quarta-feira, 17 de março de 2010

Affonso Romano de Sant'Anna

O Homem e a sua Sombra IV  
Um homem deixou de alimentar
a sombra que carregava. Alegou razões de economia.


Afinal para quê de sobejo levar algo que o duplicava?

Sem sombra, pensou
melhor carregaria o que nele carregava.


Equivocou-se. Definhou.
Descobriu, então, que a sombra o sustentava.

terça-feira, 16 de março de 2010

Ribeirão Preto no Festival de Curitiba

Pessoal, desculpas, a informação que coloquei sobre a Cia. Ribeirão Em Cena, era sobre o ano passado. Este ano, na 19ª edição do Festival de Teatro de Curitiba, o grupo de Ribeirão Preto apresenta o espetáculo “A Maldição do Vale Negro”.
Prêmio Molière para dramaturgia nacional em 1988, “A Maldição do Vale Negro”, é um dos mais excitantes textos do consagrado Caio Fernando Abreu. Nele o autor comprova que nada pode ser mais engraçado que um dramalhão levado às últimas conseqüências. E é justamente por não ter medo de parecer melodramático ou ridículo que “A Maldição do Vale Negro”, configura-se em uma surpresa para a dramaturgia. O texto, inspirado no estilo francês do final do século 18, é uma paródia do melodrama clássico.
Nesta montagem do Núcleo Nuvem da Noite/Ribcena, de Ribeirão Preto, a diretora Gracyela Gitirana foi mais longe. Usou o texto de Abreu para desenvolver uma ampla pesquisa com bonecos híbridos, ou seja, técnica onde os títeres estão”colados” ao corpo do ator.
A Maldição do Vale Negro parte de um drama mirabolante. Rosalinda (Camila) é a mocinha sofredora que desconhece um segredo ocultado pela maquiavélica governanta Ágata . A história ocorre na província de Castelfranc, França, no castelo dos Belmont, que se ergue imponente no alto do Vale Negro.
O Núcleo Nuvem da Noite, que em 2009 participou do Fringe com “Um Grito Parado No Ar” de Gianfrancesco Guarnieri, integra a ONG Ribeirão Em Cena, entidade de difusão cultural e inclusão educacional, criada em Ribeirão Preto-SP/ Brasil, que constitui um verdadeiro centro de ação teatral onde se cruzam áreas e componentes diversos da vida do teatro: a formação de atores, a produção e difusão de espetáculos universitários,profissionais, experimentais e alternativos, realização de mostras e festivais de teatro.
O autor
Caio Fernando Loureiro de Abreu é gaucho de Santiago. Jovem ainda mudou-se para Porto Alegre onde publicou seus primeiros contos. Cursou Letras na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, depois Artes Dramáticas, mas abandonou ambos para dedicar-se ao trabalho jornalístico no Centro e Sul do país, em revistas como Pop, Nova, Veja e Manchete, foi editor de Leia Livros e colaborou nos jornais Correio do Povo, Zero Hora, O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo. No ano de 1968 — em plena ditadura militar — foi perseguido pelo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), tendo se refugiado no sítio da escritora e amiga Hilda Hilst, na periferia de Campinas (SP). Considerado um dos principais contistas do Brasil, sua ficção se desenvolveu acima dos convencionalismos de qualquer ordem, evidenciando uma temática própria, juntamente com uma linguagem fora dos padrões normais. Em 1973, querendo deixar tudo para trás, viajou para a Europa. Primeiro andou pela Espanha, transferiu-se para Estocolmo, depois Amsterdã, Londres — onde escreveu Ovelhas Negras — e Paris. Retornou a Porto Alegre em fins de 1974, sem parecer caber mais na rotina do Brasil dos militares: tinha os cabelos pintados de vermelho, usava brincos imensos nas duas orelhas e se vestia com batas de veludo cobertas de pequenos espelhos. Assim andava calmamente pela Rua da Praia, centro nervoso da capital gaúcha. Em 1983 transferiu-se para o Rio de Janeiro e em 1985 passou a residir novamente em São Paulo.
Volta à França em 1994, a convite da Casa dos Escritores Estrangeiros. Lá escreveu Bien Loin de Marienbad. Ao saber-se portador do vírus da AIDS, em setembro de 1994, Caio Fernando Abreu retorna a Porto Alegre, onde volta a viver com seus pais. Põe-se a cuidar de roseiras, encontrando um sentido mais delicado para a vida. Foi internado no Hospital Menino Deus, onde faleceu no dia 25 de fevereiro de 1996.
Serviço
A Maldição do Vale Negro. De Caio Fernando Abreu
Com o Núcleo Nuvem da Noite/Ribcena
Elenco: Joubert de Oliveira, Gracyela Gitirana, Rafael Félix, Stella Provinzano, Gabriel Oliveira, Aidê Quirino, Rodrigo Oliveira e Camila Deleigo
Direção: Gracyela Gitirana
Duração : 50’
Local: Casa Hoffmann
Dias 21,22,23,24 de março
Ingresso R$ 20 e R$ 10 estudantes,professores, terceira idade.

19ª edição do Festival de Teatro de Curitiba

Renata Sorrah e Daniel Dantas em cena na peça Macbeth
De hoje, até o dia 23 de março acontece a 19ª edição do Festival de Teatro de Curitiba. Este ano são mais de 400 espetáculos, entre eles a peça Macbeth.
O Festival de Teatro de Curitiba, criado em 1992, é uma referência de qualidade e representatividade dos grupos de teatro de todo Brasil.
Mesmo a distância vale a pena acompanhar, porque alí surgem os novos sucessos que vão correr o Brasil.
Mais informações:

Ordem do Estilingue

Luis Leite Lopes, Antônio Diederichsen, Sinhá Junqueira e Osvaldo Pereira Cunha. A Ordem do Estilingue era uma comenda criado por sugestão dos jornalistas da cidade e oficializada pela prefeitura, homenagenado figuras proeminentes da cidade. Cabia aos homenageados o direito de "estilingar" sem ser "estilingado".

Juarez Machado

A revista Ilustrar edição número 15, que saiu no dia 01 de março, trás uma entrevista (15 perguntas) com um dos maiores artistas vivos do Brasil, o ilustrador, pintor, escultor, desenhista, gravurista, ator Juarez Machado. Residindo em Paris desde 1986, Juarez continua produzindo em grande quantidade e, cada vez, com mais qualidade.
Se você conhece o trabalho do Juarez, passe pelo site da revista para ver os trabalhos atuais dele. Se não conhece, passe por lá que é imperdível.
Parabéns a revista Ilustrar por mais essa edição.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Uma Interferência Artística

Ontem pela manhã, foi retirado pelos responsáveis pela Cow Parede, os dois touros que o artista plástico Eduardo Srur confeccionou e utilizou para fazer uma interferência na exposição Cow Parede que acontece em São Paulo. Como bons touros, foram colocados cobrindo duas vacas da exposição, uma localizada na Av. Paulista e outra da Av. Faria Lima.

Abra a Cabeça!

Porque a mente é como um paraquedas, 
só funciona depois de aberta.
(Frank Zappa)

sábado, 13 de março de 2010

2 Quadras de Pessoa

Dona Rosa, Dona Rosa,
Quando eras inda botão
Disseram-te alguma cousa
De a flor não ter coração?

Dona Rosa, Dona Rosa,
De que roseira é que vem,
Que não tem senão espinhos
Para quem só lhe quer bem?

sexta-feira, 12 de março de 2010

LUTO

Glauco 
Villas 
Boas
e 
Raoni
Foram assassinados brutalmente, na porta de sua residencia em Osasco, o cartunista Glauco Villas Boas e seu filho Raoni Ornellas Pires Villas Boas. Meus sentimentos!
 Desenho de Fábio Rex
lhttp://nadanovodebaixodosol.blogspot.com/2010/01/glauco-villas-boas.html

quarta-feira, 10 de março de 2010

Véronique Groseil

Véronique Groseil começou a desenhar e pintar com 17 anos de idade. Ela faz livros numerados e datados. Estes trabalhos que ilustram o Blog, são da época que estudou em Paris. Na região da Picardia ela encontrou notas, documentos antigos e livros, e  resolveu mudar sua função original.
Passe pelo site dela e veja a grande variedade de desenhos, ilustrações das suas coleções.

terça-feira, 9 de março de 2010

João Catarino

Passeando pelo Blog do Eduardo Salavisa – que já aprensentei aqui no meu Blog – encontrei referências de varios outros blogs de artistas que desenham cenas do cotidiano em cadernos. E, João Catarino, um português de 44 anos, de Carcavelos, Lisboa, foi um dos que mais me chamou a atenção.
Seu Blog é uma volta pelo prazer. São traços enxutos, que conseguem ir além do próprio desenho.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Bertold Brecht

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.

Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.
 
Veja que beleza de propaganda. Vocês acham que alguma criança vai ter qualquer dúvida quanto ao curativo que deve usar na próxima vez que se machucar? Publicado em Portugal.

Fernando Pessoa

"Quero, terei
Se não aqui,
Noutro lugar que ainda não sei.
Nada perdi.
Tudo serei".

As Mulheres e o Seu Dia

O Dia Internacional da Mulher, celebrado no dia 8 de Março, tem origem nas manifestações femininas por melhores condições de trabalho e direito de voto, no final do século XIX (existem notícias de manifestações das operárias da indústria têxtil datadas do ano de 1857) e início do século XX, na Europa e nos Estados Unidos.
A data foi adotada pelas Nações Unidas, em 1975, isto é, mais de 100 anos depois das primeiras manifestações, para lembrar tanto as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres como as discriminações e as violências a que muitas mulheres ainda estão sujeitas em todo o mundo.
Desde então, a data também tem sido utilizada para fins meramente comerciais, perdendo-se parcialmente o significado original.
Eu, particularmente, não gosto de datas comemorativas. Principalmente quando se fala de minorias. Dia do Índio, dia da Mulher, dia do Negro, enfim, dia de seres humanos, que pela constituição e bom senso, devem ter todos os mesmo direitos, sem qualquer tipo de discussão.
Quando a sociedade fica exposta, principalmente em fraquezas com respeito a minorias, logo aparece um deputado, vereador ou senador para instituir o Dia do desgraçado. Fica parecendo que tudo mudou e tudo fica igual.
Por tudo isso, espero que este 8 de março de 2010, sirva como uma reflexão, não só das mulheres sobre as mulheres, mas de todos sobre todos os seres humanos. Sobre aqueles que estão sofrendo a falta de educação, de saúde, de alimentação básica, os quais, de acordo com a ONU, já são mais de um bilhão de habitantes, 1/6 da população da terra.
E sobre esses assuntos, as grandes nações, os grande políticos e pensadores, continuam brincando de reunir-se e não ter nem propostas para serem discutidas.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Um novo logotipo

DiskGelo é a distribuidora de gelos da empresa Carvão Vô Jão de Ribeirão Preto. Este logotipo foi feito no final de 2009.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Orlandeli Novamente!

 
Essa ilustração saiu ontem na capa do jornal Folha de São Paulo. É um trabalho do Orlandeli de São José do Rio Preto, que já apresentei aqui no Blog (Orlandeli) com trabalhos de quadrinhos. Esse rapaz merece toda antenção.

Carta às Elites Empresariais Brasileiras

Por Oded Grajew, no jornal Folha de S. Paulo
As elites empresariais só deveriam 
financiar e apoiar candidatos com ficha 
limpa. Elas precisam compatibilizar 
discurso e prática
NA CAMPANHA de 2002, o candidato Lula, tentando afastar os temores das elites nacionais, lançou a “Carta ao Povo Brasileiro”, na qual se comprometeu a manter as bases da política econômica e respeitar os compromissos assumidos com organismos internacionais.
Lula sabia que, pelo sistema que vigora até hoje de financiamento de campanhas e pela influência das empresas de comunicação sobre os eleitores, dificilmente um candidato a presidente seria eleito sem um substancial apoio empresarial.
Na realidade, era uma carta dirigida às elites empresariais brasileiras, isto é, às lideranças compostas pelos dirigentes das maiores empresas e das entidades representativas do setor.
O Brasil tem melhorado. Olhando, porém, nossos indicadores sociais, a qualidade de nossos políticos e dos serviços e políticas públicas, o funcionamento do nosso sistema judiciário, os índices de degradação ambiental, a violência na sociedade e a corrupção nas relações sociais, econômicas e políticas, certamente podemos concluir que estamos muito longe do desejável e dos indicadores de desenvolvimento humano, de justiça social e de qualidade de vida atingidos pela maioria dos países desenvolvidos e de vários outros países até mais pobres do que o Brasil.
Nossas elites empresariais são muito poderosas. A maioria dos nossos políticos (e na democracia a maioria decide) são simples representantes das empresas que financiam suas campanhas. As empresas de comunicação exercem um enorme impacto sobre as decisões políticas, de consumo, de comportamento e de valores dos cidadãos.
As elites empresariais (da qual também faço parte) declaram que chegaram aonde chegaram graças a muito trabalho e competência, assegurando para si praticamente todos os direitos, como acesso a boa educação, saúde, moradia, transporte, segurança (gastam fortunas para se proteger), aposentadoria, lazer e cultura.
A mesma competência e dedicação deveriam agora ser usadas para que o grande poder acumulado pudesse ser convertido em correspondente responsabilidade pelo bem-estar de todos. E que tantos direitos assegurados sejam acompanhados de deveres com o país em que cresceram e vivem.
As elites empresariais deveriam financiar e apoiar apenas candidatos com ficha limpa, comprometidos em fazer a reforma que moralize o sistema político, em promover as mudanças que recuperem a credibilidade na Justiça e nas instituições democráticas, em implementar as justiças fiscal e tributária, em aprovar orçamentos públicos que sejam norteados pelo combate à desigualdade e em mudar legislações para que tenhamos mais empregos, trabalho decente e aposentadoria digna para todos. Também deveriam exigir dos candidatos e dos eleitos serviços públicos de qualidade, à altura da nossa carga tributária (das maiores do mundo).
As elites empresariais, que têm pleno conhecimento dos enormes riscos do atual modelo de desenvolvimento, deveriam usar seu poder para mudar nossos processos de produção e consumo e nossa relação com o meio ambiente e ajudar o promover o desenvolvimento sustentável do país.
As elites empresariais são formadoras de opinião, influenciam muitas pessoas pelo exemplo e comportamento. Nas ações, no dia a dia, na vida pessoal e na empresa, é fundamental serem coerentes com os valores declarados publicamente, compatibilizar discurso e prática.
Precisam respeitar as leis, ter um comportamento ético e cidadão, promover a cultura da solidariedade e da não discriminação, adotar hábitos de consumo que respeitem o meio ambiente, valorizar a vida e o bem-estar das pessoas acima dos interesses econômicos, investir bem mais na comunidade, dando um destino mais nobre a recursos ociosos e supérfluos e gerir as empresas de forma socialmente responsável.
No dia em que nossas elites empresariais, movidas até por interesse próprio, tomarem consciência da responsabilidade gerada pelo seu grande poder e pelos deveres decorrentes dos seus direitos adquiridos, o sonho de um Brasil mais justo, ético, seguro e próspero para todos e para as futuras gerações terá grande chance de se concretizar.
Será a única forma de mostrar que não agem movidas apenas por seus interesses econômicos e que praticam de verdade a responsabilidade social, e não a usam apenas como instrumento de marketing.
Espero que esta carta, qualitativamente diferente daquela de 2002, encontre destinatários maduros, cidadãos conscientes e sensíveis e lideranças à altura dos desafios e das oportunidades do nosso Brasil. ODED GRAJEW, 65, empresário, é um dos integrantes do Movimento Nossa São Paulo. É também membro do Conselho Deliberativo e presidente emérito do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. É idealizador do Fórum Social Mundial e idealizador e ex-presidente da Fundação Abrinq. Foi assessor especial do presidente da República (2003).

quarta-feira, 3 de março de 2010

Quando a Morte Chegou a Bagdá

O discípulo de um sufi de Bagdá estava certo dia sentado a um canto de uma hospedaria, quando ouviu dois personagens conversarem. Pelo que pôde ouvir, percebeu que um deles era o Anjo da Morte.
- Tenho várias visitas para fazer nesta cidade durante as próximas três semanas - dizia o anjo a seu companheiro.
- Aterrorizado, o discípulo procurou ocultar-se até que aqueles dois partissem. Então, apelando à sua inteligência para resolver o problema de como frustar uma possível visita da morte, concluiu que, caso se mantivesse distante de Bagdá, não seria vitimado. Dessa ideia à resolução de alugar um cavalo, o mais veloz ali existente, foi apenas um passo. O discípulo montou no animal e picando esporas cavalgou noite e dia rumo à distante cidade de Samarkand. Enquanto isso, a morte se encontrou com o mestre sufi e conversaram a respeito de várias pessoas.
- Por falar nisso, onde está aquele seu Discípulo? - Indagou a morte.
- Deve estar em algum lugar desta cidade, empregando seu tempo em contemplação, talvez numa hospedaria - Retrucou o sufi.
- Que estranho... - disse o Anjo da Morte. - Ele se acha em minha lista. Sim, aqui está: tenho que recolhê-lo dentro de quatro semanas, nada menos que em Samarkand.

terça-feira, 2 de março de 2010

Bemvindo Sequeira

Vida após a vida
Sempre pensei que ia morrer cedo. A luta armada, a clandestinidade, aventuras, promiscuidade, orgias, riscos... Tudo me levava a crer que não chegaria aos 30 anos. Para quem tem 20 anos, quem tem 30 já é
coroa. Tomei um susto quando vi-me vivo e saudável aos 30. Aos 40 percebi a possibilidade real da morte.
No dia do meu aniversário quarentão, um jovem ator de 24 anos perguntou como eu me sentia: "Agora? De frente para a morte." Para minha surpresa foi o jovem quem morreu logo depois.
Aos 50 apaixonei-me pela letra de Aldir Blanc na voz de Paulinho da Viola: "Aos 50 anos, insisto na juventude...", isso enquanto percebia meu ângulo peniano caminhando para os 90 graus. Mas, antes dos 60, a pílula azul alargou minhas possibilidades e possibilitou-me ver o sexo por ângulos mais estreitos.
Agora estou além dos 60. Aos 40 rezava pela alma dos mortos amigos e parentes. Nome por nome eu pedia ao Senhor. Hoje, são tantos os que caíram, que apenas peço "pelos mortos em geral". E mais uma vez espanto-me por estar ainda vivo, e consolo-me no Salmo 91.7, que diz: "Mil cairão ao teu lado e dez mil à sua direita, mas você não será atingido." Mesmo confiando na Palavra, ainda assim caminho embaixo de marquises pra São Pedro não me ver.
Ainda estou vivo, e pra quem pensou que morreria aos 30 descubro que existe vida após a vida. Mas o preço do viver é muito alto para o jovem de hoje: tem que comprar apartamento, arranjar um trampo, ganhar dinheiro, ficar famoso, comer todas, bombar no iutube, malhar, casar,  ter filhos, comprar carro, estar bronzeado, conhecer tudo de web e ainda ir ao show da Madonna, entre outras miudezas.
Após os 60 você já está quite com tudo isso e pensa que vai viver em paz. Qual o quê: tem que tomar insulina, antidepressivos, rivotris, controlar a pressão, não comer açúcar, não comer sal, não fumar, não beber, se conseguir comer uma e outra já é uma vitória, tem que caminhar ao menos meia hora por dia, cuidar do joanete, dormir cedo, vender o apartament o, fugir da bolsa, não discutir no trânsito, não se alterar no caixa do supermercado, tolerar os filhos, agradar os netos, ficar calado diante da mediocridade, aceitar o salário de aposentado, ter o testamento em dia e curtir todas as dores ósseas, nervosas e musculares porque se algum dia você acordar sem dor é porque está morto.
Claro que o idoso tem suas vantagens: uma delas é a transparência. Quanto mais velho, mais transparente você se torna. Chega a ficar invisível: ninguém mais lhe percebe, mais um pouco e nem lhe enxergam.
Mas pode passar à frente dos jovens nas filas todas, com aquele ar de superior: "Você é jovem e sarado, mas eu tenho prioridade." E ante qualquer aborrecimento ou dificuldade você ameaça infartar ou ter um AVC. Funciona sempre, todos logo se tornam gentis e cordatos, e é garantia de muitas meias e lenços como presentes no Natal.
Lidando com a minha "terceira idade" ouço de meu psicanalista, o bomLuiz Alfredo: "Só há dois caminhos: envelhecer... ou o outro, muito pior." Prefiro envelhecer, aceitando cada minúsculo "sim" que a vida me dá com uma grande alegria e uma grande vitória. Hoje, quando encontro vaga num elevador de shopping, quando o banco está vazio, ou quando encontro promoção na farmácia, já considero uma bênção gigantesca e agradeço a Deus pela graça alcançada.
Após os 60, como no filme de Brad Pitt, regrido na existência, deixo Paulinho e a viola de lado e reencontro Lupiscinio: "Esses moços, pobres moços, ah, se soubessem o que eu sei." Mas se soubessem não ia adiantar nada: porque a sabedoria é filha do tempo. Como diz o amigo Pericinotto, também idoso: " O diabo é sábio porque é velho."
Pelo andar da carruagem, percebo que já morri muitas vezes nesta vida, e que viverei até fartar-me.
(*) Bemvindo Sequeira é autor, ator e diretor de teatro e TV.

Rubens Guerra

Hoje estou inaugurando uma Galeria de Fotos. Ribeirão Preto sempre foi um grande celeiro de bons fotógrafos e, por isso, resolvi começar a publicar aqui no Blog, fotos e comentários sobre os artistas dessa arte que se renova a cada manhã.
Para inaugurar a galeria escolhi o meu amigo Rubens Guerra. Rubinho, como é conhecido pelos amigos, além da sensibilidade natural que a fotografia exige, têm uma capacidade de captar a luz - essência da fotografia - que transforma suas fotos em verdadeiros quadros.
Rubens começou a fotografar ainda menino, por volta de 12 anos, já vivia mexendo no laboratório fotográfico que seu pai tinha em casa e, aos 20 anos já era fotógrafo profissional. Nestes 30 anos de carreira Rubens já públicou fotos em revistas nacionais como Placar, Playboy, Claudia e outras. Também ganhou concursos, teve foto públicada em cartões telefônicos e fez livros.
Para conhecer um pouco mais sobre o trabalho de Rubens Guerra, visite seu blog: 

Adélia Prado


Deus de vez em quando 
me tira a poesia. 
Olho para uma pedra 
e vejo uma pedra.
 

segunda-feira, 1 de março de 2010

Apostolo João

 
E conhecereis a verdade, 
e a verdade vos libertará.
(João 8:32)

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Festival das Lanternas

 
Taiwaneses observam as luzes durante o Festival das Lanternas no vilarejo de Pingshi, em Taiwan, neste domingo. O "Yuan Xiao Jie", como é conhecida a festividade, celebra o fim das comemorações do Ano-Novo Chinês e remonta cerca 2 mil anos de tradição.
 
Performer se apresenta durante o Festival das Lanternas nas ruas de Taiyuan, província chinesa de Shanxi, neste domingo.

José Mindlin

 
Faleceu hoje, aos 95 anos de idade, o Sr. José Mindlin. Empresário de grande porte e muito respeitado, José Mindlin ficou conhecido por seu amor pelos livros. Ao longo de sua vida montou a maior biblioteca particular do Brasil, tinha mais de 40 mil livros. No ano passado ele doou a sua biblioteca para a USP, escola onde ele se formou em Direito, transformando-a em biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin.
Rendo aqui minha sinceras homenagens a esse belo ser humano.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

1,075 Milhão de Dólares

 
No dia 22 de fevereiro, segunda-feira, a semana começou com a venda do primeiro gibi do super homem por 1 milhão de dólares. Ontem, sexta-feira, dia 26, a semana fechou com a venda da primeira aparição do Batmam, na revista Detectíve Comics, de maio de 1939, por 1,075 milhão de dólares. E assim, um gibi  que era vendido por 10 centavos de dólares, agora esta num cofre como obra de arte.

Leonardo Da Vince

 
Simplicidade é a sofisticação máxima.

Cora Coralina

 
"A hora é agora!
Enfeite o seu interior!
Seja diferente!
Seja reluzente!"

O tempo

.
"O tempo não cura tudo.
Aliás, o tempo não cura nada.
O tempo apenas tira o incurável
Do centro das atenções".
Martha Medeiros

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Avenida Francisco Junqueira em 1939

 
A avenida Francisco Junqueira sendo contruida em 1939. Na frente de bengala o prefeito Fábio Barreto e ao fundo de branco com a mão no bolso, meu avô Luiz Baptista.