sábado, 15 de maio de 2010

Rubem Alves

A celebração de mais um ano de vida é a celebração de um desfazer, um tempo que deixou de ser, não mais existe. Fósforo que foi riscado. Nunca mais acenderá. Daí a profunda sabedoria do ritual de soprar as velas em festa de aniversário. Se uma vela acesa é símbolo de vida, uma vez apagada ela se torna símbolo de morte.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

(Ferreira Gullar)


Fazer arte é soprar
espirito na materia

Banksy

Banksy é um artista de rua, pichador, com trabalhos espalhados pela Inglaterra, onde nasceu em 1975, na cidade de Bristol e começou a fazer seus stencil com 14 anos. Depois foi para Londres e acabou circulando por toda a Europa, países da África e os EUA, sempre deixando a sua arte estampada em paredes abandonadas. 
Seus trabalhos são muito característicos, é difícil alguém que não tenha visto uma de suas obras em algum lugar, pois há muito tempo, seus desenhos pichados invadiu as galerias, as telas, e vivem saindo em revistas, documentários e jornais de todo o mundo.
Apesar de tanta produção e do sucesso, Banksy é uma pessoa muito pouco conhecida. Ele detesta dar entrevistas e foge dos holofotes. Como a contravenção é uma constante em sua obra sempre provocativa, essa técnica de ser um mistério, acaba ajudando.
Em telas e murais faz suas críticas, normalmente sociais, mas também comportamentais e políticas, de forma agressiva e sarcástica, provocando em seus observadores, quase sempre, uma sensação de concordância e de identidade. Apesar de não fazer caricaturas ou obras humorísticas, não raro, a primeira reação de um observador frente a uma de suas obras será o riso. Espontâneo, involuntário e sincero, assim como suas obras.

ManoHead

Esse é fera! Fabrício "Manohead" Rodrigues Garcia, natural de Garopaba, Santa Catarina. Com 25 anos, já tem uma longa história de sucesso. Sempre gostou de desenhar, mas foi só aos 20 anos que começou a interessar-se, de verdade, por caricaturas. Logo depois, aos 22 anos, aqui em Ribeirão Preto, recebeu 3 Menções Honrosas no 14 º Salão de Humor, no ano de 2007. Depois, foram muitos prêmios, nacionais e internacionais e, hoje em dia, ManoHead trabalha para revistas, jornais e trabalhos convidados, pintando, ilustrando e fazendo caricacturas de fino traço.  
Biografia
 O grande Glauco no "traço digital" de ManoHead

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Segredo

Desenho por Madame Y
A poesia é incomunicável.
Fique torto no seu canto.
Não ame.

Ouço dizer que há tiroteio

ao alcance do nosso corpo.
É a revolução? o amor?
Não diga nada.

Tudo é possível, só eu impossível.

O mar transborda de peixes.
Há homens que andam no mar
como se andassem na rua.
Não conte.

Suponha que um anjo de fogo

varresse a face da terra
e os homens sacrificados
pedissem perdão.
Não peça. 
1960 - ANTOLOGIA POÉTICA  
carlosdrummonddeandrade.com.br

Nasrudim e a Lua

Uma noite clara e enluarada, Nasrudin vai ao poço tirar água. Ao olhar para baixo, vê o reflexo da lua brilhando na água. "Nossa!", exclama. "A pobre da lua caiu dentro da água! Espere, lua, que já vou tirá-la daí!"
Nasrudin vai correndo até sua casa e volta com uma corda com um gancho de ferro amarrado na ponta. Sem demora, atira a corda dentro do poço, dizendo de forma encorajadora: "Vamos, lua, agarre firme que já vou puxá-la para fora daí." Infelizmente, a corda fica presa numa pedra grande no fundo do poço e Nasrudin precisa puxar com toda sua força. "Ufa!"pensa com seus botões. "Mas como a lua é pesada!"
De repente, a corda se solta num tranco e Nasrudin cai de costas no chão. Quando consegue recuperar o fôlego, ainda estendido no chão, ele se depara com a lua no céu, brilhando no meio das estrelas.
"Não foi nada fácil, mas conseguimos!" diz Nasrudin, dirigindo-se à lua. "Que sorte a sua eu ter chegado bem a tempo de poder ajudá-la! Foi um prazer estar a seu serviço. Adeus, lua, e boa noite!"
Do livro Histórias do Mulá Nasrudin, Edição bilingue, recontada e ilustrada por Cristina Millet

quarta-feira, 12 de maio de 2010

"O Grande Ditador"

O texto abaixo é uma obra de arte que faz parte de uma outra obra de arte. É o discurso final do filme O Grande Ditador, que Charles Chaplin lançou em 1940, em plena segunda guerra mundial, que é, sem dúvida alguma, um dos grandes filmes da história do cinema e um retrato inteligente e muito sensível sobre a humanidade.
Toda vez que leio este texto, isso há muitos anos, lembro da biografia de Charles Chaplin, escrita por ele, onde você descobre um homem mesquinho, auto centrado, tudo o contrário deste belo texto.
"Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo - não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens, levantou no mundo as muralhas do ódio e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.
A aviação e o rádio nos aproximou. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem, um apelo à fraternidade universal, a união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora. Milhões de desesperados: homens, mulheres, criancinhas, vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que podem me ouvir eu digo: não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia, da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.
Soldados! Não vos entregueis a esses brutais, que vos desprezam, que vos escravizam, que arregimentam vossas vidas, que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos. Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão. Não sois máquina. Homens é que sois. E com o amor da humanidade em vossas almas. Não odieis. Só odeiam os que não se fazem amar, os que não se fazem amar e os inumanos.
Soldados! Não batalheis pela escravidão. Lutai pela liberdade. No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o reino de Deus está dentro do homem - não de um só homem ou grupo de homens, mas de todos os homens. Está em vós. Vós, o povo, tendes o poder - o poder de criar máquinas; o poder de criar felicidade. Vós o povo tendes o poder de tornar esta vida livre e bela, de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto - em nome da democracia - usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo, um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.
É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam. Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão. Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e a prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos.
Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos. Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam. Estamos saindo da treva para a luz. Vamos entrando num mundo novo - um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah. A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah. Ergue os olhos."

João Guimarães Rosa

"Só se pode viver perto do outro,
sem o perigo do ódio,
se a gente tem amor.
Qualquer amor já é um 
pouquinho de saúde, 
um descanso na loucura."

Por Favor!

Essa maravilha da comunicação eu recebi por e-mail de uma amiga mineira. Não posso garantir que é um original mineiro, mas posso afiançar que veio de uma mineira.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Fernando Pessoa

As gaivotas, tantas, tantas,
Voam no rio pró mar...
Também sem querer encantas,
Nem é preciso voar.

Todas as coisas que dizes
Afinal não são verdade.
Mas, se nos fazem felizes,
Isso é a verdade.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

As Palmeiras Imperiais

Avenida Jerônimo Gonçalves com as palmeiras recem plantadas - 1925

Adam Rabelo Dias

Esse ilustrador carioca, conhecido como Adam, tem um traço bem próprio e vem conquistando seu espaço.
Esse Papa é muito bom, não? Prá mim, é o próprio.

domingo, 9 de maio de 2010

Dia das Mães

Escolhi este poema, do Carlos Drummond de Andrade, para homenagear a minha mãe e, todas as mães; amigas, primas, irmãs e queridas pessoas que geraram seus rebentos.
Para Sempre
Por que Deus permite que 
as mães vão se embora?
Mãe não tem limite, 

é tempo sem hora,
luz que não se apaga 

quando sopra o vento
e chuva desaba, 

veludo escondido
na pele enrugada, água pura, 

ar puro, puro pensamento.
Morrer acontece com o que 

é breve e passa sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça, é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca, 

mãe ficará sempre
junto de seu filho e ele, 

velho embora, será pequenino
feito grão de milho.

sábado, 8 de maio de 2010

Esse TOM!


sexta-feira, 7 de maio de 2010

Recruta Zero - 60 anos

Se não fosse tão claro que o Zero é um soldado do Exercito Americano, ele poderia ser um brasileiro, argentino ou argelino. O importante é este sorriso, essa posição, isso é o Zero, um personagem agradável, que faz o que quer, do jeito que quer, sempre numa boa, mesmo quando se dá mal. 
Exposição para comemorar os 60 anos de criação, com artes originais, retrospectiva, artes autografadas, fotos históricas e animações inéditas. Atrium. 
SESC Vila Mariana 
De 06/05 a 27/06. 
De terça a sexta, das 10h às 21h30 
e sábados e domingos, das 10h às 18h30

PLANTAREMOS ESTES ARBUSTOS

Plantaremos estes arbustos
que darão flor apenas
daqui a três anos.
Plantaremos estas árvores
que darão fruto um dia,
mas só depois de dez anos.
Não plantaremos jardins de amor,
porque imediatamente
abrem tristeza e saudade.
Não plantaremos lembranças
porque estão desde já e para sempre
carregadas de lágrimas. 

 (Poesias Completas de Cecília Meireles)

Comercial Futebol Clube

Time do Comercial Futebol Clube, na praia do Gonzaga em Santos, 1926.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Feira do Livro de Ribeirão Preto

Vejam quanta gente boa estará presente na 10ª Edição da Feira do Livro de Ribeirão Preto que acontece de 10 a 20 de junho de 2010.  
Já confirmaram presença os autores:
Adriana Lisboa, Alessander Guerra, Ana Paula Maia, Augusto Cury, Carlos Heitor Cony, Carola Saavedra, Celso Antunes, Claúdia Tajes, Clovis Bulcão, Cristina Silveira, Cristovão Tezza, Daniel Galera, Daniel Pelizari, Fabrício Carpinejar, Fabrício Corsaletti, Gabriel Chalita, Guilherme Davoli, Heloisa Bacelar, Ignácio de Loyloa Brandão, João Silverio Trevisan, Laurentino Gomes, Lola Aybar, Luis Tatit, Marcia Bulcão, Márcia Tiburi, Maria Gessy de Sales, Marina Colassanti, Mário Prata, Mário Sergio Cortela, Moacyr Scliar, Mouzar Benedito, Nelson Schapochnik, Nicole Algranti, Palmério Doria, Pasquale Cipro Neto, Paulo Markum, Pedro Bandeira, Rainhas do Lar com Katita e Faby, Raphael Coutinho, Ricardo Daunt, Ricardo Kotscho, Rubem Alves, Saulo Gomes, Sócrates, Tatiana Levy, Thalita Rebouças, Toni Belotto, Wilson Bueno, Xico Sá e Zuenir Ventura.
Este texto eu copiei do Blog É Mara e colei aqui.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

O Alto da Cidade

Essa foto é um achado. Em 1951, quando você subia a Rua Álvares Cabral, em direção à Av. 9 de Julho,  ao chegar na esquina da Rua Bernardino de Campos, a sua direita, existia essa chacrinha. A esquerda, já existia o Hospital Beneficência Portuguesa, e na frente, mais a esquerda, era a entrada princípal da Sociedade Recreativa e de Esportes. Seu salão de festas, na época, era a quadra de basquete, que esta lá até hoje. Ao lado, fazendo esquina com a  Álvares Cabral, também já existiam aqueles prédios de 3 ou 4 andares, que estão lá até hoje. Não sei direito, mas lembro que, na minha infância, quando a minha avó materna morava naqueles predinhos, nós brincávamos nessa terra. Preciso conversar com umas pessoas para esclarecer isso.

A Fumaça

A pequena casa entre árvores no lago.
Do telhado sobe fumaça
Sem ela
Quão tristes seriam
Casa, árvores e lago.
 
Bertolt Brechet

Mario Quintana

 
“Os verdadeiros analfabetos 
são os que aprenderam 
a ler e não lêem.”
 

Olha o Quinzinho Aí, Gente!

Apareceu a primeira foto do seu Joaquim Teixeira da Silva, o famoso Quinzinho. Espero que apareça uma foto melhor ainda.

A Mídia Alternativa

No dia 14 de maio, às 19 horas, no auditório do Sindicato dos Engenheiros de São Paulo (Rua Genebra, 25, próximo à Câmara Municipal de São Paulo), ocorrerá o lançamento do Centro de Estudos da Mídia Alternativa “Barão de Itararé”. A nova entidade, que reúne em seu conselho jornalistas progressistas e lutadores sociais, tem como objetivos principais contribuir na luta pela democratização da comunicação, fortalecer a mídia alternativa e comunitária, promover estudos sobre a estratégica frente midiática e investir na formação dos novos comunicadores.
Uma Justa Homenagem
O nome “Barão de Itararé” é uma justa homenagem ao jornalista Aparício Torelli (1895-1971), considerado um dos criadores da imprensa alternativa no país e o “pai do humorismo brasileiro”, segundo a biografia elaborada pelo filósofo Leandro Konder. Criador dos jornais “A Manha” e “Almanhaque”, ele ironizou as elites, criticou a exploração e enfrentou os governos autoritários. Preso várias vezes, nunca perdeu o seu humor. Itararé é o nome da batalha que não houve entre a oligarquia cafeeira e as forças vitoriosas da Revolução de 1930.
Frasista genial, ele cunhou várias pérolas. Cansado de apanhar da polícia secreta do Estado Novo, colocou na porta do seu escritório uma placa com a hoje famosa frase “entre sem bater”. Político sagaz, ele percebeu a guinada nacionalista de Getúlio Vargas e respondeu aos críticos udenistas: “Não é triste mudar de idéias; triste é não ter idéias para mudar”. Militante do Partido Comunista do Brasil (PCB), Apparício foi eleito vereador pelo Rio de Janeiro em 1946 com o lema “mais leite, mais água e menos água no leite” – denunciando fraudes da indústria leiteira.
Entidade ampla e plural
A criação da nova entidade, que atuará em parceria com várias outras que já priorizam a luta pela democratização da comunicação, empolgou jornalistas e lutadores sociais. Entre outros, integram seu conselho os jornalistas Luis Nassif, Leandro Fortes, Luiz Carlos Azenha, Maria Inês Nassif, Rodrigo Vianna, Beto Almeida, Gilberto Maringoni; os professores Venício A. de Lima, Marcos Dantas, Dênis de Moraes, Laurindo Lalo Leal Filho, Gilson Caroni, Igor Fuser, Sérgio Amadeu.
Visando fortalecer a mídia alternativa já existente, também participam os responsáveis de vários veículos progressistas – Breno Altman (Opera Mundi), Carlos Lopes (Hora do Povo), Ermanno Allegri (Adital), Wagner Nabuco (Caros Amigos), Joaquim Palhares (Carta Maior), Eduardo Guimarães (Cidadania), Renato Rovai (Fórum), Nilton Viana (Brasil de Fato), Paulo Salvador (Revista do Brasil), Oswaldo Colibri (Rádio Brasil Atual), José Reinaldo Carvalho (Vermelho).
O conselho reúne ainda lideranças dos movimentos sociais, dirigentes de entidades vinculadas à comunicação pública e comunitária – Edivaldo Farias (Abccom), Regina Lima (Abepec), José Sóter (Abraço), Orlando Guilhon (Arpub) – e integrantes de instituições engajadas na luta pela democratização da mídia – João Brant (Intervozes), João Franzin (Agência Sindical), Sérgio Gomes (Oboré), Vito Giannotti (NPC), Rita Freire (Ciranda).

terça-feira, 4 de maio de 2010

Leopoldo Lima

O Lanches Paulista, restaurante que ficava localizado onde hoje é o Pinguim, ao lado do Theatro Pedro II, tinha no fundo, ao lado do seu salão princípal, um balcão grande, onde eram servidos os pratos rápidos, ou pratos do dia. Foi ali, almoçando no balcãozinho do LP, que eu vi, pela primeira vez, o Leopoldo Lima. Meu pai, fez questão de chamá-lo, me apresentar e mostrar os seus quadros. Eu fiquei olhando aquele homem com cara e jeito de artista. Alto, olhos bem claros, cabelos sem pentear, meio avermelhado, pele clara queimada de sol e uma barba serrada, completamente sem cuidado. Depois fiquei encantado com seus quadros e os admirei por um bom tempo.
Estou com 55 anos, este encontro aconteceu, eu tevia ter 12 anos. Nestes 43 anos, nunca vi um trabalho nem parecido com o do Leopoldo. A grande maioria dos trabalhos que vejo em madeira, tanto de escultores, como de pessoas que trabalham com pirógrafo, não têm a profundidade, perspectiva, ou textura que Leopoldo deixou nas suas obras. Além disso, os trabalhos do Leopoldo Lima, até hoje, são extremamente sensíveis e críticos com a realidade brasileira, por isso, obras muito vivas.
Na praça XV, Leopoldo chegava, esticava um varal e pendurava seus quadros. Ele fazia o trabalho de arte, que envolvia desenhos, entalhes com pedaços de vidro, formão, lixas e pirógrafo. Depois fazia a moldura e por fim, escrevia no verso poemas e textos que nunca eram bem compreendidos pelas autoridades da época. Volta e meia, Leopoldo era obrigado a desmontar sua exposição, ou então, era levado preso.
Como toda personalidade forte e marcante, Leopoldo tinha grandes amigos e grandes inimigos. Era difícil você encontrar alguém que fosse indiferente ao Leopoldo, suas possições e trabalho. Ele ficou famoso naquela época por não vender seus quadros. Só na última hora, quando sua mulher, a Cleusa, ficava muito brava, porque estavam passando necessidades, aí ele vendia uma obra. Varias residências chiques de Ribeirão Preto possuem uma obra do Leopoldo comprado numa dessas horas.
Uma vez, depois de terem amolado muito o Leopoldo para vender uma obra a um interessado, ele ficou revoltado e quebrou a arte inteira. Outra vez, ele fez uma fogueira com varias obras, por estar indignado com algum acontecimento na cidade. Fora isso, Leopoldo deixou um filho sem nome. Em casa, todos o chamavam de Oi, e a explicação era que ele iria escolher o nome quando tivesse idade e entendimento. Fiquei sabendo agora, que o nome escolhido foi Fernando.
Fui na casa dele por umas 3, 4 vezes. Ele gostava do meu pai e sempre me recebia muito bem. Eu ficava lá feito bobo, olhava um quadro, viajava por outro, fazia perguntas e via aquela loucura toda como um outro mundo, outro universo. Cheguei até a comprar um pirógrafo e fiz alguns trabalhos, mas percebi que para chegar perto do trabalho do Leopoldo, iria ser necessário estudar muito.
Os anos foram passando, Leopoldo nunca foi reconhecido por sua arte. Durante um período Leopoldo foi trabalhar em Osasco, acabou voltando pra Ribeirão onde andava muito pelas ruas, passava pela casa dos amigos, mas tornou-se um folclore. Acabou falecendo triste e quase esquecido.
Acho que Leopoldo Lima ainda será descoberto, porque a sua obra é muito mais rica do que imaginamos.
Estes quadros são parte do acervo que é mantido pela Cleusa, sua companheira de uma vida.

Liga Mesmo

Essa é mais uma das imagens fantásticas que correm pela net. Arte pura, mensagem curta e grossa. Como sempre digo, se alguém souber o autor me avise.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Olha a Inteligência

Uma filhote de gorila nascida há nove dias descansa no zoológico de Praga, na República Checa Filip Singer/EFE

Navegar é lição de sempre

Devo confessar que nasci em Olímpia e sou neta de Ulisses. Vem daí meu gosto por viagens, dentro e fora de mim.
Na minha meninice havia no quintal da minha casa, de terra natural, cajueiro, jabuticabeira, pé de jambo que me acolhiam em minhas leituras, horas a fio sem que o sonhar acordado fosse interrompido por outros sons que não fossem de passarinhos. Ali  viajei muito, da minha Ítaca para terras distantes, conheci pessoas de outras eras que faziam parar os relógios e ensinavam que a ficção é de sempre, presente a cada olhar para a folha de papel.
Mas outras “grandes” viagens se fizeram na adolescência. Um grupo de meninas ousadas elegia Ribeirão Preto como centro de referência. E, vindas de ônibus, escolhíamos um dia das férias para a grande viagem, não mais pelo Mediterrâneo, mas para outro rio que, ainda não sabia, seria o novo “rio da minha aldeia”.
Chegar era uma festa e dentro de mim, de nós, estávamos no centro do mundo. Andávamos pelas ruas e o pouco dinheiro que tínhamos era suficiente para os desejos de consumo àquela época. Havia uma Rosifini para nossos pés, uma Matriz para o alto, onde cabiam três pedidos, promessas válidas só para o momento de elevação. Mas o grande momento era a Praça XV com seus prédios “modernos”, compatíveis com as ilustrações de livros, a própria praça, seu verde e músicos tocando.
As Lojas Americanas anunciavam novos tempos e fascinavam pela exposição tão próxima  de nós. Aparentemente era possível tocar sem comprar, como se tudo estivesse ali gratuitamente, despertando o desejo de ter. O almoço, no mesmo espaço, era regado a suco, hamburguer, de formatos variados, hula-hula, e aquele serviço já indicava, sem que déssemos conta, que, em qualquer medida, um novo modo de ser entrava por todos os poros.
Ao final do dia, o regresso a Ítaca ia pontuado de sonhos sonhados, acordada. Aquela música da cidade, a fisionomia urbana eram o
grande “recado do morro”, “a cidade invisível” a qual Ítalo Calvino, ao traduzir sua memória, empresta-me em busca da palavra para nomear. Ali eu instalaria minha alma definitivamente e, para sempre, ribeirãopretana.
Voltei e tornei a voltar e a voltar para viagens “de longo alcance”, até o dia em que minha família, por opções de trabalho, veio de “mala e cuia” para minha “matria”, minha nova pátria-mãe. Não abandonei Ítaca, mas, como Ulisses, meu destino é navegar. Aportei no rio da minha aldeia, meu Ribeirão, e entre pessoas, junto a Pessoa, o contradigo, sabendo que negar é também um modo de afirmar: “Que graça ter trazido o passado roubado na algibeira!”
Texto de Marisa Giannecchini G. de Souza publicado no Guia Centro de Ribeirão - Edição Jun 2008

Estação Ferroviária

A atual Estação Ferroviária de Ribeirão Preto, localizada na Av. Mogiana, 2.307, que foi inaugurada em 01 de Junho de 1965, na época, fora da cidade. Foto de 1985 - Hermano Teixeira Machado.

Baptistão

Eduardo Baptistão é um ilustrador reconhecido por ter um trabalho constante e maduro. Baptistão nasceu em 1966, formou-se na Casper Libero em 1988 e trabalha no Estadão desde 1991, na Revista Carta Capital desde 1995 e no Jornal da Tarde desde 2003. Durante todo este período, Eduardo ganhou muitos e muitos prêmios. Não vou enumerar, mas posso afirmar que são mais de 20 e os princípais dentro da área de ilustrações.

Botafogo F.C.

Foto Jornal "A Cidade"
O Botafogo Futebol Clube, de Ribeirão Preto, sagrou-se campeão do Interior do Campeonato Paulista de 2010, ao vencer o São Caetano por 1 x 0, no seu estádio, o Santa Cruz, no sábado, dia 1 de Maio. Na classificação final, o Botafogo terminou em sétimo lugar.
Parabéns Botafogo!
Eu cresci botafoguense, apesar do meu pai, que foi jogador profissional do Botafogo, como ponta direita, ter passado a vida torcendo para o Comercial. Naquela época, os meninos, com 8, 9, 10 anos, iam ao campo de futebol em turmas, não existiam perigos e os preços dos ingressos eram bem acessíveis.
Nos Campeonatos Paulista dos anos 1960, com dois turnos, jogos de ida e volta, com pontos corridos, não existia jogo ruim. Qualquer jogo, de quarta-feira a noite ou aos domingos a tarde, o resultado era 3 x 0, 4 x 2, enfim, os jogos eram sempre muito disputados.
Pelé, Zito, Coutinho, Pepe, Gilmar, alegravam a torcida do Santos e encantavam as adversárias. Mas, o São Paulo tinha Bellini, Dário Pereira, Paraná, Gerson;  no Palmeiras, Leão, Djalma Santos, Dudu, Ademir da Guia, Cesar, e no Corinthians, Rivelino, Ado, Zé Maria, Flávio e muitos outros craques.
Geralmente, os craques passavam a vida no seu Clube. Era dificil um grande jogador que ficava mudando de clube. O maior exemplo é o Pelé, que nasceu, cresceu e terminou sua carreira no Santos. Sua ida para os Estados Unidos foi depois de encerrar a carreira no Brasil.
Com o tempo, os campeonatos foram mudando, os dois principais times de Ribeirão, foram caindo pelas tabelas, o ingresso ficou caro e a TV facilitou ficar em casa.
Assim, afastei-me dos campos e do futebol. Hoje em dia, assisto aos principais jogos da Copa do Mundo de 4 em 4 anos e vejo um bom jogo, geralmente nas finais.