terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Paulo Leminski

Sem Budismo
Poema que é bom
acaba zero a zero.
Acaba com.
Não como eu quero.
Começa sem.
Com, digamos, certo verso,
veneno de letra,
bolero, Ou menos.
Tira daqui, bota dali,
um lugar, não caminho.
Prossegue de si.
Seguro morreu de velho,
e sozinho.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Fernando Pessoa

Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.


Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.

"Up - Altas Aventuras" Ganha o Annie

 
O filme "Up - Altas Aventuras" ganhou o prêmio de melhor filme de animação na 37ª edição do Annie Awards. O Annie é considerado o Oscar da animação.
Concorriam ao prêmio do Annie, que destaca apenas filmes de animação, "A Princesa e o Sapo", "O Fantástico Sr. Raposo", "Tá Chovendo Hamburguer", "Coraline" e "O Segredo de Kells". Todos eles, exceto "Tá Chovendo Hamburguer", são indicados ao melhor longa de animação no Oscar deste ano.
"Up - Altas Aventuras" concorre ainda ao Oscar de melhor filme.
Os vencedores do Annie foram anunciados no último sábado em uma cerimônia em Los Angeles.
da Associated Press - Los Angeles

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Bebida Pode!

Estamos vivendo uma época das mais loucas da história da humanidade. E sabe por quê? Porque não é mais você que define o que é bom ou ruim pra você. Também não é sua mãe, família ou amigos, é simplesmente o marketing, seja na propaganda ou na política. O marketing tomou conta de tudo, e estabelece parâmetros de certo e errado, de tal forma que nem é questionado.
Não é necessário ter muita cultura ou educação para saber que o álcool é das piores drogas que existem. Quem conhece um viciado em álcool sabe como é triste conviver com uma pessoa nesse estado e como é difícil tratar a dependência. Hoje, eu li uma reportagem na Folha de São Paulo, revelando que 25% da população consome 100% do álcool produzido no Brasil. Mas não importam os estudos e nem a realidade, acredite ou não, o marketing definiu que cerveja não é bebida alcoólica, é só um suco de cevada. Assim sendo, a nossa gloriosa seleção brasileira de futebol é patrocinada pela cerveja Brahma, e o técnico da seleção, o sério e duro Dunga, e o Ronaldo, o fenômeno, um dos maiores ídolos da atualidade, batem no peito e dizem que ser guerreiro é fundamental, exaltando o beber cerveja.
Agora, o mesmo marketing definiu que o cigarro é o grande vilão da atualidade, então, fumar agora, nem debaixo da marquise do edifício em que você mora isso é permitido. Fumar hoje é pior que usar droga pesada, as pessoas olham o fumante como se você fosse um cidadão de segunda classe. E o poder do marketing é tão forte que a grande maioria das pessoas nem o questiona, mas se submete a ele docilmente.
Para terminar, quero deixar claro que não sou fumante.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Os Portugueses Ensinando o Mundo

No ano de 2000, Portugal descriminalizou todas as drogas, da maconha à heroina, todas as drogas tornaram-se aceitas em quantidades pequenas por usuário. A partir de então, toda vez que alguém foi pego usando uma droga, ao invés de ser tratado como bandido, começou a ser tratado como doente e encaminhado para tratamento.
Hoje, 10 anos depois, Portugal se orgulha de sua legislação e da melhora expressiva nos indíces de drogados e no tráfico de drogas, que diminuíram.
Sinceramente, não consigo entender como os políticos e governantes em nosso país não enxergam que a única forma de enfrentar esse problema é esclarecendo e educando, tratando os viciados como doentes e oferecendo-lhes atendimento de primeira qualidade, como é obrigação do Estado.
Matéria publicada na Revista Época

Alice no País das Maravilhas

O filme em 3D, dirigido por Tim Burton sobre o clássico de Lewis Carrol vai chegar aos cinemas americanos no começo de março. A Disney Films vem divulgando desde o ano passado fotos e comentários sobre o filme, agora, foi a vez dos cartazes. Veja nos links mais informações já publicadas aqui no blog.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Ribeirão Fazendo Sucesso Em Sampa

Os ribeirãopretanos Mateus Barbassa, diretor do grupo de teatro Acima do Bem e do Mal e Lucas Arantes, jornalista, escritor e dramaturgo, autor de Suspensão, uniram-se para a montagem dessa peça que foi apresentada até ontem, no Teatro Satyros Um, na praça Roosevelt, na capital paulista, com sucesso de público e  de crítica.
É com orgulho que publico abaixo a crítica do jornal O Estado de São Paulo, assinada pelo jornalista e crítico Jefferson Del Rios.
Foto de Adalberto Lima, Mateus Barbassa e Maria Angélica Braga.
JEFFERSON DEL RIOS, Crítica, ESPECIAL PARA O ESTADO  
Pode-se chamar Suspensão de um espetáculo estranho, e, em parte, será elogio. A produção do grupo Acima do Bem e do Mal, de Ribeirão Preto, têm clarões, pontos dispersos ou obscuros, mas, quase sempre, um clima intenso. É teatro na vertente existencial, entre Beckett e Sartre, com o ponto de vista de um autor novo, Lucas Arantes. O dramaturgo de 23 anos, também jornalista profissional, teve outros aprendizados, dentre eles a psicanálise que estudou por quatro anos. Ecoar Freud em meio a temas filosóficos e mitológicos é tentador; o difícil é dar-lhes arcabouço e consistência como literatura. Lucas, que também faz poesia e romance (O Outro Estranho) corre seu risco no teatro. Consegue em parte seu objetivo.
Na primeira sequência, a peça reúne um trio (o casal e o avô) que se descobre sozinho no mundo. As cidades, os objetos, comida, combustível e dinheiro estão intactos, mas a humanidade desapareceu. De início, o benefício de serem donos de tudo preenche suas vidas. O que se segue, porém, é o tédio perplexo e, em seu prolongamento, os choques de interesses. Colapso familiar quando se revelam carências, sonhos e medo.
No segundo movimento, surge, assim, do nada, uma dupla estranha, improvável, mas não impossível, de sobreviventes ou fruto do delírio coletivo. Todo conflito gira em torno deste beco sem saída. O autor faz seu contraponto a Entre Quatro Paredes. Se na obra de Sartre “o inferno são os outros”, Lucas, ao contrário, proclama a importância do outro na nossa existência. Esclarece, porém, que quando se refere ao “outro” não pensa somente em outra pessoa, mas nos mecanismos simbólicos construídos pela sociedade como jornais, religiões, ambiente de trabalho, enfim, todos os rituais diários. Durante a ação, essas figuras, embora habitando um espaço real (são mencionadas algumas cidades), vivem no território mental das obsessões. A tensão maior surge com a fantasia da mulher em repovoar a Terra com o marido. De quebra, o que fazer do velho? Até aqui vai a linha mestra da história.
A seguir se dispersa em acréscimos próximos à ficção científica (referências aos mecanismos da reprodução humana, por exemplo). Foi esquecido que Kafka e Beckett criaram situações basicamente esquemáticas. A transcendência delas está na linguagem de múltiplos subentendidos; ou no silêncio. A outra parte, visual, a que se assiste, é acréscimo da encenação sobre estes ambientes (Orson Welles recriou O Processo. É cinema de Welles e puro Kafka).
O diretor Mateus Barbassa domina o espaço, efeitos de luz e som e, sobretudo, o muito bom rendimento do elenco. Todo o projeto é marcado pela vontade de realizar um “teatro pós-dramático” do ensaísta alemão Hans-Thies Lehmann.
O termo, já meio tedioso pela saturação de tantos “pós”, refere-se, entre outras premissas, à fragmentação da linguagem, ao fim da linearidade psicológica e a inclusão de recursos audiovisuais à narrativa. Não será mal, contudo, se autor e grupo atentarem para a ansiedade da influência que revelam com tantas citações postas em cena. O nome da companhia é engenhoso, mas este “acima do bem e do mal”, ironia à parte, pode levar a uma autossuficiência hermética, hostil ao espectador. É comum se dizer que o artista tem a obrigação de se reinventar a cada dia. Só que a pressa em ser “pós-alguma coisa” pode dispersar energias. O ideal é que o nome Acima do Bem e do Mal seja uma brincadeira, não uma certeza fechada em si mesma.
Quando não estão tão preocupados com Lehman, o diretor e companheiros apresentam um teatro vital. Por outras palavras, enquanto o talento de Lucas Arantes e Barbassa correm mais esquecido de ser contramão, os bons intérpretes Fernanda Lins, Maria Angélica Braga, Ademir Esteves, Davi Tostes, Lucas Chaves levam a montagem a um nível do qual Ribeirão Preto deve orgulhar-se e que, discretamente, se faz notar em São Paulo.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Scott Campbell

 
Descobri Scott Campbell, um ilustrador californiano do primeiro time, na revista Ilustrar. E, como a revista fez uma belíssima materia com entrevista e tudo, não vou ficar copiando e colando, basta você acessar o site e curtir o Scott C. (como ele é conhecido) e a revista Ilustrar, que é uma obra de arte. Abraços.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Mundinho Animal

Nascido no Rio de Janeiro, Arnaldo Allemand Branco, 35 anos, é cartunista e jornalista. Autor e co-criador, entre outros, de personagens como Capitão Presença e Joe Pimp - publicado atualmente na revista 'Sexy' -, Branco é conhecido por seu humor ácido e politicamente incorreto e o desenho de traços toscos e infantis. Bom com as palavras, destila pílulas diárias de Mau Humor no blog homônimo e trabalhou recentemente na adaptação para quadrinhos da peça "O beijo no asfalto", de Nelson Rodrigues - as ilustrações são de Gabriel Góes. As tiras do Mundinho Animal você encontra no G1.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Mais Quadras de Fernando Pessoa

Duas horas te esperei
Dois anos te esperaria.
Dize: devo esperar mais?
Ou não vens porque inda é dia?

Teus olhos querem dizer
Aquilo que se não diz...
Tenho muito que fazer...
Que sejas muito feliz!

Não há verdade na vida
Que se não diga a mentir.
Há quem apresse a subida
Para descer a sorrir.

Outro Postal

Garotos filipinos participam de procissão anual em Manila. Milhares de fieis levam suas imagens de menino Jesus, na crença que lhes trará sorte e saúde Aaron Favila/AP

sábado, 30 de janeiro de 2010

Kleber Sales

 
Kleber Sales é um ilustrador de Brasília que atua diretamente no mercado editorial. Seu trabalho, como vocês podem perceber, têm uma delicadeza e suavidade que  nos atrai à distância. E, conforme observamos, percebemos que no seu trabalho não existe um traço a mais, ele só utiliza o estritamente necessário. Se quiser conhecer melhor o trabalho de Kleber Sales, visite o site:
 

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Leminski Brotando Nas Ruas

Uma obra de concreto nascendo em Curitiba e obras de artes brotando nos tapumes

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Che Guevara

"Se não há café 
para todos, não 
haverá para ninguém."

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Uma Revista de Ilustradores

 
A revista Ilustrar é a primeira publicação 100% brasileira feita por ilustradores. Ricardo Antunes é o grande comandante desta empreitada que é uma verdadeira beleza. A revista é finalizada em PDF e é inteiramente grátis. Basta acessar a revista no site:  www.revistailustrar.com e baixar a edição que quiser. A períodicidade é bimestral, saindo todo primeiro dia do mês impar.
Ah! Para finalizar, a revista pode ser impressa e distribuida por quem quiser, desde que seja impressa na totalidade, sem alterações.

SE É


Arte é algo muito interessante. Uma lata de spray, uma frase e uma parede velha com duas janelas protegidas por grades. Pronto, tá aí um belo postal.

Ayahuasca o Santo-Daime

O governo brasileiro oficializou ontem, dia 26 de janeiro, as regras para o uso religioso da ayahuasca, erva de que se faz o chá conhecido como o santo-daime, utilizado em cerimônias religiosas, principalmente no Norte do Brasil.
Por diversas vezes, nos últimos 20 anos, tentaram proibir a utilização da erva alegando ser uma droga. Em 2004, numa atitude inteligente do governo, criaram um grupo de estudos  multidiciplinar  que análisou o uso religioso do chá e resultou na oficialização agora.

Odilla Mestriner é Fruto da Terra


A partir de ontem, dia 26 de janeiro, o Espaço Cultural Citi da Avenida Paulista recebe a exposição com trabalhos da pintora, desenhista e gravadora ribeirãopretana Odilla Mestriner (1928-2009). A mostra traz 32 trabalhos realizados entre 1960 e 2007, sendo 40% inéditos para o grande público. Até 26 de fevereiro de 2010 (Av. Paulista, 1111, térreo; de segunda a sexta, das 9h às 19h, e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 17h). Grátis. Mais informações no telefone 0/xx/11/4009-3000

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Glauco Villas-Boas


Nos anos 1970, no Ginásio Estadual Otoniel Mota, em Ribeirão Preto, apareceu um menino magro, simpático, que desenhava charges dos amigos, professores e secretárias da escola. Logo depois, o José Hamilton RiIbeiro, jornalista dos mais respeitados do país, que na época editava o jornal O Diário da Manhã, levou o rapaz para publicar as histórias de "Rei magro e Dragolino". Em 1976 ele foi premiado no Salão de Humor de Piracicaba e, depois disso, nunca mais parou. Este rapaz é o Glauco Villas-Boas, irmão do Pelicano, natural de Jandaia do Sul, no Paraná.

domingo, 24 de janeiro de 2010

O Princípio do Vazio

Foto de Gregory Colbert e texto de Joseph Newton
Tens o hábito de juntar objetos inúteis acreditando que um dia (não sabes quando) vais necessitar deles?
Tens o hábito de juntar dinheiro sem gastá-lo, pois imaginas que ele poderá faltar no futuro?
Tens o hábito de guardar roupas, sapatos, móveis, utensílios domésticos e outras coisas que já não usas há muito tempo?
E dentro de ti?...
Tens o hábito de guardar raivas, ressentimentos, tristezas, medos e outros sentimentos negativos?
Não faças isso!
Vai contra a tua prosperidade!
É preciso deixar um espaço, um vazio para que novas coisas cheguem à tua vida.
É preciso se desfazer do inútil que há em ti e em tua vida para que a prosperidade possa acontecer.
A força deste vazio é que atrairá e absorverá tudo o que desejas.
Se acumulares objetos e sentimentos velhos e inúteis não terás espaço para novas oportunidades.
Os bens necessitam circular. Limpe as gavetas, os armários, o depósito, a garagem… A mente…
Doe tudo aquilo que já não usas…
A atitude de guardar um monte de coisas inúteis só acorrenta a tua vida.
Não são só os objetos guardados que paralisam a tua vida.
Eis o significado da atitude de guardar: quando se guarda, se considera a possibilidade de falta, de carência…
Acredita-se que, amanhã, poderá faltar e que não haverá maneira de suprir as necessidades…
Com esse pensamento, estás enviando duas mensagens ao teu cérebro e à tua vida:
A de que não confias no amanhã;
E que o novo e o melhor NÃO são para ti…
Por isso te alegras guardando coisas velhas e inúteis!
Até o que já perdeu a cor e o brilho...
Deixa entrar o novo em tua casa…
E dentro de ti…
Boa sorte!
O bom da net é isso! Quem é frequentador da net sabe que mensagens furadas circulam diariamente pela rede em grande quantidade. Mas, sabem também, que  circulam muitos textos ótimos, de escritores desconhecidos. Este texto do Joseph Newton,  de quem, confesso, nunca tinha ouvido falar, é um dos que aparecem do nada e vestem perfeitamente nossos pensamentos, idéias e até posições, não é?

Desenho Animado de 1908


Em 1906 já existiam artistas na Europa e nos Estados Unidos entretidos em fazer desenhos animados. Este desenho é de 1908 e foi realizado pelo francês Émile Cohl, que fazia desenho em quadro negro partindo de traços pequenos e individuais. Seus trabalhos foram considerados obras-primas na época.
Se quiser mais informações sobre a história do desenho animado, passe pelo Blog:

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Mais Mário Quintana


Presente do meu amigo José Márcio. Poema de Mário Quintana, intitulado As tuas mãos, sendo declamado por Flavio de Figueiredo Alves, falecido pai de Zé Márcio.

Mário Quintana

Há noites que eu não posso
dormir de remorso por tudo
o que eu deixei de cometer.

Rubem Alves

A saudade é a nossa
alma dizendo para
onde ela quer voltar.

Amir Klink

Quem tem um amigo,
mesmo que um só,
não importa onde se
encontre, jamais sofrerá
de solidão; poderá morrer
de saudades, mas
não estará só.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Manoel de Barros

A namorada
Havia um muro alto entre nossas casas.
Difícil de mandar recado para ela.
Não havia e-mail.
O pai era uma onça.
A gente amarrava o bilhete numa pedra presa por
um cordão
E pinchava a pedra no quintal da casa dela.
Se a namorada respondesse pela mesma pedra
Era uma glória!
Mas por vezes o bilhete enganchava nos galhos da goiabeira
E então era agonia.
No tempo do onça era assim.
Texto extraído do livro "Tratado geral das grandezas do ínfimo"

Editora Record - Rio de Janeiro, 2001, pág. 17.
http://www.releituras.com/manoeldebarros_bio.asp

Sábio Millôr


quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Mario Quintana

"Sonhar é acordar-se
para dentro."

Victor Hugo

"O espírito se enriquece
com aquilo que recebe.
O coração,
com aquilo que dá."

domingo, 17 de janeiro de 2010

Florbela Espanca

Eu quero amar... amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
       ...mais este e aquele. o outro e toda gente...
                              Amar! Amar!
                      E não amar ninguém!