quarta-feira, 22 de julho de 2009

A vida era alegre, naquele tempo


A gente chegou a Ribeirão Preto e desceu na estação da Mogiana com o coração batendo. A estação era imensa e bonita, lotada de gente desconhecida.
Com a mala de papelão sem fecho, amarrada com uma cordinha de sisal, a gente desembarcou da segunda classe de bancos duros de madeira e seguimos a recomendação dos mais velhos: não conversar com ninguém e olhar só para a frente. Atravessamos o rio e passamos por dentro do Mercado Municipal que ficava bem defronte e tinha frutas brilhantes e cheirosas -- maçãs de doente de hospital, uvas, peras, bananas, mamões...
Aí, passada a tentação, subimos rumo à pensão já encomendada na rua Tibiriçá, passando pela rua General Osório com suas lojas repletas de novidades: chapéus, galochas, guarda-chuva, capas de chuva, canivetes e roupas de todo tipo. A pensão era igual a todas as pensões e fomos acostumando, trabalhar de dia e estudar de noite.
De tarde, a gente tomava chope no Pingüim, pardais chilreando e o consumo marcado pelas "bolachas" deixadas pelo garçom. Dali se via o Hotel Umuarama, o prédio mais alto da região que mostrava caracóis verdes e vermelhos no alto, novidade do néon importado e que garantia a segurança dos aviões. Cinema era no Pedro Segundo; no moderno Cine Centenário, no centro da cidade, ou nos bairros -- cada bairro tinha um cinema.
Depois do cinema, sanduíche de pernil no Urubatan, na Álvares Cabral, regado a molho generoso de tomate. Lá para baixo, na rua José Bonifácio, as putas acenavam das janelas oferecendo amor, gonorréia e outras doenças, castigo para o coração e pinto juvenis, tudo curado a ferro e fogo. Com o tempo, a gente descobriu as putas da rua São Paulo e da Vila Carvalho. Pegava um táxi "Biriba" na Amador Bueno, esquina da Drogasil, e todos para a vida alegre de mulheres competentes e doces implorando "paga um Cuba, meu beimr?", mostrando pernas e seios apetitosos para nossa insaciedade juvenil. Depois de horas de amor, rumo ao "Três Garçons" na avenida Saudade para comer ensopado de cascudo ou uma feijoada com as meninas, naquela hora puras e simples, sentadinhas e comportadas à mesa, repuxando os vestidos e recordando mães e irmãs que deixaram em Minas, dando beijos na boca da gente e jurando um amor eterno que nunca passou daquele fim de noite...
Na outra noite a gente voltava. Ribeirão era o centro do mundo naquele tempo. E era muito bom...
Texto de Victor Cervi publicado no Guia Centro de Ribeirão - Edição Março 07

domingo, 19 de julho de 2009

O Homem na Lua Há 40 anos

"É um pequeno passo para um homem, mas um
gigantesco salto para a Humanidade":
Neil Armonstrong, ao pisar na Lua em 20 de julho de 1969
EU VI! Em 20 de julho de 1969, exatamente às 23 horas, 56 minutos e 20 segundos de Brasília, o astronauta americano Neil Armstrong, 38 anos, entrando para a história como o primeiro homem a pisar na Lua e avistar a Terra de lá. Eu estava em Santos, assisti numa televisão pequena em preto e branco. A bordo da nave Apolo XI, estavam 3 astronautas, Neil Armstrong, Edwin Aldrin, conhecido como "Buzz" (zumbido) e Michael Collins.
Nós sabíamos tudo da vida deles, pois a imprensa vinha nos bombardeando há alguns meses com o fato que acabou acontecendo naquela noite, eles aterrissaram na Lua após levantarem vôo nos EUA 4 dias antes, em 16 de julho.
Essa missão, a Apolo11, colocava definitivamente, após 12 anos, os Estados Unidos, na frente da corrida espacial. Desde 1957, quando os russos puseram em órbita o primeiro satélite da Terra fabricado pelo homem: o Sputnik, os EUA vinham sempre correndo atrás.
Eu me lembro do meu pai me avisando. Ele falava de maneira entusiasmada, tomado pela propaganda americana.
O pai de meu amigo, onde eu estava hospedado, naquele dia, na cidade de Santos, passando as férias, nos intimou a ficar acordados para assistir ao fato, ao vivo e em preto e branco.
Os astronautas voltaram à Terra no dia 24 de julho de 1969, chegando com 30 segundos de atraso, e foram recebidos como heróis. Desde então, os satélites têm revolucionado os sistemas de comunicação e há naves não tripuladas viajando para além dos limites do sistema solar.

sábado, 18 de julho de 2009

Estas Intectuais são do Barulho!

Nelinha, Semi, Silvia, Vera, Carmen, Naiá, Vanete, Silvia, Aglair e Silvia fazendo pose na pousada Casa Milá, na praia da Almada, pertinho de Paraty.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Billie Holiday uma Diva Eterna

Eleanora Fagan Gough, conhecida no mundo como Billie Holiday, morreu no dia 17 de julho de 1959, há exatos 50 anos, com 44 anos de idade. Seu estilo de cantar é único, foi ela quem deu interpretação às letras das músicas como ninguém antes. Sua voz e sua interpretação são inconfundíveis, basta ouvir uma vez para nunca mais esquecer.
Billie teve uma vida muito louca. Todos seus relacionamentos foram muitos conturbados, abusou muito das drogas e viveu períodos de depressão horríveis. Mas, apesar de tudo isso e da morte precoce, Billie Holiday fez performances cantando que são consideradas as melhores de toda a história do jazz.

Jornal Alumiar

O jornal Alumiar é uma boa luz sobre Ribeirão. Com a poetisa Mariza Helena Ruiz como redatora o jornal traz todos os meses informações culturais, sobre saúde e terapias alternativas. Vale a pena ler.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Uma Mensagem da Disney


Os desenhos Disney quase todo mundo conhece. Essa mensagem acredito que poucos.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Pedro II, Pingüim I

Durante o dia, o centro é um mafuá de pombos. Não me refiro às aves e seus dejetos, mas à agitação que faz de meu labirinto uma roda gigante. Aliás, se pombo fosse, cuidaria de freqüentar o local à noite, quando o centro ganha os ares europeus pelos quais nossos barões tanto investiram. Sem a sanha dos passantes e ambulantes, a praça abdica do povo para dar lugar ao sonho de uma Paris tropical, com todas as diferenças que a analogia possa suscitar.
Particularmente aos sábados, nos diletos dias de sinfônica, tenho naquele espaço o que esta cidade produz de melhor para meu gosto e sensibilidade: o concerto no Pedro II. Testemunhei o teatrão ser chamuscado, acompanhei a novela de sua reconstrução e, por isso, julgo que tenho hoje o direito de usufruí-lo. Portanto, evite as poltronas um e três da fileira C na platéia: elas têm donos virtuais (sim, a patroa me acompanha na empreita) e é de onde vamos ouvir as apresentações.
Caipira de Franca, foi ali que estreei meu primeiro concerto, com susto pela abertura de O Guarani, que costuma surpreender os desavisados com seus pratos e tímpanos. Foi ali também que conheci muita gente boa, como Schumann, Tchaikovsky e Guerra Peixe. E, por conclusão, descobri também que o mundo ainda tem jeito. Tudo isso por módicos dez reais, quando muito. Dez reais pela qualidade de uma diversão que não há dinheiro que pague.
Melhor! Sobra mais para, ao final do espetáculo, correr menos do que alguns metros para garantir uma mesa no Pingüim. Com sorte e tempo bom, ficamos no mezanino de fora, com total visão dos garçons, da praça e da galera da orquestra. Estes últimos (realmente o são, porque chegam sempre depois) trazem suas caixas imensas, seus paramentos desconstruídos e aquelas caras de santos, como se não houvessem feito uma arte daquelas.
À mesa, temos ainda companhia. Rachmaninoff, Mozart e Bach continuam a tagarelar suas notas. Após o terceiro chope, gelado e necessário, porém não derradeiro, proponho um brinde à vida, ao prazer e à música. E metido a besta como um jacu que se supõe no Deux Magots, aproveito o tilintar das tulipas para arriscar um palpite:
- Escuta! Os copos soam em si bemol, como o zumbido das cigarras!
Ainda bem que nessa hora os pombos estão dormindo.
Texto de Hamilton de Andrade Lemos publicado no Guia Centro de Ribeirão - Edição Março 07

terça-feira, 14 de julho de 2009

As Grandes Musas do Cinema Mundial



Recebi hoje da minha amiga Silvia, que é super antenada e acompanha tudo que está rolando, esse curta que homenageia, de maneira belíssima, essas mulheres maravilhosas que fazem tanto sucesso.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Guimarães Rosa

domingo, 12 de julho de 2009

Uma Homenagem Universal

Só numa época como esta em que estamos vivendo para acontecer uma homenagem tão criativa. São os fãs do mundo inteiro se manifestando publicamente. Vale a pena ver!
http://www.eternalmoonwalk.com/

sábado, 11 de julho de 2009

Clarice Lispector

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Costa Rica é o Lugar Mais Feliz e Verde do Mundo

Costa Rica, um país com menos de 5 milhões de habitantes, ensanduichado entre o Panamá e a Nicarágua, ficou no topo do ranking global de combinação de vida longa e feliz com limitada degradação ambiental. O país mistura um belo interior, uma grande diversidade de espécies e há muito tempo se livrou de seu exército.
A fusão de seus ministérios da energia e meio ambiente reverteu o desmatamento e ajudou o país a produzir 99% de sua energia a partir de fontes renováveis. Ela também apresentou altas notas, em relação a outros países em desenvolvimento, nas pesquisas sobre pobreza, liberdade de imprensa e democracia.
O Índice Planeta Feliz ("Por que uma boa vida não precisa custar o planeta?") publicado na sexta-feira pela New Economics Foundation, com sede no Reino Unido, combina medições de expectativa de vida, felicidade e pegada ecológica para avaliar a sustentabilidade do crescimento em 143 países. O fato de os 10 mais da lista dos países "mais verdes e mais felizes" ser dominado pela América Latina pode gerar alguma desconfiança, já que a região é mais conhecida na imaginação ocidental por suas favelas, desigualdade e golpes de Estado. O Zimbábue ficou em último lugar, juntamente com uma dúzia de outros países do sul, leste e centro da África.
Mas os latino-americanos marcam muitos pontos, sugere o relatório, devido a aspirações não-materiais e forte capital social entre amigos e parentes. O desempenho ruim do mundo desenvolvido também pode levar alguns ocidentais a duvidar do valor do relatório. Entre os países ricos, o mais bem colocado é a Holanda - mas apenas em 43º lugar.
O Reino Unido fica na metade inferior do ranking - em 74º, atrás da Alemanha, Itália e França, mas à frente do Japão e da Irlanda. Os Estados Unidos se saem particularmente mal, em 114º lugar. Os países ocidentais apresentam longa expectativa de vida e as pessoas são razoavelmente felizes, mas os países sofrem no ranking devido à sua fraqueza ecológica, refletindo o nível elevado de consumo. O desafio para o Ocidente, diz o relatório, não é continuar elevando a renda, mas buscar vidas mais significativas e laços sociais mais fortes. Essa pode ser uma meta distante a curto prazo, mas o índice está sendo divulgado em um momento em que os autores de políticas ambientais estão explorando medições mais amplas de progresso em vez de um desejo de apenas promover o crescimento.
A "Comissão para Medição do Desempenho Econômico e Progresso Social" do presidente da França, Nicolas Sarkozy, deverá apresentar seu relatório em breve. Os críticos dessas medições e índices dizem que são baseados em cálculos e dados arbitrários, mas a maioria aprecia sua contribuição para o debate das políticas.
"O Índice Planeta Feliz é uma das várias tentativas de 'ir além do PIB' e chamar atenção para aspectos importantes de nossa vida", disse Enrico Giovannini, estatístico chefe da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (Ocde). Mas, ele acrescentou, "é impossível capturar em um único indicador a complexidade de nossa sociedade".
Texto de Simon Briscoe / Londres (Reino Unido) publicado no Financial Times

Tradução: George El Khouri Andolfato

Começa Hoje o Anima Mundi 2009

Começa hoje no Rio de Janeiro (10 a 19 de julho) a 17ª edição do Festival Internacional de Animação do Brasil, o popular Anima Mundi 2009. Como todos os anos, os principais centros culturais da cidade exibirão centenas de curtas e longas metragens de todos os gêneros de animação. O evento acontece em locais como CCBB, Centro Cultural dos Correios, Cine Odeon, Casa França-Brasil, Estação Botafogo, Praça Animada e Oi futuro.
Nos dias 22 a 26 de julho o Festival transfere-se para São Paulo.
http://www.animamundi.com.br/fest_home.asp

Hoje é o Dia da Pizza


Hoje, dia 10 de julho, é comemorado o dia da pizza no Estado de São Paulo. O dia foi instituído em 1985 quando aconteceu um grande concurso realizado na capital do estado. Na época, 100 pizzarias aderiram ao projeto dando descontos promocionais. Hoje, São Paulo tem quase 6 mil pizzarias.
Para completar as comemorações, a Associação das Pizzarias Unidas do Estado de São Paulo, promete fazer a maior pizza do Brasil ao ar livre, na rua Catarina Braida, no bairro da Mooca, durante o Sampa Pizza.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Há mais luz por aqui

Alguém viu Nasrudin procurando alguma coisa no chão.
"O que é que você perdeu, Mullá?", perguntou-lhe:
– "Minha chave", respondeu o Mullá.
Então, os dois se ajoelharam para procurá-la. Um pouco depois, o sujeito perguntou:
– "Onde foi exatamente que você perdeu esta chave?"
"Na minha casa."
"Então por que você está procurando por aqui?"
"Porque aqui tem mais luz."

Uma Mensagem Sempre Atual



Este comercial indiano traz uma mensagem das mais batidas em qualquer lugar do mundo – a união faz a força. A diferença é que a mensagem foi renovada com imagens muito bonitas, editadas num "time" perfeito com uma música envolvente e o mote da união é uma criança sonhando.

terça-feira, 7 de julho de 2009

O Poder do Sonho

Rose Monteiro de NY

Rose é uma amiga de muitos e muitos anos. Há alguns bons anos ela reside nos EUA, trabalha numa companhia de aviação e vive voando por este mundão de meu Deus. Nós nos falamos por e-mail, msn e, às vezes, nos encontramos.
Outro dia, motivada pelos textos sobre Ribeirão que ando colocando no blog, ela enviou-me este texto falando da sua chegada em Ribeirão.
Obrigado.

A Estudante
A chegada na rodoviária de Ribeirão Preto foi histórica para mim. Depois de nove horas de viagem naquele ônibus da Viação Andorinha…eu sim me senti um pássaro libertado da gaiola, prontinha para voar. Eu tinha 17 anos…e para mim isso era o que era a cidade grande! Ribeirão Preto, 1973!
A capital do Café se preparava para receber a rainha da cocada, eu!
Bem-vinda à Unaerp! Puxa, soava como nome de escola importante… E assim eu abracei essa cidade, que mais do que poderia ser, foi pra mim um ícone de tempo, espaço e sonhos de menina.
Migrante de Presidente Prudente, cheguei para estudar.Cheia de sede, queria aprender jornalismo…
Agarrei o livro das Paginas Amarelas e. deitada no chão de um quarto de pensão na Visconde de Inhaúma, copiei todos os endereços que traziam no titulo “agencia de propaganda”, “propaganda”, “anúncios de propaganda”, “propaganda e jornalismo”, etc…etc… Acabei com um listão, que me deu o que fazer pela semana afora…
Bati de porta em porta…Era meu primeiro ano na Faculdade e queria trabalhar! Queria correr atrás do meu sonho na cidade grande, queria desafiar a dificuldade, ser alguém, queria saber de meu tamanho…queria isso, queria aquilo, queria e queria…
Com muitas portas gentilmente batidas na cara e um melhor senso de realidade, voltava para casa todo dia cabisbaixa, mas sem desanimar…Deixe estar!, pensava comigo. Amanhã começo tudo outra vez!
E não foi por acaso, que num desses dias belos, acabei reconhecida para um cargo de “estagiaria”! Era uma agência de propaganda de verdade, de nome GG Propaganda! Meu Deus! não é que me queriam?
Pense sobre a felicidade! Esse era o meu retrato…dia apos dia, depois de um expediente onde de tudo se fazia, desde arriscar escrever um texto, posar pra fotos de varejão, fazer café pro pessoal, jogar conversa fora, ser incluída numa reunião importante da Redação…Valia tudo!
Ribeirão era pura felicidade…voltava para a pensão caminhando pela Nove de Julho, cantarolando, céu sempre azul, roseado nos finais de tarde…o frescor das arvores, o comecinho da noite e sempre a promessa de um futuro…de uma novidade… de um novo amigo…aquilo mesmo que só quem vem de fora, de mais longe, de cidade menor, pode deliciosamente experimentar...

O Sino da Matriz

No centro da cidade tem o sino –
O sino da matriz,
Badalando dia e noite,
Badalando alto e forte;
Anunciando aos fiéis e infiéis
Que o tempo esta passando
E não volta nunca mais.
Texto de Bia Nogueira publicado no Guia Centro de Ribeirão - Edição Março 07

Numa esquina do centro

Parado, numa esquina do centro, esperando o semáforo me autorizar a travessia da avenida, não percebi que entre a terra e o céu pairava sobre nós a verde ramagem de uma esplêndida sibipiruna. Sob meus pés, depois notei com espanto, a grossa e macia camada dos dejetos noturnos daquelas famílias aladas que habitam os andares mais altos das árvores e que não eram anjos, não, mas nossas queridas “margosas”, ou pombas, como querem os mais exigentes de exatidão.
Não me dirigia a nenhum encontro protocolar, tampouco a qualquer tipo de reunião formal, com pessoas gradas ou graves. Meu destino, naquele momento e por sorte minha, era o estacionamento, onde deixara o carro duas horas antes.
Os mais velhos continuam afirmando que do céu só coisa boa pode cair: a chuva benfazeja, o maná que alimenta, ou penas de anjos, que se coçam distraidamente sentados nas nuvens. Tenho o maior respeito pelos mais velhos, mas desde hoje cedo me julgo no direito de não lhes dar crédito nenhum. Nem tudo que vem do alto tem parentesco com o anjo Gabriel.
Foi o que vi assustado quando senti em meu peito, quase dentro do bolso da camisa, o pequeno baque quase surdo seguido de uma sensação de umidade na altura de meu mamilo esquerdo, bem do lado do coração.
Estive a ponto de repetir essas asnices que nos vêm à mente em ocasiões semelhantes: “Não dou sorte na vida”, “Só comigo, mesmo, estas coisas acontecem”, “Por que justo comigo, meu Deus do céu?”.
O semáforo me autorizou a passagem para o lado de lá, mas não saí do lugar, inteiramente paralisado por grave problema ecológico a fervilhar em minha cabeça. Olhava meio abestalhado para aquela pequena mancha quente, escura e úmida, como se estivesse diante das chagas de Cristo com a responsabilidade de cicatrizá-las. As orelhas de todas as autoridades civis, eclesiásticas e militares do município de Ribeirão Preto devem ter esquentado muitos graus acima do normal naquela hora. Moramos sem reclamar na cloaca das pombas?, perguntei-me indignado.
Com o passar das horas, e enquanto esperava o semáforo mudar de atitude (pois sentia-o muito hostil), tentei pensar com mais calma sobre as causas de tudo aquilo e acabei chegando a alguma reflexão ainda possível a respeito da ação humana como piolho do planeta. Aliviado de todo o rancor inicial, lembrei-me de que fomos nós quem primeiro invadimos o espaço delas; derrubamos suas árvores, botamos fogo em seus ninhos e roçamos suas capoeiras. Sua opção de sobrevivência foi invadir, por sua vez, nosso espaço.
Já era quase noite quando cheguei finalmente ao estacionamento. Vinha pelo caminho pensando nas muitas titicas que o homem tem de suportar como conseqüência de suas próprias ações. E foi assim que me lembrei de asiáticos, africanos, árabes e latino-americanos fazendo cocô, que nada tem de angélico (mas que bendito cocô!), na casa dos outros.
Benditas sois vós, pombas de minha cidade, que ainda podeis ensinar-nos muitas lições sobre a vida.

Texto de Menalton Braff publicado no Guia Centro de Ribeirão - Edição Março 07

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Rua dos Cataventos

A Flipinha aconteceu paralelamente à FLIP na rua dos Cataventos, homenagem ao poeta Mário Quintana. Mas, na verdade, a Flipinha acontece durante todo o ano em Paraty. Uma equipe da Associação Casa Azul , responsavel pela realização da Flipinha, desenvolveu um trabalho com 800 professores da rede municipal de ensino, com oficinas de poesia, ilustração e mediação de leitura. Neste ano material incluiu orientações de como trabalhar na sala de aula o homenageado da FLIP, Manuel Bandeira. A programação da Flipinha contou com autores como Carlos Heitor Cony, Marina Colasanti, Nilma Lacerda, Ruth Rocha, Roseana Murray entre outros.

O Turismo Predatório

Na sexta-feira, dia 3 de julho, durante a FLIP, as ruas de Paraty assistiram a uma manifestação popular dos representantes dos indígenas, quilombolas e caiçaras, que estão sendo ameaçados e forçados a mudar de seus locais por grupos de empresas imobiliárias que estão projetando resorts e marinas com o fechamento de 3 praias.
Chico Buarque, no final de sua mesa de debate com Milton Hatoum, manifestou-se apoiando a reivindicação dos moradores da terra. Foi muito bom ouvir a sua palavra, porque não podemos mais permitir que o poder econômico continue destruindo nossa beleza natural e ignorando o ser humano nativo e sua história.

Uma Festa Universal

A cidade de Paraty é um dos locais mais charmosos deste nosso Brasil. As casas coloniais, as pedras que calçam suas ruas, os bares, restaurantes, cafés, lojas junto ao mar com seus barcos, formam uma paisagem única e muito bonita.
Durante os dias da FLIP - Feira Literária Internacional de Paraty, de 01 a 05 de julho - além de toda beleza natural - pode-se assistir a palestras e debates com intelectuais como Gay Talese, António Lobo Antunes, Chico Buarque, Minton Hatoum, Catherine Millet, Maria Rita Kehl, que estavam entre os participantes desse ano. É um belo encontro entre escritores e leitores.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Pina Bausch

Morreu hoje, depois de 5 dias do diagnóstico de um câncer, de maneira tranquila, a coreógrafa e bailarina Pina Bausch que tinha 68 anos.
Não entendo nada de dança. Mas, confesso que quando assisti, pela primeira vez, a um trabalho da artista, fiquei apaixonado. Seu trabalho era uma mistura de dança e teatro com uma leveza e beleza de movimentos que nos deixava paralisados.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

O Quadrilátero

Texto de Ademar Cardoso de Souza publicado no Guia Centro de Ribeirão - Edição Março 07

A Bandeira que carrego no peito

A Praça da Bandeira era linda, acredite. Eu passava por lá quase todos os dias da minha infância e juventude. Para nós era a praça da Catedral. Lá ficava a Livraria Católica, a Casa Glória, o Foto Miyasaka, o Diário de Notícias. Do outro lado, a Faculdade de Farmácia e Odontologia e a Gruta Gelada, que vendia refrescos gaseificados, deliciosamente espumantes, feitos na hora.
Cortada ao meio pela Rua Florêncio de Abreu, a parte de baixo da Praça da Bandeira era a mais bonita, mais cheia de árvores e pássaros. Cercada de majestosas palmeiras imperiais – como as que ainda enfeitam a Avenida Jerônimo Gonçalves –, havia uma profusão de bancos para sentar, ler e namorar, sem sujar a roupa. Ninguém sentava no encosto do banco e metia os pés no assento. Quebrar um banco? Nem pensar! Havia respeito e, como garantia do respeito, um guarda. Farda caqui, cassetete de madeira e pouca tolerância com moleque malcriado, cada praça tinha seu guarda pago pelo Município. Os bancos ficavam inteiros, ninguém pisava na grama e ai de quem metesse os pés no assento.
Na parte de baixo, na Rua Tibiriçá, havia um recanto cercado de figueiras bravas, com uma fonte e um laguinho. Era meu preferido, quando dava o cano do ginásio da Associação de Ensino. A escola ficava na Rua Américo Brasiliense, onde foi depois a Ceterp e hoje há uma agência da Caixa. Matando as aulas pagas pelo meu pobre pai, conversava fiado com os companheiros de vagabundagem, no geral o Gama, o Bilico, o Edmilson Leão – irmão do goleiro da Seleção que hoje é técnico do Corinthians.
Na esquina, Tibiriçá com América Brasiliense, ficava estacionado um carrinho de sorvete do Bernardino. Era pilotado pelo seu Antônio – nunca soubemos o sobrenome – que a gente chamava de Véio. Gozador malicioso e piadista, era amigo de todo mundo, mas não vendia fiado nem para o Capeta. O Véio Antônio não usava dessas conchinhas de bola para encher as casquinhas. Tirava o sorvete com uma colher de sopa, era mais generoso com as porções dos amigos e fazia comentário malicioso quando algum incauto pedia que enfiasse – o sorvete, claro – bem no fundo: “Ah, ele quer que enfie bem no fundo, he, he, he”. E a gente uivava...
Deus queira que Véio esteja vivo, mas tenho cá comigo que ele já se foi. Assim como já foram o Filhinho, o Eulisses e o Mário, da barbearia Smart, na Barão do Amazonas, o Toni Miyasaka, o “padre” Celso, diretor do Diário de Notícias, o bispo Mousinho e a dona Anna, minha santa mãe, que amava o centro da cidade e, particularmente, a Praça da Bandeira. Também já reduziram a pó o palacete de 12 janelas da Barão do Amazonas com Americano Brasilense, os casarões da gente fina que cercava a Praça e foi-se ao vento nossa infância querida, que os anos não trazem mais.
Ficou esse arremedo de logradouro que chamam agora – erradamente – de “praça das bandeiras”: um pavoroso depósito de merda de pombo, tomado por posseiros urbanos e barracas sujas de plástico azul. Gente que, com a incompetência ou cumplicidade da autoridade pública, loteou para si um espaço pertencente aos 550 mil habitantes de Ribeirão Preto.
Sei que o tempo não regride, que a infância não volta e tampouco os mortos ressuscitam. Isso passou. Mas, quanto à Bandeira, não abro mão:
Quero de volta minha Praça querida!, pois que a praça era do povo!
Texto de Luiz Augusto Michelazzo publicado no Guia Centro de Ribeirão - Edição Março 07

Samuel Butter

domingo, 28 de junho de 2009

Mario Quintana



sábado, 27 de junho de 2009

Políticos são Políticos em Qualquer Lugar

Como a gente pode ler nesta frase do grande Charles Chaplin, políticos são sempre questionados e colocados em cheque. Nós brasileiros temos a tendência de acreditar que os políticos brasileiros são os piores e mais sujos do mundo. Mas, quanto mais nos informamos, mais claro fica que essa doença é universal. Acabamos de assistir os políticos ingleses, na Câmara dos Lordes, pagarem contas particulares com dinheiro dos cofres públicos, isto é, dinheiro dos cidadãos contribuintes.

ISADORA DUNCAN

Só uma grande artista como a Isadora Duncan para definir em uma frase a importância do amor.