sexta-feira, 10 de julho de 2009

Costa Rica é o Lugar Mais Feliz e Verde do Mundo

Costa Rica, um país com menos de 5 milhões de habitantes, ensanduichado entre o Panamá e a Nicarágua, ficou no topo do ranking global de combinação de vida longa e feliz com limitada degradação ambiental. O país mistura um belo interior, uma grande diversidade de espécies e há muito tempo se livrou de seu exército.
A fusão de seus ministérios da energia e meio ambiente reverteu o desmatamento e ajudou o país a produzir 99% de sua energia a partir de fontes renováveis. Ela também apresentou altas notas, em relação a outros países em desenvolvimento, nas pesquisas sobre pobreza, liberdade de imprensa e democracia.
O Índice Planeta Feliz ("Por que uma boa vida não precisa custar o planeta?") publicado na sexta-feira pela New Economics Foundation, com sede no Reino Unido, combina medições de expectativa de vida, felicidade e pegada ecológica para avaliar a sustentabilidade do crescimento em 143 países. O fato de os 10 mais da lista dos países "mais verdes e mais felizes" ser dominado pela América Latina pode gerar alguma desconfiança, já que a região é mais conhecida na imaginação ocidental por suas favelas, desigualdade e golpes de Estado. O Zimbábue ficou em último lugar, juntamente com uma dúzia de outros países do sul, leste e centro da África.
Mas os latino-americanos marcam muitos pontos, sugere o relatório, devido a aspirações não-materiais e forte capital social entre amigos e parentes. O desempenho ruim do mundo desenvolvido também pode levar alguns ocidentais a duvidar do valor do relatório. Entre os países ricos, o mais bem colocado é a Holanda - mas apenas em 43º lugar.
O Reino Unido fica na metade inferior do ranking - em 74º, atrás da Alemanha, Itália e França, mas à frente do Japão e da Irlanda. Os Estados Unidos se saem particularmente mal, em 114º lugar. Os países ocidentais apresentam longa expectativa de vida e as pessoas são razoavelmente felizes, mas os países sofrem no ranking devido à sua fraqueza ecológica, refletindo o nível elevado de consumo. O desafio para o Ocidente, diz o relatório, não é continuar elevando a renda, mas buscar vidas mais significativas e laços sociais mais fortes. Essa pode ser uma meta distante a curto prazo, mas o índice está sendo divulgado em um momento em que os autores de políticas ambientais estão explorando medições mais amplas de progresso em vez de um desejo de apenas promover o crescimento.
A "Comissão para Medição do Desempenho Econômico e Progresso Social" do presidente da França, Nicolas Sarkozy, deverá apresentar seu relatório em breve. Os críticos dessas medições e índices dizem que são baseados em cálculos e dados arbitrários, mas a maioria aprecia sua contribuição para o debate das políticas.
"O Índice Planeta Feliz é uma das várias tentativas de 'ir além do PIB' e chamar atenção para aspectos importantes de nossa vida", disse Enrico Giovannini, estatístico chefe da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (Ocde). Mas, ele acrescentou, "é impossível capturar em um único indicador a complexidade de nossa sociedade".
Texto de Simon Briscoe / Londres (Reino Unido) publicado no Financial Times

Tradução: George El Khouri Andolfato

Começa Hoje o Anima Mundi 2009

Começa hoje no Rio de Janeiro (10 a 19 de julho) a 17ª edição do Festival Internacional de Animação do Brasil, o popular Anima Mundi 2009. Como todos os anos, os principais centros culturais da cidade exibirão centenas de curtas e longas metragens de todos os gêneros de animação. O evento acontece em locais como CCBB, Centro Cultural dos Correios, Cine Odeon, Casa França-Brasil, Estação Botafogo, Praça Animada e Oi futuro.
Nos dias 22 a 26 de julho o Festival transfere-se para São Paulo.
http://www.animamundi.com.br/fest_home.asp

Hoje é o Dia da Pizza


Hoje, dia 10 de julho, é comemorado o dia da pizza no Estado de São Paulo. O dia foi instituído em 1985 quando aconteceu um grande concurso realizado na capital do estado. Na época, 100 pizzarias aderiram ao projeto dando descontos promocionais. Hoje, São Paulo tem quase 6 mil pizzarias.
Para completar as comemorações, a Associação das Pizzarias Unidas do Estado de São Paulo, promete fazer a maior pizza do Brasil ao ar livre, na rua Catarina Braida, no bairro da Mooca, durante o Sampa Pizza.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Há mais luz por aqui

Alguém viu Nasrudin procurando alguma coisa no chão.
"O que é que você perdeu, Mullá?", perguntou-lhe:
– "Minha chave", respondeu o Mullá.
Então, os dois se ajoelharam para procurá-la. Um pouco depois, o sujeito perguntou:
– "Onde foi exatamente que você perdeu esta chave?"
"Na minha casa."
"Então por que você está procurando por aqui?"
"Porque aqui tem mais luz."

Uma Mensagem Sempre Atual



Este comercial indiano traz uma mensagem das mais batidas em qualquer lugar do mundo – a união faz a força. A diferença é que a mensagem foi renovada com imagens muito bonitas, editadas num "time" perfeito com uma música envolvente e o mote da união é uma criança sonhando.

terça-feira, 7 de julho de 2009

O Poder do Sonho

Rose Monteiro de NY

Rose é uma amiga de muitos e muitos anos. Há alguns bons anos ela reside nos EUA, trabalha numa companhia de aviação e vive voando por este mundão de meu Deus. Nós nos falamos por e-mail, msn e, às vezes, nos encontramos.
Outro dia, motivada pelos textos sobre Ribeirão que ando colocando no blog, ela enviou-me este texto falando da sua chegada em Ribeirão.
Obrigado.

A Estudante
A chegada na rodoviária de Ribeirão Preto foi histórica para mim. Depois de nove horas de viagem naquele ônibus da Viação Andorinha…eu sim me senti um pássaro libertado da gaiola, prontinha para voar. Eu tinha 17 anos…e para mim isso era o que era a cidade grande! Ribeirão Preto, 1973!
A capital do Café se preparava para receber a rainha da cocada, eu!
Bem-vinda à Unaerp! Puxa, soava como nome de escola importante… E assim eu abracei essa cidade, que mais do que poderia ser, foi pra mim um ícone de tempo, espaço e sonhos de menina.
Migrante de Presidente Prudente, cheguei para estudar.Cheia de sede, queria aprender jornalismo…
Agarrei o livro das Paginas Amarelas e. deitada no chão de um quarto de pensão na Visconde de Inhaúma, copiei todos os endereços que traziam no titulo “agencia de propaganda”, “propaganda”, “anúncios de propaganda”, “propaganda e jornalismo”, etc…etc… Acabei com um listão, que me deu o que fazer pela semana afora…
Bati de porta em porta…Era meu primeiro ano na Faculdade e queria trabalhar! Queria correr atrás do meu sonho na cidade grande, queria desafiar a dificuldade, ser alguém, queria saber de meu tamanho…queria isso, queria aquilo, queria e queria…
Com muitas portas gentilmente batidas na cara e um melhor senso de realidade, voltava para casa todo dia cabisbaixa, mas sem desanimar…Deixe estar!, pensava comigo. Amanhã começo tudo outra vez!
E não foi por acaso, que num desses dias belos, acabei reconhecida para um cargo de “estagiaria”! Era uma agência de propaganda de verdade, de nome GG Propaganda! Meu Deus! não é que me queriam?
Pense sobre a felicidade! Esse era o meu retrato…dia apos dia, depois de um expediente onde de tudo se fazia, desde arriscar escrever um texto, posar pra fotos de varejão, fazer café pro pessoal, jogar conversa fora, ser incluída numa reunião importante da Redação…Valia tudo!
Ribeirão era pura felicidade…voltava para a pensão caminhando pela Nove de Julho, cantarolando, céu sempre azul, roseado nos finais de tarde…o frescor das arvores, o comecinho da noite e sempre a promessa de um futuro…de uma novidade… de um novo amigo…aquilo mesmo que só quem vem de fora, de mais longe, de cidade menor, pode deliciosamente experimentar...

O Sino da Matriz

No centro da cidade tem o sino –
O sino da matriz,
Badalando dia e noite,
Badalando alto e forte;
Anunciando aos fiéis e infiéis
Que o tempo esta passando
E não volta nunca mais.
Texto de Bia Nogueira publicado no Guia Centro de Ribeirão - Edição Março 07

Numa esquina do centro

Parado, numa esquina do centro, esperando o semáforo me autorizar a travessia da avenida, não percebi que entre a terra e o céu pairava sobre nós a verde ramagem de uma esplêndida sibipiruna. Sob meus pés, depois notei com espanto, a grossa e macia camada dos dejetos noturnos daquelas famílias aladas que habitam os andares mais altos das árvores e que não eram anjos, não, mas nossas queridas “margosas”, ou pombas, como querem os mais exigentes de exatidão.
Não me dirigia a nenhum encontro protocolar, tampouco a qualquer tipo de reunião formal, com pessoas gradas ou graves. Meu destino, naquele momento e por sorte minha, era o estacionamento, onde deixara o carro duas horas antes.
Os mais velhos continuam afirmando que do céu só coisa boa pode cair: a chuva benfazeja, o maná que alimenta, ou penas de anjos, que se coçam distraidamente sentados nas nuvens. Tenho o maior respeito pelos mais velhos, mas desde hoje cedo me julgo no direito de não lhes dar crédito nenhum. Nem tudo que vem do alto tem parentesco com o anjo Gabriel.
Foi o que vi assustado quando senti em meu peito, quase dentro do bolso da camisa, o pequeno baque quase surdo seguido de uma sensação de umidade na altura de meu mamilo esquerdo, bem do lado do coração.
Estive a ponto de repetir essas asnices que nos vêm à mente em ocasiões semelhantes: “Não dou sorte na vida”, “Só comigo, mesmo, estas coisas acontecem”, “Por que justo comigo, meu Deus do céu?”.
O semáforo me autorizou a passagem para o lado de lá, mas não saí do lugar, inteiramente paralisado por grave problema ecológico a fervilhar em minha cabeça. Olhava meio abestalhado para aquela pequena mancha quente, escura e úmida, como se estivesse diante das chagas de Cristo com a responsabilidade de cicatrizá-las. As orelhas de todas as autoridades civis, eclesiásticas e militares do município de Ribeirão Preto devem ter esquentado muitos graus acima do normal naquela hora. Moramos sem reclamar na cloaca das pombas?, perguntei-me indignado.
Com o passar das horas, e enquanto esperava o semáforo mudar de atitude (pois sentia-o muito hostil), tentei pensar com mais calma sobre as causas de tudo aquilo e acabei chegando a alguma reflexão ainda possível a respeito da ação humana como piolho do planeta. Aliviado de todo o rancor inicial, lembrei-me de que fomos nós quem primeiro invadimos o espaço delas; derrubamos suas árvores, botamos fogo em seus ninhos e roçamos suas capoeiras. Sua opção de sobrevivência foi invadir, por sua vez, nosso espaço.
Já era quase noite quando cheguei finalmente ao estacionamento. Vinha pelo caminho pensando nas muitas titicas que o homem tem de suportar como conseqüência de suas próprias ações. E foi assim que me lembrei de asiáticos, africanos, árabes e latino-americanos fazendo cocô, que nada tem de angélico (mas que bendito cocô!), na casa dos outros.
Benditas sois vós, pombas de minha cidade, que ainda podeis ensinar-nos muitas lições sobre a vida.

Texto de Menalton Braff publicado no Guia Centro de Ribeirão - Edição Março 07

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Rua dos Cataventos

A Flipinha aconteceu paralelamente à FLIP na rua dos Cataventos, homenagem ao poeta Mário Quintana. Mas, na verdade, a Flipinha acontece durante todo o ano em Paraty. Uma equipe da Associação Casa Azul , responsavel pela realização da Flipinha, desenvolveu um trabalho com 800 professores da rede municipal de ensino, com oficinas de poesia, ilustração e mediação de leitura. Neste ano material incluiu orientações de como trabalhar na sala de aula o homenageado da FLIP, Manuel Bandeira. A programação da Flipinha contou com autores como Carlos Heitor Cony, Marina Colasanti, Nilma Lacerda, Ruth Rocha, Roseana Murray entre outros.

O Turismo Predatório

Na sexta-feira, dia 3 de julho, durante a FLIP, as ruas de Paraty assistiram a uma manifestação popular dos representantes dos indígenas, quilombolas e caiçaras, que estão sendo ameaçados e forçados a mudar de seus locais por grupos de empresas imobiliárias que estão projetando resorts e marinas com o fechamento de 3 praias.
Chico Buarque, no final de sua mesa de debate com Milton Hatoum, manifestou-se apoiando a reivindicação dos moradores da terra. Foi muito bom ouvir a sua palavra, porque não podemos mais permitir que o poder econômico continue destruindo nossa beleza natural e ignorando o ser humano nativo e sua história.

Uma Festa Universal

A cidade de Paraty é um dos locais mais charmosos deste nosso Brasil. As casas coloniais, as pedras que calçam suas ruas, os bares, restaurantes, cafés, lojas junto ao mar com seus barcos, formam uma paisagem única e muito bonita.
Durante os dias da FLIP - Feira Literária Internacional de Paraty, de 01 a 05 de julho - além de toda beleza natural - pode-se assistir a palestras e debates com intelectuais como Gay Talese, António Lobo Antunes, Chico Buarque, Minton Hatoum, Catherine Millet, Maria Rita Kehl, que estavam entre os participantes desse ano. É um belo encontro entre escritores e leitores.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Pina Bausch

Morreu hoje, depois de 5 dias do diagnóstico de um câncer, de maneira tranquila, a coreógrafa e bailarina Pina Bausch que tinha 68 anos.
Não entendo nada de dança. Mas, confesso que quando assisti, pela primeira vez, a um trabalho da artista, fiquei apaixonado. Seu trabalho era uma mistura de dança e teatro com uma leveza e beleza de movimentos que nos deixava paralisados.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

O Quadrilátero

Texto de Ademar Cardoso de Souza publicado no Guia Centro de Ribeirão - Edição Março 07

A Bandeira que carrego no peito

A Praça da Bandeira era linda, acredite. Eu passava por lá quase todos os dias da minha infância e juventude. Para nós era a praça da Catedral. Lá ficava a Livraria Católica, a Casa Glória, o Foto Miyasaka, o Diário de Notícias. Do outro lado, a Faculdade de Farmácia e Odontologia e a Gruta Gelada, que vendia refrescos gaseificados, deliciosamente espumantes, feitos na hora.
Cortada ao meio pela Rua Florêncio de Abreu, a parte de baixo da Praça da Bandeira era a mais bonita, mais cheia de árvores e pássaros. Cercada de majestosas palmeiras imperiais – como as que ainda enfeitam a Avenida Jerônimo Gonçalves –, havia uma profusão de bancos para sentar, ler e namorar, sem sujar a roupa. Ninguém sentava no encosto do banco e metia os pés no assento. Quebrar um banco? Nem pensar! Havia respeito e, como garantia do respeito, um guarda. Farda caqui, cassetete de madeira e pouca tolerância com moleque malcriado, cada praça tinha seu guarda pago pelo Município. Os bancos ficavam inteiros, ninguém pisava na grama e ai de quem metesse os pés no assento.
Na parte de baixo, na Rua Tibiriçá, havia um recanto cercado de figueiras bravas, com uma fonte e um laguinho. Era meu preferido, quando dava o cano do ginásio da Associação de Ensino. A escola ficava na Rua Américo Brasiliense, onde foi depois a Ceterp e hoje há uma agência da Caixa. Matando as aulas pagas pelo meu pobre pai, conversava fiado com os companheiros de vagabundagem, no geral o Gama, o Bilico, o Edmilson Leão – irmão do goleiro da Seleção que hoje é técnico do Corinthians.
Na esquina, Tibiriçá com América Brasiliense, ficava estacionado um carrinho de sorvete do Bernardino. Era pilotado pelo seu Antônio – nunca soubemos o sobrenome – que a gente chamava de Véio. Gozador malicioso e piadista, era amigo de todo mundo, mas não vendia fiado nem para o Capeta. O Véio Antônio não usava dessas conchinhas de bola para encher as casquinhas. Tirava o sorvete com uma colher de sopa, era mais generoso com as porções dos amigos e fazia comentário malicioso quando algum incauto pedia que enfiasse – o sorvete, claro – bem no fundo: “Ah, ele quer que enfie bem no fundo, he, he, he”. E a gente uivava...
Deus queira que Véio esteja vivo, mas tenho cá comigo que ele já se foi. Assim como já foram o Filhinho, o Eulisses e o Mário, da barbearia Smart, na Barão do Amazonas, o Toni Miyasaka, o “padre” Celso, diretor do Diário de Notícias, o bispo Mousinho e a dona Anna, minha santa mãe, que amava o centro da cidade e, particularmente, a Praça da Bandeira. Também já reduziram a pó o palacete de 12 janelas da Barão do Amazonas com Americano Brasilense, os casarões da gente fina que cercava a Praça e foi-se ao vento nossa infância querida, que os anos não trazem mais.
Ficou esse arremedo de logradouro que chamam agora – erradamente – de “praça das bandeiras”: um pavoroso depósito de merda de pombo, tomado por posseiros urbanos e barracas sujas de plástico azul. Gente que, com a incompetência ou cumplicidade da autoridade pública, loteou para si um espaço pertencente aos 550 mil habitantes de Ribeirão Preto.
Sei que o tempo não regride, que a infância não volta e tampouco os mortos ressuscitam. Isso passou. Mas, quanto à Bandeira, não abro mão:
Quero de volta minha Praça querida!, pois que a praça era do povo!
Texto de Luiz Augusto Michelazzo publicado no Guia Centro de Ribeirão - Edição Março 07

Samuel Butter

domingo, 28 de junho de 2009

Mario Quintana



sábado, 27 de junho de 2009

Políticos são Políticos em Qualquer Lugar

Como a gente pode ler nesta frase do grande Charles Chaplin, políticos são sempre questionados e colocados em cheque. Nós brasileiros temos a tendência de acreditar que os políticos brasileiros são os piores e mais sujos do mundo. Mas, quanto mais nos informamos, mais claro fica que essa doença é universal. Acabamos de assistir os políticos ingleses, na Câmara dos Lordes, pagarem contas particulares com dinheiro dos cofres públicos, isto é, dinheiro dos cidadãos contribuintes.

ISADORA DUNCAN

Só uma grande artista como a Isadora Duncan para definir em uma frase a importância do amor.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

O tolo que era sábio

Todos os dias o Mullah Nasrudin ia esmolar na feira, e as pessoas adoravam vê-lo fazendo o papel de tolo, com o seguinte truque: mostravam duas moedas, uma valendo dez vezes mais que a outra.
Nasrudin sempre escolhia a menor.
A história correu pelo condado. Dia após dia, grupos de homens e mulheres mostravam as duas moedas, e Nasrudin sempre ficava com a menor.
Até que apareceu um senhor generoso, cansado de ver Nasrudin sendo ridicularizado daquela maneira.
Chamando-o a um canto da praça, disse:
- Sempre que lhe oferecerem duas moedas, escolha a maior. Assim terá mais dinheiro e não será considerado idiota pelos outros.
Nasrudin lhe respondeu:
- O senhor parece ter razão, mas se eu escolher a moeda maior, as pessoas vão deixar de me oferecer dinheiro, para provar que sou mais idiota que elas.
O senhor não sabe quanto dinheiro já ganhei, usando este truque.
E acrescentou: - "Não há nada de errado em se passar por tolo, se na verdade o que você está fazendo é inteligente".

Pasquim completa 40 anos hoje

O primeiro número do jornal alternativo "O Pasquim" circulou pela primeira vez há exatos 40 anos, no dia 26 de junho de 1969.
A publicação, além do papel importante na resistência ao regime militar brasileiro (1964-1985), foi também um belo suporte para novas propostas e idéias.

Parabéns, Luísa!

Hoje, 26 de junho, a minha neta Luísa completa 3 anos de vida. E como vocês podem ver nas fotos, ela anda cada dia mais linda. Para este avô babão é um grande prazer poder estar aqui compartilhando essa notícia.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Wladimir Herzog

Hoje, às 19h30, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, os familiares e amigos de Wlado lançam o Instituto Wladimir Herzog que terá como objetivo organizar todas as informações (fotos, reportagens, documentos) sobre a vida e os trabalhos do jornalista. O instituto vai disponibilizar os dados a pesquisadores e estudantes. Além disso, pretende promover debates sobre a questão do papel do jornalista e das mudanças ocorridas na profissão.
Sábado, dia 27 de junho de 2009, Wlado completaria 72 anos. Wladimir Herzog morreu em 25 de outubro de 1975, nos porões do DOI-Codi. Na época, depois de os militares tentarem, em vão, convencer a sociedade de que ele havia cometido suicídio, ficou claro que Wlado foi torturado até a morte. Esse incidente foi um divisor de águas e desencadeou o fim das torturas no Brasil.
http://www.vladimirherzog.org

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Chafariz

Para Eurico Rezende
Quando se pousa numa cidade é preciso fazer ninho, dormir em chafariz.
Quando se chega é tecer tramas de amizade, esgueirar esquinas
Qualquer sombra é descanso, todo sorriso mata sede de passarinhos.

Um lugar onde pousa Pelicano, há agudos de Gaivota.
Um ponto de encontro um alfinete na década um tilintar de caneca.

Cores verdes e teto baixo afundam na madrugada
Cachorro Louco delega
Escultores entrelaçam corações em ferro e pedra

Músicos pululam Perereca
Talentos de Coelho raro
Humor de Canarinho

Ambiente adoçado com Mel e Kaxassa.
Feliz com a carreira que abraçou, professor?

Texto de Ricardo Lima publicado no Guia Centro de Ribeirão - Edição Março 07

Boas Novas para o Planeta

Fabricantes e operadores de celular fecharam um acordo na terça-feira, dia 17 de junho de 2009, no Congresso Mundial de Telefonia Móvel em Barcelona, para trabalharem juntos na criação de um carregador universal para celulares.
Empresas como a Nokia, Motorola, LG, Sony, Ericsson e Samsung participam da iniciativa, que vai facilitar a vida dos usuários, evitando que a cada celular você tenha que descartar o carregador. Quem ganha com isso é o nosso planeta.

Praça das Bandeiras: um ponto de intersecção

Memórias, quem não as tem? Mas o que verdadeiramente fazer com elas? Eu respondo rápido. Deliciar-se.
Como é bom lembrar, nem só de coisas boas, mas de tudo. A lembrança pode até ensinar. E como aprendo com as minhas.
Em especial quero escrever sobre a Praça das Bandeiras, esta que fica bem de frente com a Catedral. Ela aparece em minha memória principalmente em sua versão noturna, menos movimentada, com poucos transeuntes. Quando ainda estudante de jornalismo, morando em Bonfim Paulista, a Praça das Bandeiras era meu ponto de intersecção. Da Unaerp até ela e dela até Bonfim. Este era meu percurso em algumas noites da semana.
Forço agora, para lembrar-me exatamente porque naquela época (1989/1992) não sentia qualquer medo de estar ali, às vezes, perto da meia noite, sentada no banco esperando o ônibus, em algumas ocasiões, sozinha. Não sei ao certo se a violência não era tão alarmante, se eu era mais corajosa ou se minhas preocupações em como conquistar o mundo aprisionavam o medo em uma área periférica do meu cérebro. De qualquer forma, é certo que medo eu não tinha e, mais certo ainda, é de que hoje eu tenho. De todas essas lembranças uma é mais exibida e pede sempre para ser contada.
Acontece que a rotina cria amigos e eu já era amiga de todos os motoristas de ônibus da empresa Rápido D’Oeste que fazia a linha Ribeirão/Bonfim. Tantas e quantas vezes naquele ônibus imenso só seguiam, eu o motorista e o cobrador. Chegava até me constranger o ônibus ter que ir para Bonfim somente pra me levar, mas o motorista explicava que comigo ou com trinta passageiros ele teria que fazer a última volta. Como imaginar o que estava por vir? Respondia perguntado um deles.
E é verdade. Da Praça das Bandeiras até Bonfim tinham, e acho que ainda tem, umas vinte paradas, como saber se alguém esperava ou não? Só mesmo percorrendo todo o trajeto. E assim o presente ia vagarosamente se tornando passado.
Certo dia, ou seja, noite, eu esperava pelo ônibus, como sempre, sentada no banco com um livro aberto. O lia com a dificuldade daqueles que enxergam pouco porque a luz era escassa, as árvores eram imensas e o sono era malvado. Minha distração na leitura manteve-me de cabeça baixa e não percebi a aproximação do ônibus. Se o perdesse, ir para Bonfim naquela noite, somente de táxi, era o último. Mas como disse, era amiga dos motoristas. E o daquela noite era, entre todos, o mais especial, tanto que ele não teve dúvida. Antes de virar a esquina na rua Visconde de Inhaúma, parou sua jardineira, tirou metade do corpo para fora ficando dependurado pela haste de metal e gritou.
_Hein, Adriana, está esperando alguém além de mim? Corri como ninguém para não fazê-lo esperar muito. Depois rimos da condição de motorista particular que às vezes ele se colocava.
Mas é assim que me lembro da Praça das Bandeiras. Um lugar que um dia foi tranqüilo.
Texto de Adriana Silva publicado no Guia Centro de Ribeirão - Edição Março 07

terça-feira, 23 de junho de 2009

Rosai por nós

(Chico César e Alice Ruiz)
nossa senhora da flor roxa
rosai por nós
assim na vida
como no chão
a primavera de cada ano
nos dai hoje
encantai nosso jardim
assim como encantamos
o do vizinho
e não nos deixeis cair na tentação
de esquecer tuas flores

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Antes do Dia Partir

O que valeu a pena hoje? Sempre tem alguma coisa.
Um telefonema. Um filme...

Paulo Mendes Campos, em uma de suas crônicas
reunidas no livro O Amor Acaba, diz que devemos nos
empenhar em não deixar o dia partir inutilmente.
Eu tenho, há anos, isso como lema.

É pieguice, mas antes de dormir, quando o
dia que passou está dando o prefixo e saindo do ar,
eu penso: o que valeu a pena hoje?
Sempre tem alguma coisa. Uma proposta de trabalho.
Um telefonema. Um filme.
Um corte de cabelo que deu certo.
Até uma briga pode ter sido útil, caso tenha
iluminado o que andava ermo dentro da gente.

Já para algumas pessoas, ganhar o dia é ganhar mesmo:
ganhar um aumento, ganhar na loteria, ganhar um pedido
de casamento, ganhar uma licitação, ganhar uma partida.

Mas para quem valoriza apenas as mega-vitórias, sobram
centenas de outros dias em que, aparentemente,
nada acontece, e geralmente são essas pessoas que
vivem dizendo que a vida não é boa, e seguem cultivando
sua angústia existencial com carinho e uísque,
mesmo já tendo seu super apartamento, sua bela esposa,
seu carro do ano e um salário aditivado.

Nas últimas semanas, meus dias foram salvos por detalhes.

Uma segunda-feira valeu por um programa
de rádio que fez um tributo aos Beatles e que me
arrepiou, me transportou para uma época legal da vida,
me fez querer dividir aquele momento com pessoas que
são importantes pra mim.

Na terça, meu dia não foi em vão porque uma pessoa que
amo muito recebeu um diagnóstico positivo de
uma doença que poderia ser mais séria.

Na quarta, o dia foi ganho porque o aluno de uma
escola me pediu para tirar uma foto com ele.

Na quinta, uma amiga que eu não via há meses ligou me
convidando para almoçar.

Na sexta, o dia não partiu inutilmente só por causa de
um cachorro-quente.

E assim correm os dias, presenteando a gente com uma
música, um crepúsculo, um instante especial que
acaba compensando 24 horas banais.

Claro que tem dias que não servem pra nada,
dias em que ninguém nos surpreende, o trabalho não
rende e as horas se arrastam melancólicas, sem falar
naqueles dias em que tudo dá errado:
batemos o carro, perdemos um cliente
e o encontro da noite é desmarcado.

Pois estou pra dizer que até a tristeza
pode tornar um dia especial, só que não ficaremos
sabendo disso na hora, e sim lá adiante, naquele lugar
chamado futuro, onde tudo se justifica.
É muita condescendência com o cotidiano, eu sei,
mas não deixar o dia de hoje partir inutilmente
é o único meio de a gente aguardar
com entusiasmo o dia de amanhã.
Martha Medeiros

domingo, 21 de junho de 2009

Faz de Conta

Era um tempo de faz de conta. Brincadeira de criança, pipa, carrinho de rolemã, pião, bolinha de gude. Fantasia de casinha, boneca; escola de mentirinha com caderno, lição e nota.
Era tempo de sol a pino, rua cheia de árvore enfileiradinha e casa de porta aberta com lanche da tarde: pão, manteiga, café com leite. À tarde, hora do banho pra tirar o encardido do pé e a fileira de suor e terra do pescoço. Sopa na janta, alguém contava uma história, ave-maria e cama.
O universo cabia no quarteirão lá de casa: cem metros de rua São José, entre Rui Barbosa e Campos Sales. Era ali que a gente inventava a vida do jeito que queria. Nesse tempo não havia inimigos; o perigo andava longe, lá pelas bandas da cidade grande, em notícia de jornal. O Filósofo, por exemplo, bebia até cair, mas tinha uma biblioteca na cabeça e uma doçura imensa no coração. Andarilho, escolheu nosso mundinho para se instalar e vivia nos contando histórias. Um dia, apaixonou-se pelos olhos azuis da minha irmã, pra quem cantava emocionado “Boneca Cobiçada”.
Assim como ele, alguns personagens deste tempo grudaram-se na memória como num Amarcord particular. O dono do bar da esquina, um enorme árabe cuja unha do dedo mindinho, de tamanho descomunal, exercia sobre nós um verdadeiro fascínio. A cabeleireira do bairro, na época a mais conhecida da cidade, bondosa e simpática, toureando uma clientela de finíssimo trato; o moço que perdera o juízo, encostado na porta da rua, de pijama, cabeça baixa entre as mãos, impassível, eterno, sem tempo.
Na esquina onde hoje tem uma locadora de vídeo morava o médico de família – cabeleira grisalha e sorriso dentuço, meio manco, cultivando em seu bonito jardim aquelas florzinhas azuis que grudávamos na roupa. E claro, na outra esquina, a enigmática viúva rica e seu impecável motorista de cabelos de brilhantina. Boquiabertos, soubemos um dia que aquela torre que enfeitava a casa dela, abrigava um elevador. Um luxo cinematográfico para a época!
Havia o mecânico meio maluco que morava nos fundos de um longo corredor. Oficialmente arrumava bicicletas, mas seu grande e inacabado projeto era um fantástico automóvel que ele construía com sucatas. O espantoso bólido – objeto de nossa mais pura fascinação – repousava no quintal em meio a dezenas de galinhas que cacarejavam voejando sobre o veículo como se fosse um poleiro. Aos domingos, o velho e barrigudo mecânico-inventor envergava a eterna camiseta suja, instalava uma poltrona no carro e lá ia rua abaixo, dirigindo a geringonça sob o aplauso e a euforia da meninada.
Outra figura de doce lembrança era o quitandeiro italiano que morava com a família nos fundos da quitanda. Entre as verduras frescas, exibia preciosidades só possíveis neste tempo de faz de conta. Como bom “oriundi”, o homem deliciava a freguesia com enormes queijos parmesão e azeitonas pretas do tamanho de um limão.
Inesquecíveis também, as entiotadeiras. Longilíneas e silenciosas, compunham uma estranha coreografia na pequena sala que aguardava os fregueses. Lezes e organdís eram engomados até os vestidos pararem de pé, espalhados pelo chão como personagens de um conto de fadas. O cheiro da goma, o vapor subindo da mesa, o barulhinho tsiiiiii dos pesados ferros a carvão completavam a paisagem da casa apertada, de porta na rua.
O quarteirão inteiro era formado por casas parecidas -- graciosos bangalows com um pequeno jardim, varanda e janelas de madeira. O rico proprietário de todas as nossas casas era um solteirão que morava com as irmãs num elegante palacete, com vestígios vagamente europeus. Ali, depois do jardim e da escadaria de mármore, imaginávamos segredos insondáveis que tentávamos desvendar com as carinhas grudadas no gradil da fachada.
Nos dias de tempestade a água descia enfurecida num rio que cobria toda a São José e arrastava o que havia pela frente. Cadeiras, brinquedos e, às vezes, automóveis passavam navegando por nossa animada platéia que das varandas aplaudia o espetáculo ou, mais ousada, se metia na corredeira.
A igreja com seu relógio e suas badaladas não guarda mais os afrescos que enfeitavam as paredes. Com eles se foi um tempo de inocência, procissões, missal e mantilha. Foram-se também os anjos de cetim que envergávamos todos os anos para coroar Nossa Senhora.
Com exceção de um ou outro sobrevivente, não há mais no quarteirão nenhum vestígio físico deste tempo. A casa onde nasci transformou-se numa ótica e os edifícios imensos sombreiam todas as calçadas. Mas dentro da gente as paisagens não mudam. Estarão sempre lá o mecânico inventor, o fruteiro italiano, as passadeiras e o moço de pijama, todos personagens do nosso pequeno arsenal de certezas. No tempo do faz de conta, foram eles as referências territoriais e afetivas que nos guiavam diariamente em direção ao futuro.
Texto de Carmen Cagno publicado no Guia Centro de Ribeirão - Edição Março 07

sexta-feira, 19 de junho de 2009

O Novo Livro da Carmen Cagno

Acabou de sair do forno o mais novo livro da Carmen Cagno. Pequena Pausa Para um Susto é uma coletânea de 47 textos divididos em 5 capítulos, sendo que no capítulo 3, que leva o nome do título do livro, você encontra 3 textos para um susto.
O livro é uma publicação da editora Coruja, tem 100 páginas, tamanho 18 x 18cm, impressão em off-set com capa plastificada. O lançamento será na Feira do Livro, no estande dos autores locais, no dia 27 de junho, sábados, das 11:00 às 12:00 horas. Compareça!.