quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Hotel de 1916 Abriga Exposição a Partir de Hoje


Foi inaugurado ontem e abre para o público em geral a partir de hoje a Exposição Red Bull House Off Art. Na foto acima vemos o edífico do antigo Hotel Central (Av. São João, 288), no centro de São Paulo.
O prédio, que fica no calçadão próximo ao Anhangabaú, foi construído em 1916 e estava desativado desde 2005.
Brasileiros como Rodrigo Garcia Dutra e Regina Parra, o japonês Hiraku Suzuki, o alemão El Bocho e Gabriela Golder, da Argentina, contarão com ateliês e quatro andares do imóvel para desenvolverem instalações, vídeos e pinturas.
O projeto chamado de "Red Bull House of Art" tem curadoria de Lucas Bambozzi e Maria Montero e recebe na mesma data uma mostra com obras já desenvolvidas pelos participantes. Uma nova exposição, com trabalhos feitos durante a residência, abre dia 5/12. 

Hotel Central - av. São João, 288, região central, São Paulo, SP. S/tel. Ter. a sex.: 12h às 18h. Sáb. e dom.: 10h às 18h. Primeira exposição: 11/11 a 13/12. Segunda exposição: 5/12 a 13/12. Grátis. Classificação etária: livre.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Encontro de Povos Indígenas


No dia 18 de novembro, às 20h30, no Sesc, na rua Tibiriçá, 50, acontecerá o lançamento do livro Tradição e Resistência que conta com pesquisas sobre as etnias indígenas, mapas, fotos e um DVD que reune informações sobre a arte e a terra, depoimentos e entrevistas. Estarão presentes no evento Cristina Flória, que é nascida em Ribeirão e trabalha há muitos anos com a cultura indígena brasileira e o índio Timóteo Guarani. 

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Ziraldo em 1970


Essa charge do mestre Ziraldo foi publicada no Jornal do Brasil em 1970.

domingo, 8 de novembro de 2009

Marcelo Tas Refletindo

Em 2005, quando ocorreu a tragédia do Tsunami o Marcelo Tas publicou este artigo/comentário que acredito, devemos ler e rê-ler sempre, para não perder de vista essa lição.

HORA DE OUVIR OS ELEFANTES
A tragédia do Tsunami trouxe uma lição. Perdida no meio do oceano de notícias, soube-se que no Yala National Park, Sri Lanka, bem no meio de uma regiões mais afetadas pela mega onda, nenhum animal foi encontrado morto!
Repito: num parque onde havia 19 Km de praias, habitadas por centenas de elefantes, leopardos, pássaros, coelhos... ninguém morreu!
Verificou-se com espanto que antes da chegada do maremoto os animais, por alguma razão ainda não esclarecida, se deslocaram da praia e das áreas mais baixas, para a parte mais alta do parque. As águas chegaram a entrar 3 Km parque a dentro. Mas ali não havia ninguém. Ou melhor, nenhum bicho foi pego de calças curtas.
Surgiram alguns palpites. Na BBC e na National Geographic, cientistas afirmaram que possivelmente o fato se deu porque os animais ouvem uma freqüência de som produzida pelo terremoto, mais baixa do que as que os nossos ouvidos captam.
Segundo ele, os bichos também sentem vibrações no solo e do ar, as rally waves, estas, sim, também somos capazes de sentir em nosso próprio corpo. Ou melhor, seríamos. Nossa mente anda tão congestionada de informação, que apesar das rally waves chegarem até nossos corpos, essa informação é simplesmente deletada da nossa consciência.
Entenderam a tragédia?
Resumo: os bichos se salvaram porque estavam conectados. Nós, seres humanos, nos estrepamos porque estávamos também conectados, só que em outras ondas: rádio, TV, videogame, ou mesmo o sonzão do carro ou do botequim tocando no último um bate-estaca de ano novo.
Nesses meus poucos dias de férias, persegui como um louco a tecla mute do controle remoto. Tentando diminuir pelo menos o volume do mundo ao meu redor. Valorizar o botão de desliga. Tá ligado?
Tá na hora da gente ouvir menos o barulho e mais os elefantes.
Marcelo Tas

sábado, 7 de novembro de 2009

A Vida Vale a Pena

"Só o que está morto não muda!
Repito por pura alegria de viver:

 A salvação é pelo risco, 
Sem o qual a vida não vale a pena!!!" 
 
Clarice Lispector

Artur da Távola

Este texto maravilhoso do Artur da Távola, é uma das pedras preciosas que rolam pela rede mundial de computadores. Em sites e blogs, a quantidade é infinita. Mas, ainda tem pps, e-mails, e até filminhos. Mas, convenhamos, ainda bem que isso acontece, né?

TER OU NÃO TER NAMORADO
Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo.
Namorado é a mais difícil das conquistas.
Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão, é fácil.
Mas namorado, mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção não precisa ser parruda, decidida; ou bandoleira basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.
Quem não tem namorado é quem não tem amor é quem não sabe o gosto de namorar. Há quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes; mesmo assim pode não ter nenhum namorado.
Não tem namorado quem não sabe o gosto de chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho.
Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa e quem ama sem alegria.
Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar.
Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas; de carinho escondido na hora em que passa o filme; de flor catada no muro e entregue de repente; de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar; de gargalhada quando fala junto ou descobre meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.
Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, de fazer cesta abraçado, fazer compra junto.
Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor.
Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira - d'água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.
Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar.
Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada, ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.
Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.
Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz.
Não
tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.

Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos, ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim.
Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria.
Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido. ENLOU-CRESÇA.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Pablo Neruda Ilumina a Sexta-Feira

Acabei de ler este poema no Blog da Maria Sanz "noProvador" e, não resisti, copiei e corri para colar aqui para que todos os leitores deste Blog, os amigos e todos aqueles que amam a vida possam desfrutar da beleza deste poema.

É Proibido
É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.


É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,

Não transformar sonhos em realidade.

É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.

É proibido deixar os amigos

Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.


É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,

Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você. 


É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus, nem fazer seu destino

Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.


É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,
Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.


É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,

Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.

É proibido não criar sua história,
Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.


É proibido não buscar a felicidade,
Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.

Pablo Neruda

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Ninho de Estrelas


crédito: Nasa, ESA, R. O'Connell (Univ. Virginia), B. Whitmore (Space Telescope Science Institute), M. Dopita (Australian National Univ.), e comitê de supervisão científica da Wide Field Camera 3
A nova câmera (WFC3, de Wide Field Camera 3) instalada no Telescópio Espacial Hubble em maio deste ano captou a mais detalhada imagem de nascimento de estrelas. O processo de formação estelar, flagrado na galáxia espiral M83, é mais rápido, especialmente em seu núcleo, do que o presente na Via-Láctea. A WFC3 (de Wide Field Camera 3) revela estrelas em diferentes estágios de evolução, fornecendo aos astrônomos subsídios para dissecar a história de sua formação. Também é possível visualizar os remanescentes de cerca de 60 explosões de supernovas, as explosões de estrelas massivas, podem ser vistas na imagem, cinco vezes mais nítidos do que os registros anteriores.

Receita Pra Lavar Palavra Suja

Viviane Mosé
Mergulhar a palavra suja em água sanitária.
Depois de dois dias de molho, quarar ao sol do meio-dia. Algumas palavras quando alvejadas ao sol adquirem consistência de certeza.
Por exemplo a palavra vida. Existem outras, e a palavra amor é uma delas, que são muito encardidas pelo uso, o que recomenda esfregar e bater insistentemente na pedra, depois enxaguar em água corrente. São poucas as que resistem a esses cuidados, mas existem aquelas.
Dizem que limão e sal tira sujeira difícil, mas nada. Toda tentativa de lavar a piedade foi sempre em vão. Agora nunca vi palavra tão suja como perda. Perda e morte na medida em que são alvejadas soltam um líquido corrosivo, que atende pelo nome de amargura, que é capaz de esvaziar o vigor da língua. O aconselhado nesse caso é mantê-las sempre de molho em um amaciante de boa qualidade. Agora, se o que você quer é somente aliviar as palavras do uso diário, pode usar simplesmente sabão em pó e máquina de lavar.
O perigo neste caso é misturar palavras que mancham no contato umas com as outras. Culpa, por exemplo, a culpa mancha tudo que encontra e deve ser sempre alvejada sozinha.
Outra mistura pouco aconselhada é amizade e desejo, já que desejo, sendo uma palavra intensa, quase agressiva, pode, o que não é inevitável, esgarçar a força delicada da palavra amizade.
Já a palavra força cai bem em qualquer mistura.
Outro cuidado importante é não lavar demais as palavras sob o risco de perderem o sentido. A sujeirinha cotidiana, quando não é excessiva, produz uma oleosidade que dá vigor aos sons.
Muito importante na arte de lavar palavras é saber reconhecer uma palavra limpa. Conviva com a palavra durante alguns dias. Deixe que se misture em seus gestos, que passeie pela expressão dos seus sentidos. À noite, permita que se deite, não a seu lado mas sobre seu corpo. Enquanto você dorme, a palavra, plantada em sua carne, prolifera em toda sua possibilidade.
Se puder suportar essa convivência até não mais perceber a presença dela, então você tem uma palavra limpa. Uma palavra limpa é uma palavra possível.

Chicletes Adams


Em 1940 o Chicletes Adams, já embalados em caixinhas de papelão amarela ou rosa com 2 unidades (que duraram por mais de 5 décadas), fazia propaganda na Revista o Cruzeiro, e afirmava que só eles faziam chicletes.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Quarta-feira Muito Quente

Nada melhor do que ter bons amigos. Hoje, recebi por e-mail de um grande amigo, um texto do Albert Camus, acompanhado de uma foto do ilustre escritor de O Estrangeiro e ainda, com uma nota do tradutor. Por favor, desfrutem deste belo presente do meu amigo Luiz Augusto Michelazzo.



Salamano e o cão
Albert Camus
Tradução de Luiz Augusto Michelazzo
Ao subir, pela escada escura, topei com o velho Salamano, meu vizinho de andar. Ele estava com seu cão. Há oito anos os vejo juntos. O cão, um spaniel, tem uma doença de pele, acho que sarna, que o fez perder quase todos os pelos e que o cobriu de placas e crostas escuras. Por força de viver com ele, os dois sós num pequeno quarto, o velho Salamano acabou por se parecer com ele. Ele tem crostas avermelhadas no rosto e seu cabelo amarelado é escasso. O cão, esse pegou do seu patrão um tipo de postura encurvada, o focinho adiante e o rabo abaixado. Eles têm o ar da mesma raça e portanto eles se detestam. Duas vezes por dia, às onze e às seis horas, o velho leva seu cão para passear. Há oito anos eles não mudam o itinerário. Pode-se vê-los ao longo da rue de Lyon, o cachorro puxando o homem, até que o velho Salamano tropece. Então ele bate no cachorro e o xinga. O cão abaixa de pavor e se deixa arrastar. Nesse momento fica o velho a lhe puxar. Quando o cão esquece, ele volta a arrastar novamente seu dono e é de novo espancado e xingado. Então ficam os dois na calçada se olhando, o cão com terror e o homem com ódio. É assim todos os dias. Quando o cão vai urinar, o velho não lhe dá tempo e o puxa, o spainel espalhando atrás de si um rasto de pequenas gotas. Se por acaso o cão faz dentro do quarto, então apanha outra vez. Isso dura oito anos. Celeste diz sempre “é uma desgraça”, mas no fundo, ninguém sabe. Quando o encontrei na escada, Salamano estava xingando o cão. Ele dizia: “Canalha! Carniça!” e o cão gemia. Eu disse: “Bom dia”, mas o velho xingou outra vez. Então eu lhe perguntei o que o cão havia feito. Ele não me respondeu. Ele disse somente: “Canalha! Carniça!”. Eu o vi , inclinado sobre o cão, arrumando qualquer coisa na sua coleira. Falei mais forte. Então sem se voltar, ele me respondeu com um tipo de raiva disfarçada: “É sempre assim”. Depois partiu puxando o animal que se deixava arrastar sobre as quatro patas, gemendo.
......
De longe percebi na direção da porta o velho Salamano que tinha um ar agitado. Quando nos aproximamos notei que ele não tinha seu cão. Ele olhou para todos os lados, voltou-se sobre si mesmo, tentando furar o escuro do corredor, murmurando palavras desconexas e voltando a inspecionar a rua com seus pequenos olhos vermelhos. Quando Raymond lhe perguntou o que se passava, ele não respondeu de pronto. Eu tinha vagamente entendido que ele murmurava “Canalha! Carniça!” e ele continuou a se inquietar. Perguntei onde estava o cachorro. Ele me respondeu bruscamente que havia fugido. E depois, de sopetão, ele falou com inconstância : “Eu o levei ao Campo de Manobras, como de costume. Estava lotado em volta das barracas dos feirantes. Eu parei para olhar “o Rei da Fuga” e quando quis voltar ele não estava mais lá. Há algum tempo eu queria comprar uma coleira maior. Mas eu jamais acreditei que essa carniça pudesse fugir assim. Raymond lhe explicou então que o cão poderia ter se extraviado mas que ele iria voltar. Ele citou exemplos de cães que haviam percorrido dezenas de quilômetros para voltar a seus donos. Apesar disso o velho mantinha o ar agitado. “Mas eles o pegarão, vocês entendem. Se ainda alguém o recolhesse. Mas isso não é possível, ele enoja todo mundo com suas crostas. A carrocinha o pegará, é certo.” Eu lhe disse que ele devia ir ao canil municipal e que o devolveriam mediante o pagamento de algumas taxas. Ele me perguntou se essas taxas eram elevadas. Eu não sabia. Então ele se encolerizou: “Dar dinheiro por essa carniça! Ah, ele pode bem é se arrebentar!”. E se meteu a xingar. Raymond riu e entrou no prédio. Eu o segui e nos separamos no corredor do andar. Pouco depois ouvi os passos do velho e ele bateu à minha porta. Quando abri ele ficou um momento na soleira e disse: “Desculpe-me, desculpe-me.” Convidei-o a entrar mas ele não quis. Ele olhou o bico dos seus sapatos e as mãos cheias de crostas e trêmulas. Sem me olhar no rosto, perguntou: “Eles não vão prendê-lo, diga senhor Mersault? Eles vão devolvê-lo. O que vai acontecer?” Eu lhe disse que a prefeitura deixava os cães três dias à disposição dos donos e que, em seguida, eles faziam o que, bom, ele sabia. Ele me olhou em silêncio. Depois me disse: “Bonsoir.” Ele fechou sua porta e eu o ouvi ir e vir. Sua cama rangeu. E no bizarro barulhinho que atravessou a divisória, percebi que chorava. Não sei porque pensei em mamãe. Mas eu tinha que acordar cedo no dia seguinte. Não tinha fome e deitei- sem jantar.
Nota do tradutor
Neste trecho de O Estrangeiro, um livrinho de 180 páginas, apontado como um dos patrimônios literários da humanidade, Albert Camus – Prêmio Nobel de Literatura em 1957 – faz um instantâneo da complexidade das relações humanas, cujos sentimentos alternam do amor ao ódio, milhares de vezes por dia.
Muitas vezes torna-se quase impossível entender a essência de certas relações abertamente hostis, odiosas e destrutivas e do porquê seguem em frente, sem se perceber os traços de afeto embutido nelas. Camus coloca a questão com mestria, de passagem, nesse trecho de O Estrangeiro, emblematicamente por meio de um velho solitário e um cão não menos miserável. Trata-se de uma das figuras literárias preferidas do meu irmão Paulo – que é psicólogo, analista – citada sempre para explicar a densidade das variações entre amor e ódio e ainda, a tardia percepção desses amores sofridos, encouraçados em espessa camada de rancor, ira e repugnância. Afeto escondido, muita vezes só tornado consciente com o desaparecimento do objeto do ódio. Mas O Estrangeiro, como foi dito, trata de Salamano e seu cão só de passagem, focando sua atenção maior à história do jovem Mersault, a partir da morte de sua mãe e os trágicos acontecimentos que se sucedem numa tarde excepcionalmente luminosa e quente no litoral argelino. É um mergulho profundo na alma humana, magistralmente bem descrito, e uma crítica contundente à justiça burguesa.
Trata-se de um livro imperdível, que deve ser lido – e relido, por quem já o fez.
Um dos maiores nomes da literatura contemporânea, Camus, francês nascido em Argel, é dono de vasta obra – romances, peças de teatro, ensaios e artigos. Outro pequeno livro seu, A Peste, colocar-se-ia igualmente entre as obras antológicas da literatura mundial. Transformado em filme, previsivelmente ficou muito aquém da obra literária, quase um esboço.
Homem de esquerda, Camus trabalhou na clandestinidade contra a ocupação nazista da Europa – escrevia para o jornal Combat – e em seguida pelo fim do colonialismo francês na Argélia. Morreu na França aos 47 anos, em 1960. A tradução do referido trecho teve por original a edição de bolso de L’étranger, da Editions Gallimard, de 1957, e como objetivo o puro prazer intelectual.

ILUMINAÇÃO


Neurobiol deixa seu cérebro iluminado. Nos anos de 1940, Neurobiol prometia melhorar a capacidade do cérebro em propaganda estampada nas páginas da Revista O Cruzeiro.  Hoje, 60 anos depois, percebemos que os problemas com o cérebro continuam iguais, as propagandas continuam prometendo iluminação, mas agora, em muito maior quantidade e com opções de muitas marcas e fórmulas milagrosos. 
O esquecimento é algo que nos acompanha a vida inteira.  Acredito que esquecemos o que não é interessante o suficiente para ocupar um lugar de destaque no cérebro. Você já ouviu falar de alguém apaixonado que esqueceu de ir buscar a namorada na hora do encontro? Ou então, de um funcionário que não foi receber o salário do mês porque esqueceu? Nem eu. Mas,  acho que por convenção, quando chegamos aos 40 anos começamos a nos preocupar com a falta de memória, aos 50 anos a preocupação se agrava e, depois dos 60 anos a gente esquece. 
Por isso, Neurobiol e todos os lubrificantes para o cerébro que forem lançados sempre terão um público novo sedento em resolver o seu problema de memória.

QUINDINS NA PORTARIA

Martha Medeiros
Estava lendo o novo livro do Paulo Hecker Filho, Fidelidades, onde, numa de suas prosas poéticas, ele conta que, antigamente, deixava bilhetes, livros e quindins na portaria do prédio de Mário Quintana: "Para estar ao lado sem pesar com a presença". Há outras histórias e poemas interessantes no livro, mas me detive nesta frase porque não pesar aos outros com nossa presença é um raro estalo de sensibilidade.
Para a maioria das pessoas, isso que chamo de um raro estalo de sensibilidade tem outro nome: frescura.
Afinal, todo mundo gosta de carinho, todo mundo quer ser visitado, ninguém pesa com sua presença num mundo já tão individualista e solitário.
Ah, pesa. Até mesmo uma relação íntima exige certos cuidados.
Eu bato na porta antes de entrar no quarto das minhas filhas e na de meu próprio quarto, se sei que está ocupado.
Eu pergunto para minha mãe se ela está livre antes de prosseguir com uma conversa por telefone.
Eu não faço visitas inesperadas a ninguém, a não ser em caso de urgência, mas até minhas urgências tive a sorte de que fossem delicadas.
Pessoas não ficam sentadas em seus sofás aguardando a chegada do Messias, o que dirá a do vizinho.
Pessoas estão jantando.
Pessoas estão preocupadas.
Pessoas estão com o seu blusão preferido, aquele meio sujo e rasgado, que elas só usam quando ninguém está vendo.
Pessoas estão chorando.
Pessoas estão assistindo a seu programa de tevê favorito.
Pessoas estão se amando.
Avise que está a caminho. Frescura, jura? Então tá, frescura, que seja.
Adoro e-mails justamente porque são sempre bem-vindos, e posso retribuí-los, sabendo que nada interromperei do lado de lá.
Sem falar que encurtam o caminho para a intimidade.
Dizemos pelo computador coisas que, face a face, seriam mais trabalhosas.
Por não ser ao vivo, perde o caráter afetivo?
Nem se discute que o encontro é sagrado.
Mas é possível estar ao lado de quem a gente gosta por outros meios.
Quando leio um livro indicado por uma amiga, fico mais próxima dela.
Quando mando flores, vou junto com o cartão.
Já visitei um pequeno lugarejo só para sentir o impacto que uma pessoa querida havia sentido, anos antes. Também é estar junto.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Encontro com o Diabo

Certo homem devoto, convencido de que era um sincero Buscador da verdade, submeteu-se a uma longa seqüência de disciplina e estudo.
Por um período considerável de tempo, teve muitas experiências, tanto em sua vida interior, como exterior, junto a vários mestres.
Um dia, meditando, viu subitamente o diabo sentado ao seu lado.
- Afasta-te, demônio - gritou -, não tens nenhum poder para me causar dano, pois estou seguindo o Caminho dos Eleitos. - A aparição se esfumou.
Um verdadeiro sábio que por ali passava, disse-lhe, com tristeza:
- Ah, meu amigo. Assentaste teus esforços sobre bases tão inseguras, tais como teu medo inalterado, tua avareza e tua auto-estima, que chegaste a tua última experiência possível.
- E por quê? - perguntou o buscador.
- Esse diabo é, na realidade, um anjo. Diabo é como tu o viste.
Extraído do livro Sufismo no Ocidente - Editora Dervish, Brasil

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Há 20 anos o Muro Caiu


Essa semana começam as comemorações dos 20 anos da queda do muro de Berlim. No dia 9 de novembro de 1989, depois de 28 anos da sua construção, caiu o muro de Berlim e, com ele, o maior símbolo da Guerra Fria.
O muro foi construído a partir do dia 13 de agosto de 1961 e dividiu a cidade de Berlim, que na época tinha 4 milhões de habitantes. Uma operação ultrassecreta de codinome “Rosa”, comandada pelo Birô Político do lado oriental, levou apenas cinco horas para fechar completamente as fronteiras internas da cidade, proibindo a circulação entre as zonas ocidentais e a área sob influência da União Soviética.
Tudo foi feito sob sigilo, durante a madrugada de um domingo, para que não houvesse reação dos berlinenses ou dos Estados Unidos, maior potência que fazia oposição aos soviéticos. Além dos envolvidos na operação, ninguém foi informado sobre decisão de fechar as fronteiras, e mesmo os que viam a instalação das cercas de arame farpado que mais tarde se tornariam um muro de concreto achavam improvável que o fechamento fosse definitivo.
Às 6h da manhã, enquanto a cidade dormia, era finalizada a primeira parte da operação que bloqueava 81 pontos de cruzamento e 193 ruas que atravessavam a fronteira, bem como os sistemas de transportes públicos. A cidade de 4 milhões de pessoas, que havia sido dividida de forma teórica após a Segunda Guerra Mundial, mas que na prática funcionava até então como um único organismo urbano, acordou cortada ao meio, separando famílias, amigos, casais e afastando trabalhadores dos seus empregos e estudantes de suas escolas. O dia ficou conhecido como “o domingo do arame farpado”.
O governo da República Democrática da Alemanha (RDA, o lado oriental) havia mobilizado 10 mil homens para garantir a segurança e evitar protestos após o fechamento da fronteira. À exceção de pequenos ataques de jovens do lado ocidental e de protestos menores do lado oriental, não chegou a haver confrontos violentos, nenhuma reação radical. Pego igualmente de surpresa, o governo norte-americano preferiu evitar o enfrentamento, permitindo que o lado socialista concluísse sua operação.

Mario Benedetti

Este texto, que publico abaixo, anda rodando na rede num pps bem feitinho. É um texto lindo, bem escrito e muito sincero. Se é do Mario Benedetti eu não consegui comprovar. Achei engraçado, porque na busca de informações do Mario Benedetti para comprovar a autoria do texto, encontrei uma discussão na rede sobre a falta de material deste poeta e escritor Uruguaio de renome internacional. (Veja abaixo o link da Editora Objetiva com mais informações)


Da gente que eu gosto.
Eu gosto de gente que vibra, que não tem de ser empurrada, que não tem de dizer que faça as coisas, mas que sabe o que tem que fazer e que faz. Gente que cultiva seus sonhos até que esses sonhos se apoderam de sua própria realidade.
Eu gosto de gente com capacidade para assumir as consequências de suas ações, de gente que arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, que se permite, abandona os conselhos sensatos deixando as soluções nas mãos de Deus.
Gosto de gente que é justa com sua gente e consigo mesma, da gente que agradece o novo dia, as coisas boas que existem em sua vida, que vive cada hora com bom ânimo dando o melhor de si, agradecido de estar vivo, de poder distribuir sorrisos, de oferecer suas mãos e ajudar generosamente sem esperar nada em troca.
Eu gosto de gente capaz de me criticar construtivamente e de frente, mas sem me lastimar ou me ferir. Da gente que tem tato.
Gosto da gente que possui sentido de justiça.
A estes chamo de meus amigos.
Me gosta a gente que sabe a importância da alegria e a pratica.
Da gente que por meio de piadas nos ensina a conceber a vida com humor.
Da gente que nunca deixa de ser animada.
Gosto de gente que nos contagia com sua energia.
Gosto de gente sincera e franca, capaz de se opor com argumentos razoáveis a qualquer decisão.
Gosto de gente fiel e persistente, que não descansa quando se trata de alcançar objetivos e idéias.
Me encanta a gente de critério, que não se envergonha em reconhecer que se equivocou ou que não sabe algo.
De gente que, ao aceitar seus erros, se esforça genuinamente por não voltar a cometê-los.
De gente que luta contra adversidades. Gosto de gente que busca soluções.
Gosto da gente que pensa e medita internamente. De gente que valoriza seus semelhantes, não por um estereótipo social, nem como se apresentam.
De gente que não julga, nem deixa que outros julguem.
Gosto de gente que tem personalidade.
Me encanta a gente que é capaz de entender que o maior erro do ser humano é tentar arrancar da cabeça aquilo que não sai do coração.
A sensibilidade, a coragem, a solidariedade, a bondade, o respeito, a tranquilidade, os valores, a alegria, a humildade, a fé, a felicidade, o tato, a confiança, a esperança, o agradecimento, a sabedoria, os sonhos, o arrependimento, e o amor para com os demais e consigo próprio são coisas fundamentais para se chamar GENTE.
Impossível ganhar sem saber perder.
Impossível andar sem saber cair.
Impossível acertar sem saber errar.
Impossível viver sem saber reviver.
A glória não consiste em não cair nunca, mas em levantar-se todas as vezes que seja necessário.
E ISSO É ALGO QUE MUITO POUCA GENTE TEM O PRIVILÉGIO DE PODER EXPERIMENTAR.
Bem aventurados aqueles que já conseguiram receber com a mesma naturalidade o ganhar e o perder, o acerto e o erro, o triunfo e a derrota...

domingo, 1 de novembro de 2009

Jogos dos Povos Indígenas


A 10ª edição dos Jogos dos Povos Indígenas, que acontece de 31 de outubro a 7 de novembro na cidade de Paragominas, no Pará, deve reunir cerca de 1.300 pessoas, segundo o Ministério dos Esportes. Além de vários grupos indígenas brasileiros, participam delegações do Canadá, Austrália e Guiana Francesa.
A abertura oficial ocorreu às 17h30 de sábado (31), na Arena Círculo Indígena. Um total de 28 ocas compõem a Vila Olímpica que abriga os povos. Até 6.000 pessoas poderão assistir às competições nas arquibancadas.
A arena dos jogos no Parque Ambiental receberá 8 das 10 modalidades. As modalidades tradicionais de arco e flexa, arremesso de lança, cabo de força, canoagem, corrida de 100 metros, corrida de fundo, corrida de tora e natação/travessia serão disputadas no espaço.
Já o futebol, mesmo sendo praticado em todas as aldeias brasileiras e de ter origem não-indígena (jogos ocidentais), será disputado em espaços físicos fora do Parque Ambiental. O parque de Exposição de Paragominas receberá as competições masculinas de futebol, e o Estádio João Gomes, as femininas.
Haverá também os jogos demonstrativos. Serão apresentados aos visitantes atividades como lutas corporais, corrida de tora e zarabatana, entre outras. Os Jogos dos Povos Indígenas são realizados desde 1996.

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2009/11/01/ult5772u5907.jhtm

sábado, 31 de outubro de 2009

KeRoL de Maria Sanz Martins

Gente, mais um pouco de Maria Sanz Martins. A Foto e o texto foram tirados do Blog  de Maria Sans, e o endereço do Blog você encontra no final do texto. Conheça essa menina, porque ela é muito competente e vai longe.

Disse “thank you”, ajeitou a roupa, deu com as costas e saiu andando. Tentava esconder o sorriso – o que, na verdade, era bastante difícil por que suas bochechas largas lhe transbordavam a cara.
Rir de si mesma foi uma lição que Carolina aprendeu tarde, mas que agora exercitava com maestria. Por mais constrangedora que fosse a situação, Carol não deixava de se sentir tranqüila, nem de sorrir dos próprios tropeços com desafetação.
Havia acabado de descobrir, pela voz de uma doce senhorinha que estava na fila para usar o orelhão, que estava à mostra sua calcinha – *sim, acontece nas melhores famílias: a moça vai ao toalete apressada e quando sai, não se dá conta de que está exposta por que, acidentalmente, a barra da saia ficou presa no elástico da roupa íntima.
Já fazia mais de meia hora desde que Carol havia usado o banheiro, o que significava que todo o percurso pelo saguão do aeroporto, desde o check-in, passando pelo balcão da cafeteria, até o telefonema no orelhão, havia sido feito com a saia daquele jeito – ok, ficar com o derrière de fora não é nenhuma tragédia, mas é certamente uma branca humilhação. Ria ela, sozinha, de si mesma, então.
Esperava o vôo que a levaria de volta ao seu país. Há anos Carol não via seus pais ou seus amigos. Nos quatro anos em que passou morando fora, Carol engordou seis quilos, amou dois homens, fez três tatuagens e deixou a profissão de dentista para ser baixista de um grupo de jazz que se apresentava cinco vezes por semana.
Seus olhos ainda eram castanhos esverdeados e seu signo ainda era escorpião, mas, de resto, muita coisa havia mudado. Já não era mais a menina que todos chamavam de Carolina. Estava acostumada a ser chamada de Kerol – (mais ou menos como os americanos pronunciavam Carol).
Era agora uma mulher que carregava em si a marca da certeza de que não queria ser perfeita.
Carolina sempre fora uma princesinha. Desde pequena, muito simpática, falante e bonita. E, ainda na escola, aprendeu a manejar o truque de enfeitiçar a todos com seu inato carisma. Era popular, inteligente, tinha cara de boneca e olhos densos, num verde escuro estilo bola de gude.
Era, sobretudo, uma menina competitiva e não admitia perder sequer um par-ou-impar. Não media esforços para manter o título de melhor da turma, do time e da rua. E não tinha mesmo pra ninguém. Ela tirava as melhores notas da sala, era artilheira nos campeonatos de handball e a inveterada campeã do concurso anual de rainha da primavera da rua onde morava.
Ficou mal acostumada com o gosto da vitória e da admiração que causava. Seus pais, que não viam qualquer problema em seu comportamento, sem querer incentivavam na menina um certo bafo de perfeição. E, assim, cresceu atada à idéia de ser a melhor, a mais querida e a mais bonita.
Mas, os anos se passaram e ela logo entendeu que ser ‘uma simpatia’, a melhor tenista do clube, dentista de primeira e muito bonita, não era nenhuma garantia. Ao contrário, Carolina sentia sobre os ombros um peso que já não queria. Rasgou inteira a fantasia de princesa, comprou uma passagem de avião e voou para longe.
Queria reinventar a identidade que sua memória lhe oferecia. E mesmo sob o risco de sentir-se desprevenida, parou de tentar se achar todos os dias, e escolheu Nova York para perder de vez as perguntas e respostas que já conhecia.
Agora, puxando a mala de mão vermelha para embarcar de volta no avião, lá vai Kerol - ex-dentista, ex-modelo-de-beleza, ex-menina perfeita. Feliz e muito mais sabida. Aprendeu a graça de ser imperfeita e a tirar de letra as pequenas armadilhas da vida.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A Chaminé Cultural de Sampa


O Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, mais conhecido simplesmente por MASP, é fruto de uma aventura de duas pessoas, coadjuvadas por Edmundo Monteiro, com visão revolucionária para sua época, e apoiados por um grupo de amigos.
O MASP foi inaugurado em 2 de outubro de 1947 por Assis Chateaubriand, fundador e proprietário dos Diários e Emissoras Associados e pelo professor Pietro Maria Bardi, jornalista e crítico de arte na Itália, recém chegado ao Brasil.
Uma história de alma, talento e força tornou possível a existência do MASP, cuja coleção, a mais importante do hemisfério sul, é considerada tesouro da humanidade. O feliz encontro de Assis Chateaubriand e de Pietro Maria Bardi alinhou o Brasil com os países de primeiro mundo no universo das artes.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Ambiente é o Meio


Foi lançado no último dia 13, o DVD-ROM do programa AMBIENTE É O MEIO, produzido pela Rádio USP Ribeirão em parceria com o USP Recicla e o Prof. José Marcelino de Rezende Pinto, da Faculdade de Filosofia (FFCLRP). Foram confeccionados 500 exemplares do DVD-ROM que traz uma coletânea de 70 programas exibidos desde a criação do programa, em 1996, até 2008. 
O material será distribuído em escolas e organizações não governamentais como material didático para discussão e reflexão sobre questões ambientais de Ribeirão Preto, da região e do planeta. 
Para adquirir gratuitamente o DVD-ROM, os interessados devem ligar para  (16) 3602-4904. Após o lançamento foi realizado um debate com o promotor Marcelo Goulart, o professor Marcelo Pereira de Souza (FFCLRP) e o ambientalista Manuel Tavares, com mediação do jornalista Luís Ribeiro, apresentador do programa.

Dia Nacional do Livro


O livro digital se tornou realidade. Depois de muitas conversas, debates, discussões acaloradas e até vaticínios, neste ano de 2009, o livro digital, ou e-book como foi denominado, chegou e, pelo jeito, para ficar.
Eu, como um apaixonado pelos livros, não tenho dúvida alguma de que o e-book chegou para ficar e também que o livro de papel nunca vai acabar. E, fico feliz, porque a função do livro, que é a mais importante, existe nos dois modelos. A transmissão de conhecimentos através da beleza da linguagem.
O dia 29 de outubro foi escolhido como Dia Nacional do Livro em homenagem à fundação da Biblioteca Nacional, que ocorreu em 1810. Só a partir de 1808, quando D. João VI fundou a Imprensa Régia, o movimento editorial começou no Brasil. O primeiro livro publicado aqui foi "Marília de Dirceu", de Tomás Antônio Gonzaga, mas nessa época, a imprensa sofria a censura do Imperador. Só na década de 1930 houve um crescimento editorial, após a fundação da Companhia Editora Nacional pelo escritor Monteiro Lobato, em outubro de 1925.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Maria Sanz Martins

Recebi hoje, via e-mail, da minha prima Carmen Cagno, um texto daqueles que além de gostarmos, gostaríamos de ter escrito. Na sabedoria de uma avó, essa escritora Maria Sanz Martins, coloca todos os conselhos para se viver os dias que nos cabem sobre a face da terra.
Não resisti, fui ao google e descobri o Blog desta escritora de Vitória - ES, que certamente vamos conhecer mais e mais. Passem por lá e saboreiem o texto que tanto me encantou.
http://www.noprovador.com.br/
Da minha precoce nostalgia
Por Maria Sanz Martins
Quando eu for bem velhinha, espero receber a graça de, num dia de domingo, me sentar na poltrona da biblioteca e, bebendo um cálice de Porto, dizer a minha neta:
- Querida, venha cá. Feche a porta com cuidado e sente-se aqui ao meu lado. Tenho umas coisas pra te contar.
E assim, dizer apontando o indicador para o alto: - O nome disso não é conselho, isso se chama corroboração!
Eu vivi, ensinei, aprendi, caí, levantei e cheguei a algumas conclusões. E agora, do alto dos meus 82 anos, com os ossos frágeis a pele mole e os cabelos brancos, minha alma é o que me resta saudável e forte.
Por isso, vou colocar mais ou menos assim:
É preciso coragem para ser feliz. Seja valente.
Siga sempre seu coração. Para onde ele for, seu sangue, suas veias e seus olhos também irão.
E satisfaça seus desejos. Esse é seu direito e obrigação.
Entenda que o tempo é um paciente professor que irá te fazer crescer, mas escolha entre ser uma grande menina ou uma menina grande, vai depender só de você.
Tenha poucos e bons amigos. Tenha filhos. Tenha um jardim. Aproveite sua casa, mas vá a Fernando de Noronha, a Barcelona e a Austrália.
Cuide bem dos seus dentes.
Experimente, mude, corte os cabelos. Ame. Ame pra valer, mesmo que ele seja o carteiro.
Não corra o risco de envelhecer dizendo "ah, se eu tivesse feito..."
Tenha uma vida rica de vida.
Vai que o carteiro ganha na loteria - tudo é possível, e o futuro é imprevisível.
Viva romances de cinema, contos de fada e casos de novela.
Faça sexo, mas não sinta vergonha de preferir fazer amor.
E tome conta sempre da sua reputação, ela é um bem inestimável. Porque assim, as pessoas comentam, reparam, e se você der chance elas inventam também detalhes desnecessários.
Se for se casar, faça por amor. Não faça por segurança, carinho ou status.
A sabedoria convencional recomenda que você se case com alguém parecido com você, mas isso pode ser um saco!
Prefira a recomendação da natureza, que com a justificativa de aperfeiçoar os genes na reprodução, sugere que você procure alguém diferente de você. Mas para ter sucesso nessa questão, acredite no
olfato e desconfie da visão. É o seu nariz quem diz a verdade quando o assunto é paixão.
Faça do fogão, do pente, da caneta, do papel e do armário, seus instrumentos de criação. Leia.
Pinte, desenhe, escreva. E por favor, dance, dance, dance até o fim, se não por você, o faça por mim.
Compreenda seus pais. Eles te amam para além da sua imaginação, sempre fizeram o melhor que puderam, e sempre farão.
Cultive os amigos. Eles são a natureza ao nosso favor e uma das formas mais raras de amor.
Não cultive as mágoas - porque se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida é que um único pontinho preto num oceano branco deixa tudo cinza.
Era só isso minha querida. Agora é a sua vez. Por favor, encha mais uma vez minha taça e me conte: como vai você?

ACERTAR-A-MOSCA

Era índio-moço/ambição e quis se tornar grande arqueiro. Busca/procura mestre-arqueiro, que lhe diz - primeira coisa é aprender não-bater-mais-cílios. Que a vida lhe seja farta/fértil, agradece, s´inclina/toca-peito, coração.

Por tres anos se exercita esse moço/homem. As pálpebras tinham se esquecido, já, do instintito/músculo de fechar-se, abertas até-mesmo-ao-dormir, quando agora-homem se apresenta, de novo, ao mestre. E, logo confirma - deve aprender a OLHAR; se conseguir ENXERGAR uma coisa minúscula, do tamanho de uma montanha, volte a-mim.

O homem amarra com fio-de-cabelo/mosca e se posta diante a fixar só/fixa/mente: ela. Passados tres dias era ainda a mosca. Porém, depois, tres semanas após, estava grande como borboleta/flor/gafanhoto. Final do terceiro ano, ele via a mosca tão-maior - um tapir. "Consegui", pensou o homem, (sentiu-se) iniciado.

Saiu/seguiu-caminho e as pessoas lhe pareciam árvores, as capivaras colinas, as antas serras. Assim treinou/esmerou muitobem seu olho que podia centrar qualquer alvo. Mais: acertar/colocar uma segunda flecha no término da primeira, uma terceira na extremidade da segunda, e daí-afora, até que entre o alvo e o arco se formasse uma linha-compacta de flechas enfiadas umasnasoutras. Ponto àquele chegado, pens-consciente, duvida... Para vir-a-ser o maior arqueiro, mestre-arqueiro-de-todos, deveria eliminar o próprio (seu) mestre/guia.

N´uma tarde, luz oblíqua tange/tinge, estando pelo prado/periferia da aldeia, notou o antigo mestre vindo em-para-si. Rapidíssimo, desperta/arco/levanta e o tomou na mira.

Percebendo (pré-sabendo) o movimento, por sua vez, o mestre empunha/embraça o arco para responder/revide.

Duelo-de-morte: a precisão do tiro é tal, de parte e outra, que as duas flechas se encontram no-meio da trajetória. NO AR. E caíram (ambas) por terra. "Como?" Somos tantos os grandes arqueiros, neste mundo!, e o (já) então grande arqueiro virá-a-saber de um mestre ainda-melhor que o primeiro. Velho/indio-iluminado. Santo/sábio/supremo, era O-perfeito.

Encontrá-lo em seu hermo/solidão, alto de um monte, é tarefa-que-pede tres anos, luas-contadas. Selva-rios-distância. Pacientespera. Sacrifício/vontade/certeza.

Se apresenta atirando n´uma revoada de pássaros espantandos/espalhados que revoam, atravessa/matando sete deles, única flecha, um tiro apenas. Aos-pés dos dois. O velho contempla sorrí. Generoso/generumano, compreende.

Voa/passa uma garçaltíssima, o mestre põe uma flecha invisível n´um arco também invisível/inexistente e a alcança/abate/derruba, inexorável chão. Espanto-de-clamar! Completa/comenta, língua de boca-que-não-fala/transmite: enquanto depender arco/flecha para atingir o alvo (e) usar olho para VER, não será preciso, nunca será arqueiro, na verdade nem será.

Age em-neste-tanto; com o dito, feito/findo. Deciso - seguro - o velho mestre assume de força das mãos do recém-chegado, o arco (ora não-jamais necessário) e o rompe/destrói, mandando pedaços quase-brutal ao precipício-não-vejo-fundo, lá, alma/âmago do mundo.

Indica mesmo gesto, completo O-sublime, lugar-único que ocupou/possuiu/serviu por tantas estações/gerações, quantas? E da vida se ausenta afastando-se/adentrando destinos misteriosos sagrados/segrêdos novos-novos da floresta. Natureza só com ele íntima, na razão de abrir passagem afastar galhos, índio-velho, imperioso/intima/ensina real-posto onde estivera sempre, longe dos homens para melhor entender sua poucamente fraqueza/banal angústia, a meditar/consolação (se há) nesta visão infinita de verde verde verde, águas grandes, gritos cantos urros, morte e vida. Putrefato nascimento: até o fim, até quando o próprio SOL, à espera dos-que-virão, um dia, quem sabe (êle mesmo), não comece a se apagar/envelhecer.

(Cine/conto-zen para Sebastião e Michelangelo) de Jirges Ristum

sábado, 24 de outubro de 2009

Solitário, 1925


Imagem de Oswaldo Goeldi - Solitário, 1925
Descobri Oswaldo Goeldi visitanto o Blog Clareira da Existência  onde, além da gravura acima, tinha a seguinte frase: Expressão mais verdadeira de nossa humana condição? Achei tão bonito que fui conhecer o artista e aí, fiquei mais encantado ainda. Vale a pena, passe por lá: http://www.centrovirtualgoeldi.com

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Asterix & Obelix


Como já percebemos, a grande explosão dos quadrinhos aconteceu nos anos 1950, isto é, logo após o fim da segunda guerra mundial.
Agora, quem completa 50 anos de sua primeira publicação é o Asterix, um herói baixinho e com um grande bigode que anda sempre acompanhado de seu amigo Obelix e juntos eles resistem às investidas do Império Romano contra a Gália.
Asterix e os demais soldados tomam uma poção mágica que os torna um exército invencível. Só o Obelix não pode tomar a poção, porque quando pequeno ele caiu dentro do caldeirão onde ela é feita e ficou poderoso para sempre.
Criados pela dupla de amigos Albert Uderzo e René Goscinny., Asterix apareceu pela primeira vez em uma história em quadrinhos na revista francesa Pilote, no dia 29 de outubro de 1959.
Hoje, os heróis continuam fazendo sucesso lutando contra os romanos, mas há mais 30 anos a criação é exclusiva de Uderzo, já que Goscinny, que escrevia as histórias, morreu em 1977.
Para comemorar os 50 anos do personagem, foi lançado na França uma revista inédita do herói. Para muitos fãs, a dupla de gauleses simboliza em muitos aspectos o espírito francês.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Super Arno


Nos anos 1950 chegaram os ventiladores modernos. Alias, como podem ler no anúncio, Ventilador - Circulador Super Arno.  O consumo chegou como uma maravilha. Produtos, novidades, nada melhor para movimentar a roda do mundo capitalista – a compra.

Página Inteira na Revista O Cruzeiro nos Anos 1950



Veja que anúncio bem feito. Ousado podemos dizer, afinal, nos anos 1950 as mulheres usavam saias abaixo do joelho e decotes só em festas fechadas. Mas, a diagramação, a idéia, com certeza viraria novamente uma bela peça publicitária das toalhas Artex.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Drummond Novamente

"Fácil é julgar pessoas que estão 
sendo expostas pelas circunstâncias.
Difícil é encontrar e refletir sobre 

os seus erros, ou tentar fazer diferente 
algo que já fez muito errado.
E é assim que perdemos pessoas especiais."

Millôr Fernandes


É na simplicidade que tá a beleza das idéias do Millôr.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Ribeirão dos Sonhos

Tua majestade, Ribeirão Preto,
Agasalha e encanta,
Seduz e prende
O olhar do poeta.
Extasiado, contemplo,
Teu desenho e porte:
Ruas, prédios,
Escolas, fábricas,
Cinemas, teatros,
Ensino e trabalho,
Ciência e arte.
Teu suor e gozo,
No riacho escuro
Dos meus sonhos
De cidade
Te vejo, límpida,
A iluminar meus passos.
Te sinto quente,
A estender-me os braços.
Texto de Jucelino Pernambuco publicado no Guia Centro de Ribeirão - Edição Março 07