Médio, a riqueza dessa tradição do povo paquistanês o país limita com o Irã e o Afeganistão a oeste, a China a nordeste e a Índia a leste, além de ser banhado pelo Mar Arábico ao sul, com um litoral de 1 046 km de extensão.
O Paquistão é o sexto país do mundo em população e possui uma das maiores populações muçulmanas do planeta. Seu território pertenceu à Índia Britânica e tem uma longa história de assentamento e civilização, inclusive a civilização do Vale do Indo.
Esse povo, tem na sua tradição essa bela arte de pinturas, feitas a mão e detalhes de acabamentos com bordados e brocados.

Papoulas, Só Pela Beleza!

Mulher segura guarda-chuva enquanto caminha por um campo de papoulas no Parque Memorial Showa, em Tachikawa, subúrbio de Tóquio (Japão). Visitantes podem ver cerca de 2.500.000 de papoulas no parque até o fim de maio Toru Yamanaka/AFP

sábado, 15 de maio de 2010

Rubem Alves

A celebração de mais um ano de vida é a celebração de um desfazer, um tempo que deixou de ser, não mais existe. Fósforo que foi riscado. Nunca mais acenderá. Daí a profunda sabedoria do ritual de soprar as velas em festa de aniversário. Se uma vela acesa é símbolo de vida, uma vez apagada ela se torna símbolo de morte.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

(Ferreira Gullar)


Fazer arte é soprar
espirito na materia

Banksy

Banksy é um artista de rua, pichador, com trabalhos espalhados pela Inglaterra, onde nasceu em 1975, na cidade de Bristol e começou a fazer seus stencil com 14 anos. Depois foi para Londres e acabou circulando por toda a Europa, países da África e os EUA, sempre deixando a sua arte estampada em paredes abandonadas. 
Seus trabalhos são muito característicos, é difícil alguém que não tenha visto uma de suas obras em algum lugar, pois há muito tempo, seus desenhos pichados invadiu as galerias, as telas, e vivem saindo em revistas, documentários e jornais de todo o mundo.
Apesar de tanta produção e do sucesso, Banksy é uma pessoa muito pouco conhecida. Ele detesta dar entrevistas e foge dos holofotes. Como a contravenção é uma constante em sua obra sempre provocativa, essa técnica de ser um mistério, acaba ajudando.
Em telas e murais faz suas críticas, normalmente sociais, mas também comportamentais e políticas, de forma agressiva e sarcástica, provocando em seus observadores, quase sempre, uma sensação de concordância e de identidade. Apesar de não fazer caricaturas ou obras humorísticas, não raro, a primeira reação de um observador frente a uma de suas obras será o riso. Espontâneo, involuntário e sincero, assim como suas obras.

ManoHead

Esse é fera! Fabrício "Manohead" Rodrigues Garcia, natural de Garopaba, Santa Catarina. Com 25 anos, já tem uma longa história de sucesso. Sempre gostou de desenhar, mas foi só aos 20 anos que começou a interessar-se, de verdade, por caricaturas. Logo depois, aos 22 anos, aqui em Ribeirão Preto, recebeu 3 Menções Honrosas no 14 º Salão de Humor, no ano de 2007. Depois, foram muitos prêmios, nacionais e internacionais e, hoje em dia, ManoHead trabalha para revistas, jornais e trabalhos convidados, pintando, ilustrando e fazendo caricacturas de fino traço.  
Biografia
 O grande Glauco no "traço digital" de ManoHead

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Segredo

Desenho por Madame Y
A poesia é incomunicável.
Fique torto no seu canto.
Não ame.

Ouço dizer que há tiroteio

ao alcance do nosso corpo.
É a revolução? o amor?
Não diga nada.

Tudo é possível, só eu impossível.

O mar transborda de peixes.
Há homens que andam no mar
como se andassem na rua.
Não conte.

Suponha que um anjo de fogo

varresse a face da terra
e os homens sacrificados
pedissem perdão.
Não peça. 
1960 - ANTOLOGIA POÉTICA  
carlosdrummonddeandrade.com.br

Nasrudim e a Lua

Uma noite clara e enluarada, Nasrudin vai ao poço tirar água. Ao olhar para baixo, vê o reflexo da lua brilhando na água. "Nossa!", exclama. "A pobre da lua caiu dentro da água! Espere, lua, que já vou tirá-la daí!"
Nasrudin vai correndo até sua casa e volta com uma corda com um gancho de ferro amarrado na ponta. Sem demora, atira a corda dentro do poço, dizendo de forma encorajadora: "Vamos, lua, agarre firme que já vou puxá-la para fora daí." Infelizmente, a corda fica presa numa pedra grande no fundo do poço e Nasrudin precisa puxar com toda sua força. "Ufa!"pensa com seus botões. "Mas como a lua é pesada!"
De repente, a corda se solta num tranco e Nasrudin cai de costas no chão. Quando consegue recuperar o fôlego, ainda estendido no chão, ele se depara com a lua no céu, brilhando no meio das estrelas.
"Não foi nada fácil, mas conseguimos!" diz Nasrudin, dirigindo-se à lua. "Que sorte a sua eu ter chegado bem a tempo de poder ajudá-la! Foi um prazer estar a seu serviço. Adeus, lua, e boa noite!"
Do livro Histórias do Mulá Nasrudin, Edição bilingue, recontada e ilustrada por Cristina Millet

quarta-feira, 12 de maio de 2010

"O Grande Ditador"

O texto abaixo é uma obra de arte que faz parte de uma outra obra de arte. É o discurso final do filme O Grande Ditador, que Charles Chaplin lançou em 1940, em plena segunda guerra mundial, que é, sem dúvida alguma, um dos grandes filmes da história do cinema e um retrato inteligente e muito sensível sobre a humanidade.
Toda vez que leio este texto, isso há muitos anos, lembro da biografia de Charles Chaplin, escrita por ele, onde você descobre um homem mesquinho, auto centrado, tudo o contrário deste belo texto.
"Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo - não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens, levantou no mundo as muralhas do ódio e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.
A aviação e o rádio nos aproximou. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem, um apelo à fraternidade universal, a união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora. Milhões de desesperados: homens, mulheres, criancinhas, vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que podem me ouvir eu digo: não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia, da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.
Soldados! Não vos entregueis a esses brutais, que vos desprezam, que vos escravizam, que arregimentam vossas vidas, que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos. Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão. Não sois máquina. Homens é que sois. E com o amor da humanidade em vossas almas. Não odieis. Só odeiam os que não se fazem amar, os que não se fazem amar e os inumanos.
Soldados! Não batalheis pela escravidão. Lutai pela liberdade. No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o reino de Deus está dentro do homem - não de um só homem ou grupo de homens, mas de todos os homens. Está em vós. Vós, o povo, tendes o poder - o poder de criar máquinas; o poder de criar felicidade. Vós o povo tendes o poder de tornar esta vida livre e bela, de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto - em nome da democracia - usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo, um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.
É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam. Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão. Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e a prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos.
Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos. Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam. Estamos saindo da treva para a luz. Vamos entrando num mundo novo - um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah. A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah. Ergue os olhos."

João Guimarães Rosa

"Só se pode viver perto do outro,
sem o perigo do ódio,
se a gente tem amor.
Qualquer amor já é um 
pouquinho de saúde, 
um descanso na loucura."

Por Favor!

Essa maravilha da comunicação eu recebi por e-mail de uma amiga mineira. Não posso garantir que é um original mineiro, mas posso afiançar que veio de uma mineira.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Fernando Pessoa

As gaivotas, tantas, tantas,
Voam no rio pró mar...
Também sem querer encantas,
Nem é preciso voar.

Todas as coisas que dizes
Afinal não são verdade.
Mas, se nos fazem felizes,
Isso é a verdade.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

As Palmeiras Imperiais

Avenida Jerônimo Gonçalves com as palmeiras recem plantadas - 1925

Adam Rabelo Dias

Esse ilustrador carioca, conhecido como Adam, tem um traço bem próprio e vem conquistando seu espaço.
Esse Papa é muito bom, não? Prá mim, é o próprio.